sexta-feira, 13 de julho de 2018

O verão japonês

         


O verão japonês chegou com tudo este ano, apesar da epoca de chuvas que devastou Hiroshima. Aliás, ôh lugarzinho pra ser devastado, ne!

Na quinta- feira passada foi anunciado na fabrica que quem quisesse folgar na segunda-feira poderia usar yukiu ( folga remunerada) , e como a produção anda baixissima e eu estou ainda aprendendo a medir os vidros e salvar no Excel ( Excel e Windows em japonês) , decidi na ultima hora em folgar na sexta-feira e emendar até segunda.

Quatro dias de folga em pleno verão em uma cidade onde não existe nem estação de trem. O que fazer ? Busquei reservas em hoteis para aproveitar a comodidade de estar hospedada em um hotel perto da praia. E quem disse que encontrei vaga? Tudo lotado durante todo o verão.

Eu não possuo carro aqui por acreditar que carro é um mal necessário que dá muita despesa, mas sem um meio de locomoção a vida fica muito dificil aqui no interior. Imaginem pedalar mais de 40 minutos debaixo de um sol de mais de 33 graus ? Foi o que eu fiz. Era o que tinha e não me arrependo.

Peguei a minha bike , me armei de coragem, gelo  ( comprado no seven eleven) , um shorts , uma camiseta , óculos de sol e chapéu. Na ida até que foi tranquilo, mas na volta eu estava toda pegajosa e muito cansada. Apesar da dificuldade valeu muito a pena aproveitar a minha folga de sexta-feira para ir a praia.

O tempo estava perfeito, quente , mas nem tanto. A brisa do mar ainda estava fresca . Decidi dar uma parada naquelas construções de verão que ficam na beira da praia para comer alguma coisa. Que idéia fantàstica! Comer camarão frito na praia, sentindo a brisa do mar e ouvindo apenas o som das ondas do mar é simplesmente fantástico. Acho que suspirei de satisfação umas três vezes enquanto saboreava os camarões fritos. Uma delícia.

No caminho de volta passei por uma loja de departamentos para comprar um bikini , mas os bikinis japoneses mais se parecem com roupas de ginástica, outros com muita renda e flu flus que eu particularmente odeio. Sem falar no preço absurdo. Saí da loja e voltei uma quadra para me refrescar com algo gelado em um café que costuma tocar bossa-nova como musica ambiente. Neste café servem todos os tipos de café que se possa imaginar, desde o tradicional até os mais elaborados para o verão. Super refrescante!

Ainda tinha uns 25 minutos de bicicleta até o meu apartamento e no meio do caminho começei a sentir aquele cansaço de pedalar por tanto tempo debaixo daquele sol escaldante. Quase morri . A primeira coisa que fiz foi tomar uma ducha para tirar aquela sensação de suor pegajoso.

Hoje o sol está tão ou mais escaldante do que ontem e apesar do corpo dolorido por pedalar mais de 40 minutos no dia anterior , eu ainda estou animada a dar uma voltinha rápida na praia que fica aqui perto, cerca de 15 minutos. Não é uma praia para banho de mar , mas a visão do mar e o contato com a natureza me faz muito bem. Então, lá vamos nós outra vez.

É sempre bom estar ciente de que o calor japonês não é igual ao calor que estamos acostumados no Brasil, pelo menos na região sudeste, e preparar-se para não passar mal com o calor excessivo e a umidade excessiva do ar é algo imprescindível. Sempre sair usar chapéu e levar consigo uma garrafa pet de água congelada ou bebidas especificas para esportistas .


domingo, 8 de julho de 2018

Meu passado , meu futuro



" Quem vive de passado é museu" . Diz um dito popular. Então eu sou um museu ambulante e metamorfósico.

Não dá para vencer uma corrida se a todo instante olhamos para tràs , não é mesmo?Perde-se tempo e concentração. Ao mesmo tempo, como tudo na vida tem a sua dualidade . É preciso olhar para trás de vez em quando para não cometermos os mesmos erros do passado.

