Nesta semana , enquanto jantavamos no refeitório , a minha amiga japa me fez esta pergunta: - Mas você afinal de contas se sente mais japonesa ou mais brasileira?
Se fosse a alguns anos atrás eu responderia sem titubear que sou brasileira com muito orgulho, mas a minha resposta foi a seguinte: - Nem uma coisa e nem outra.
A minha amiga seguiu insistindo ( ela quer que eu seja japonesa) , e me questionou que o meu pai é japonês legítimo, portanto, eu não sou mesclada com outras raças, o meu sangue é 100% japonês e blá, blá, blá...
Fui obrigada a esclarecer para a minha amiga que quando um filho (a) de japonês legítimo nasce em terras estrangeiras , estuda e cresce em terras estrangeiras é considerado " nikkei". Ou seja, de origem japonesa porèm produto de fabricação nacional. Não posso usar um selo " made in Japan" só porque tenho sangue e ascendencia japonesa.
Quando vivemos e convivemos com japoneses legitimos aqui no Japão, podemos perceber claramente esta legitimidade nipônica no modo de ser ( japanese style) de cada um que difere muito com o modo de ser dos nikkeis brasileiros , que ao mesmo tempo diferem com o modo de ser dos brasileiros de ascendência diversas .
Este tipo de questionamento sempre me deixa meio ...Sei lá?
Antes de viver aqui no Japao e na Suiça , eu tinha certeza de que eu era " japonesa" . Depois que a minha " condição" foi exposta e questionada em outras culturas, hoje eu me sinto um produto genérico. Sempre digo que sou oriental de ascendência japonesa e passaporte brasileiro.
Eh, e o meu cuore è cosa?
Quer dizer, e o meu coração é o quê?
Não saberei responder no momento atual. Cigano?
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