Passamos boa tarde de nossas vidas desenhando rascunhos daquilo que seria melhor para nós . Alguns rascunhos se tornam realidade, alguns meros rabiscos .

Hoje é mais um daqueles dias de mergulhos  no tempo, no tempo passado. Eles vem em sonhos,  ou ao encontrar velhos albuns de familia enquanto faxinamos a casa. Até mesmo quando reencontramos velhos amigos da adolescência em redes sociais. Nestas horas é inevitável mergulhar nas nossas lembranças. Algumas lembranças nos trazem muita alegria ao presente, assim como outras nos fazem sentir a mesma angústia de experiências passadas e mal resolvidas.

Para resolver questões de um passado que já não existe mais é preciso mergulhar profundamente em suas águas. Regogizar-se com as boas lembranças e encarar de frente todas as emoções que procuramos esquecer. Tudo que vivemos no passado faz parte integrante daquilo que somos hoje, e não há como ignora-las, passe o tempo que for. Não há como esquecer o primeiro amor, a primeira desilusão, as primeiras conquistas , nossos erros e nossos acertos. Tudo faz parte de nós.

"Furusato" , é um termo muito utilizado no Japão para descrever o nosso retorno ao nosso local de origem, a nossa casa , a nossa vila, ao nosso passado. Em um dado momento da vida , apös vivenciarmos  tudo aquilo que precisavamos vivenciar para avançar , vem  a inevitavel fase do mergulho em nosso passado. Para muitos pode significar um retrocesso , para outros , o reencontro com o nosso passado pode ser o reinício de uma nova fase .


Meras reflexões de um alguém que perdeu o seu passado para o tempo e a distância. 

Namastê!




quarta-feira, 4 de julho de 2018

Japoneses no trabalho




Em meu primeiro intervalo de 15 minutos ( a empresa dá 15 minutos de intervalo de 2 h em 2 h ) , fui ao refeitório da fabrica e tinha uma japinha sentada com os olhos colados no celular. Isto era por volta das 18:00 h . Como sempre , muito "majime" ( correta) que sou , fiz meus 15 minutos de repouso e logo voltei ao trabalho.

Retornando ao meu posto , me sento , olho para o lado e a minha colega de trabalho japa  que se senta logo ao meu lado estava dando uma bela cochilada sentada , meio que debruçada sobre o seu material de trabalho , que  consiste em pequenos vidros cortados para a confecção de lentes para cameras fotograficas. Nenhum pó ou particula microscópica podem passar pela inspeção, mas com ela  debruçada praticamente em cima dos vidros , com certeza alguns vidros deverão ser descartados.

As 20:00 h saí novamente para o meu intervalo de 60 minutos  de janta ( não remunerado) . Entrei no refeitório e lá estava a mesma japinha que estava no refeitorio às 18:00 h , desta vez literalmente roncando debruçada na mesa do refeitorio com o seu casaco cubrindo a sua cabeça.  Ela estava repousando no refeitorio desde as 18:00 h , ou seja , ela estava a tôa por 2 h no refeitorio. Logo que eu me sentei a mesa e liguei a televisão ela se levantou e saiu . Não sei para onde , talvez dar um giro do lado de fora do prédio.

Voltando do meu intervalo de 60 minutos ( normalmente faço apenas 40 minutos) , entro na seção e lá está a minha colega japa cochilando ainda , sabe-se lá desde a que horas.

As duas japas mais dormiram do que trabalharam o dia inteiro. Desse jeito fica até monótono demais ir trabalhar para dormir . Melhor ficar em casa dormindo.

Para entender a dinâmica da situação, o periodo é de baixa produtividade , portanto , muitas pessoas ficam sem ter realmente o que fazer durante quase metade da jornada de trabalho. Daí o povo faz 2 h de intervalo,  sai para fumar quinhentas mil vezes , ou ficam assistindo tv pelo celular . Fazer uma faxina no refeitorio que está com o chão encardido ninguém quer .

Vendo esta situação de ociosidade total dos meus colegas japoneses , fico aqui pensando : Onde é que foram parar os japas "majimes" ( corretos) que sempre estão no imaginário popular?

Provavelmemte limpando as arquibancadas dos estadios da Russia . Quando tem alguém vendo.



terça-feira, 3 de julho de 2018

Destino


         

Houve um tempo em que eu me perguntava  com frequência se o destino existia?. Coisas de uma adolescente rebelde e sem causa. Talvez naquele tempo eu tenha sido influenciado por aquelas fotonovelas italianas , as edições de contos românticos , e  muita sessão da tarde assistindo filmes épicos. Mas a verdade é que eu ansiava por uma vida fora do comum , de grandes feitos, grandes acontecimemtos , muita aventura e romance. Como nos filmes românticos da sessão da tarde.

A minha realidade era bem diferente da minha expectativa de ter uma vida cheia de emoções e aventuras. De casa eu ia para a  escola e da escola eu ia para casa. Às vezes eu tinha que lavar a louça do almoço , passar a enceradeira na sala e lavar o banheiro. Minha maē me dizia que menina que não gosta de lavar a privada cresce feia. Lavei muita privada até os meus 12 anos. Depois , já não me importava mais se seria bonita ou não.

Meu passatempo preferido era viver lendo contos românticos. A minha maē deveria ter me proibido de ler tanta fantasia e ler mais livros educativos . Talvez , hoje  eu tivesse  uma mente mais lógica e não me questionasse tanto sobre o destino.

Destino ou livre-arbítrio. O que dá no mesmo. Parte de nosso destino já está traçado até mesmo antes de nacermos. Ninguém tem o livre- arbítrio de escolher onde , como e quando nascer. O nosso papel dentro do nosso destino é simplesmente de como  iremos    vivencia-lo.

Saturno é o meu regente , e como tudo , onde tem a mãozinha rígida de Saturno as coisas não acontecem por si só. Onde não houver disciplina não haverá ordem , e onde não há ordem não haverá progresso ou prosperidade. Isto é de fato algo que percebo nitidamente no curso da minha vida. Quando solto as rédeas de Saturno para respirar um pouco, me divertir e desfrutar da vida relaxadamente , a conta vem. É como estar remando contra a maré e soltar os remos. A canôa fica  a deriva e sabe- se lá onde ela vai atracar. Num paraiso de frutas tropicais e praias paradisiacas? Com a regência de Saturno duvido muito que algo assim tão desfrutável ocorra.

Após a minha descoberta de que o destino existe, fui perdendo aos poucos aquela ilusão de querer viver o que não estava reservado para mim. É tipo , querer ter nascido rica , se nasci pobre. Querer ter  olhos azuis se nasci com os olhos castanhos. Querer ter ganhado na loteria , se nunca apostei. O nosso querer também tem limites.

Dá para ficar rico mesmo sendo pobre? Dá. Depende do nosso esforço e da nossa sorte . Dá pra ter olhos azuis? Dá. Basta comprar lentes de contato coloridas. Dá para ganhar na loteria? Dá . Se apostarmos com frequência as nossas chances aumentam . As nossas chances de mudar o nosso destino está condicionada a lei de causa e efeito, ao mesmo tempo ela està atrelada ao nosso karma de vidas passadas. Não bastaria o meu livre-arbítrio para mudar aquilo que estava escrito.

Parece meio fatalista, mas esta é a realidade sem romantismo do que é o destino. Dá para dar uma melhoradinha aqui, acolá . Mas se o seu karma imutável é viver uma vida simples , comum, rotineira e cheia de percalços , nem ganhar na loteria te livrará do seu destino.

Aceita que dói menos!




Amizades japonesas


Há mais de 10 anos vivendo em terras nipônicas já era tempo de ter boas e profundas amizades com os japoneses. Só que não!

Sempre procurei fazer amizades com pessoas de todas as raças desde que decidi ficar por muito tempo em terras nipônicas. Foram filipinos, peruanos, argentinos, bolivianos , italianos , brasileiros e japoneses que conheci ao longo deste periodo todo. Sempre os tratei como iguais , apesar das diferenças culturais, mas devo confessar que aprofundar uma verdadeira amizade com os japoneses é uma missão quase que impossível. Não existe o principal para aprofundar amizades : a profundidade.

Tive ao longo dos anos algumas amigas japonesas que me ajudaram muito e sempre foram muito prestativas . No fundo sei que elas possuem alguma consideração por mim, mas falta a cumplicidade , falta falar sobre os nossos problemas, falta compartilhar as nossas alegrias, falta intimidade, falta um abraço amigo. Sinto falta de amizades mais construtivas e afetuosas.

Não vejo os japoneses como uma raça fria e sem sentimentos, eles simplesmente são contidos demais. Alguns por pura timidez, outros por questões meramente culturais de um país onde as pessoas não se tocam muito. A coisa mais rara é cumprimentar alguèm com um aperto de mão, quem dirá um abraço ou beijo no rosto. Eu mesma tomo o cuidado de não tocar os japoneses enquanto eu falo . Eles podem não gostar , achar muito invasivo ou simplesmente estranharem o ato .

Uma vez toquei o rosto de um colega japa de serviço para mostrar a ele o quanto a minha mão estava gelada. O japa teve uma reação tão estranha que até hoje não consegui identificar qual foi a reação dele ao ser tocado pela minha mão gelada. Seria de frio, seria de extase, seria de desconforto? Sei lá!

Nem todos os japas e as japas são assim , mas a grande maioria é muito cheia de convenções e isto dificulta uma intimidade e naturalidade maior nos relacionamentos. Talvez até entre eles mesmos seja assim.

Desisti de querer aprofundar amizades com japoneses. A melhor forma de fazer boas amizades com japoneses nativos é ser como eles gostariam que você fosse, ou que você se adapte a forma cheia de convenções a que eles estão acostumados.

Em parte, percebo que eles gostam oumse divertem com o meu jeito diferente de ser , mas ao mesmo tempo se sentem incomodados ou intimidados quando sou expressiva demais.

Aquilo que me conforta é saber que isto não ocorre só comigo. Meu amigo italiano também se sente totalmente bloqueado quando o assunto é cultivar amizades com os japoneses.

Vivendo e aprendendo. Nunca pensei que os japoneses fossem tão fechados antes de conviver com japoneses nativos . E olha que o meu pai era japonês legítimo.

Cheguei a conclusão de que o japonês é muito mais japonês quando vive em sua terra natal , e a coletividade tipica da raça asiática os impede de serem mais livres. Em contra-partida, quando eles se aventuram a viver  em terras estrangeiras são mais adaptáveis as diferenças e mais originais.

O mesmo japonês que viveu anos na europa não é mais o mesmo que voltou a viver em sua terra natal e vice-versa. Talvez isto tenha ocorrido comigo também, mas se tem uma coisa que eu não dispenso em uma boa e verdadeira amizade são os abraços e a cumplicidade. Nestes dois quesitos a japonesada deixa muito a desejar...



sexta-feira, 22 de junho de 2018

O pragmatismo Capricorniano

                            
                        Será que a cabrinha vai cair? Não, ela  vai escalar mais um degrau.

                       
Capricórnio é aquela cabrinha que escala montanhas , e de lá do topo , fica observando o vale sozinho .  Estaria o Capricorniano estudando o terreno e criando estratégias para escalar outras montanhas? Ou estaria apenas contemplando a beleza da natureza em um de  seus momemtos reflexivos  e solitários?

Frio , anti-social e materialista. Estes são os três adjetivos , ou rótulos que costumam utilizar para descrever a personalidade Capricorniana. Eu, como uma legítima Capricorniana devo discordar.

A frieza Capricorniana nada mais é do que o excesso de praticidade dos Capricornianos em resolver questões que envolvam sentimentos . Isto não quer dizer que o Capricorniano não tenha sentimentos, mas a praticidade em questões que envolvam sentimentos é frequentememte vista como frieza.

O amor não acabou , mas a relação se tornou insustentável?
Solução Capricorniana : separa.

O filho cresceu e ainda não tomou juizo e nem rumo na vida?
Solução Capricorniana : se vira.

Trabalhou a vida inteira e ainda não ficou rico?
Solução Capricorniana: continue trabalhando ...e muito.

Está querendo realizar aquela viagem dos seus sonhos e não sabe como?
Solução Capricorniana: economize, programe-se. Nem que seja por anos.

Está apaixonado (a) por aquele Capricorniano (a) que nem te dá bola?
Solução Capricorniana: deixa de ser chato e tenha amor próprio.

Se envolveu apaixonadamente por alguém que te tira os pés do chão e bagunça a sua vida?
Solução Capricorniana: envolva-se até o ultimo fio de cabelo, mas não se case com ela (e).

Pragmatismo é a palavra certa para descrever as atitudes e a mentalidade Capricorniana. Nada tem a ver com frieza de sentimentos. O Capricorniano é daqueles que sofre calado, mas como possui a habilidade de separar o joio do trigo, sofre com menos intensidade. O que é um ponto à favor na vida prática.


Se pudéssemos...



Se pudéssemos viver a vida todinha da forma que haviamos imaginado poderiamos evitar muitas decepções e desilusões pelo caminho. Mas, a vida não é um simples "querer" . Ela nos dá, ela nos tira. Sinceramente , no alto dos meus cabelos brancos , não sei dizer se a vida me deu mais do que me tirou.
Livre arbítrio ou destino? Há ainda alguém que acredite que o livre arbítrio pode realmente mudar o nosso destino de forma considerável?

Não basta ser determinado e corajoso para viver tudo aquilo que queriamos viver. É preciso ser corajoso o suficiente para enfrentar tudo aquilo que não  queriamos.

Se pudéssemos escolher , ninguém nasceria pobre, ninguém nasceria para a vida sem uma familia, ninguém seria preto ou branco, ninguém morreria antes do tempo.

Se pudéssemos escolher , jamais envelheceríamos, jamais nos separariamos de quem amamos, jamais sofreriamos calados sem nunca dizer : eu te amo.


quarta-feira, 20 de junho de 2018

Minha vida no Japão

                    
                                                Monte Fuji san - Shizuoka-ken 

A minha vida aqui em terras nipônicas é igual a de muitos dekaseguis que vieram ao Japão há anos atrás com sonhos e projetos de voltar ao Brasil e acabaram ficando por aqui. É incrîvel como o tempo passou rápido. São mais de 15 anos que estou na ponte aérea Brasil - Japão e parece que foi ontem.

Conquistas materiais não as tive . Com o passar do tempo percebi que existiam outras prioridades na minha vida do que poupar para ter um teto próprio . Precisava viver os meus sonhos , e ter uma casa pröpria não era bem o meu maior sonho.

Após mais de 15 anos passados aqui em terras nipônicas, entre viagens , inúmeras mudanças de endereço, periodos de fartura e de dureza total. Posso afirmar que , fui muito feliz e abençoada por Deus desde os primeiros anos de Japão.

Hà quase 10 anos que trabalho na AGC japan , com alguns intervalos . Já sou considerada uma veterana por todos os japoneses , apesar de ter me afastado por várias vezes . Em uma ocasião eu simplesmente não fui mais trabalhar após o terremoto de 2011 e fugi para a Suiça uma semana após o ocorrido , sem dar muita satisfação.  Em 2012 voltei para o Japão com a maior cara deslavada e pedi para retornar ao meu antigo posto de trabalho e surpreendentemente me aceitaram de imediato. Claro que recebi um sermãozinho do contratante , mas me receberam super bem. Agora estou cumprindo mais 1 ano de AGC , desde  o meu regresso do Brasil no ano passado. Já faço parte da paisagem.

A AGC japan foi uma benção na minha vida e continua sendo. Não conheço outro lugar aqui em terras nipônicas onde se trabalha com gente educada , em um ambiente limpo , climatizado e sem chefes. Ontem mesmo me atrevi a tirar 1 hora de kiukei ( intervalo) a mais  para assistir a partida de Japão X Colombia .  Eu não conheço nenhum lugar no mundo que ofereça 15 minutos de intervalo de duas em duas horas. Fora os 60 minutos de intervalo para almoço. Aqui no Japão existe uma expressão pra toda esta regalia : amai , que significa dôce, ou indulgente.

Hoje choveu muito por aqui e eu decidi ir a pé do meu apartamento para a fábrica . Sabe o que é você sair do seu apartamento semi-mobiliado grátis ( oferecido pelo contratante) e caminhar apenas cerca de 10 minutos até o local do seu trabalho, sem pressa, nem trānsito e nem horas perdidas dentro de um busão lotado? Para mim isto é o céu! Era tudo o que eu pedi  a Deus todas as vezes que eu estava em pé por mais  de 1hora dentro de um busão lotado em plena avenida Rebouças. Definitivamente , desejo realizado.

O melhor desta comodidade toda é sem duvida o aluguel gratis por todo o periodo que eu estiver trabalhando. Ajuda muito no orçamento mensal e mesmo sem horas extras ainda dá para economizar a parte do salário que seria do aluguel.

Não sei por quanto tempo vou ficar aqui ainda, por mim ficaria por mais muitos anos , mas o amanhã nunca se sabe. Pode ser que ocorra um novo corte de pessoal , mas também pode ser que a empresa prospere e consiga aumentar a produção . Deus queira que sim. Eu amo muito este meu trabalho e o ambiente tranquilo.

Além de já fazer parte da paisagem da AGC , escrevi a minha propria historia durante todos estes anos  de vida e labuta em Shizuoka. Sem dúvida alguma é o meu segundo lar.



sábado, 9 de junho de 2018

Você é aquilo que posta



Nem sempre o virtual é tão irreal assim.

As nossas postagens nas redes sociais mostram muito mais de nós do que imaginamos .

Fotos de viagens , lugares fantásticos e grandes produçōes podem representar apenas 20% da nossa realidade, mas a frequência de postagens do gênero pode demonstrar apenas um grande interesse por viagens  , ou uma necessidade absurda de ser admirado. Geralmente a pessoa não cabe em si, ela necessita compartilhar e obter muitos likes.

Eu tenho pouquissimos contatos no facebook e no instagram. Minha curiosidade é grande , mas meus interesses reais são poucos . Portanto, não vejo a necessidade de estar compartilhando coisas que não interessem aos contatos que possuo nas redes sociais.

Aprendi com o passar do tempo que redes sociais  não são o lugar certo para despejar minhas insatisfações pessoais , e nem tão pouco despir a minha alma . Problemas pessoais devem ser discutidos e expostos in off , ou seja , no privado. Assuntos de interesse pessoal também devem ser compartilhados e discutidos em grupos de igual interesse . Se você é um religioso não espere aprovação ( likes) de seus posts com teor religioso de amigos e familiares que são ateus , agnósticos ou ecumênicos.  Compartilhe com iguais em grupos fechados, caso contrário , poderá se frustrar virtualmente.

Postar indiretas em forma de mensagens de frases feitas é um outro vício que percebo na maioria das vezes em mulheres . Amargura virtual em postagens é muito chato e não agrega absolutamente nada . Não compartilhe sua amargura virtualmente. Quer desabafar ? Procure um amigo ou escreva em um diário virtual.

Ainda fico pasma com a facilidade com  que as pessoas postam em video a sua vida privada para que milhares de pessoas  estranhas visualizem  momentos muito intimos . Para que? Para serem julgadas por estranhos?

Ontem vi um video ( por acaso)  de uma garota que relatava sua má experiência na gravidez. O titulo do video era "fui abandonada grávida" . No começo me comovi com a situação da moça e até chorei com ela , depois fui assistindo a outros videos dela antes da dita gravidez. Em um dos videos ela está bem diferente , toda maquiada , cabelos longos e trages de banho . Ela foi miss de um clube de futebol antes de engravidar. Em outro video ela está super hiper maquiada e relata uma bebedeira em uma festa que ela esteve com o "ficante" dela , que é um jogador de futebol e suposto pai de seu filho.   Em dita festa ela diz não se lembrar o que ocorreu porque ela simplesmente desmaiou de bêbeda. Ao assistir a sequência de seus videos antes de sua gravidez já começei a mudar a minha opinião sobre a pobre garota grávida abandonada. Ex-miss , ex-modelo , baladas , bebedeiras e grávida de um jogador de futebol que negou a paternidade de seu filho. Já vi esse filme.

Quem sou eu para julgar alguém, mas fica explicito demais nos videos desta ex-modelo o que ocorreu com ela . Mas precisa postar isto em video no youtube?

As pessoas perderam a noção da propria privacidade e a desnecessariedade ( essa palavra existe?) de expor suas vidas a este ponto . Para quê? Para receber dislikes, ou para ser julgada por um juri de estranhos virtuais que nem se quer conhecem a sua história?

Mais uma vez reafirmo que o bom senso é tudo na vida de qualquer pessoa . Compartilhar não é despejar em cascata informações de teor pessoal. Compartilhar é dividir com o outro , na mesma proporção. Não é dar demais , nem dar de menos . Rede social não é esgoto a céu aberto , nem divã de psicólogo.  




Gente chata

        


Às vezes me pergunto qual seria o verdadeiro conceito de chatice. Está aí uma questão que depende do ponto de vista de cada um. Eu sou regida por Saturno , o que faz de mim uma pessoa um pouco pragmática e séria demais em comparação a outros signos do zodíaco. Na medida do possível busco manter o meu senso de humor ( quase sempre sarcástico) para não parecer tão séria e chata . Mas , o que é verdadeiramente uma pessoa  chata?

Segundo a minha visão Capricorniana , com tendência a racionalizar tudo e refletir sobre todos os aspectos da vida ( Lua em Escorpião) de forma profunda, a pessoa chata é aquela que não enxerga o outro, com uma cegueira abstrata que visualiza o outro como simples borrões .

Aquela pessoa que te conhece ( ou deveria) há anos , seja seu marido, namorado, filho , pai , maē , ou um amigo (a) de infância que não saberia responder qual a sua cor predileta , temas preferidos , hobbys ou qualquer outro detalhe superficial de seu caráter. Estas  pessoas  frequentemente não enxergam nem a capa do livro, quem dirá o conteúdo.  A pessoa pode ser alegre, comunicativa, animada , sociável , educada e gentil , mas a falta de percepção do outro a torna "chatinha" demais .

O meu conceito de " não chatice" Capricorniana ,  é não incomodar o outro . Simples assim.
Você quer incomodar alguém? Comece um grande monólogo sobre si mesmo sem nem perguntar ao seu interlocutor se ele está bem, ou se ele está disposto a te ouvir naquele momento. Percepção e bom senso são fundamentais para uma boa comunicação.

Em contrapartida , para a visão cega do "chatinho" , o chato é você que não está disponível a tais monólogos.

Em algumas situações o anti-social é bem menos chato do que aquele ser egocêntricamente sociável. É uma questão de ponto de vista.




domingo, 3 de junho de 2018

TPM e inglês japonês




Se existe um sinal claríssimo da TPM , eu a classificaria como irritabilidade. Além de outros sintomas não menos agradáveis como as dores e os incômodos fisicos em geral , a irritabilidade é clássica neste periodo. Há quem chore e se sinta melancólica , relembrando todos os desafetos de uma vida inteira , se fechando em concha . Na verdade as reações podem ser diferentes dependendo do caráter de cada pessoa , porém, a sensibilidade gerada neste periodo é igual para todas.

Acontecimentos e comentários banais que em dias "normais" deixamos passar tornam-se verdadeiros insultos . Parece que o pior de nós , aquilo que queremos esconder dos outros fica à flor da pele, à mostra  , como uma ferida aberta e sangrenta.

Neste periodo a minha convivência pacífica e de certa submissão à cultura e a mentalidade japonesa vira do avesso. Ou seja, aqueles pontos que tentamos ignorar ou compreender porque afinal é uma questão de diferenças culturais , me incomodam profundamente no mais profundo de minha alma.

Aquela mania dos japoneses de transformarem palavras estrangeiras em katagana me irrita do fundo da alma. Não foram poucas as vezes em que os japoneses tentaram consertar a minha pronúncia de palavras em inglês. Claro que a minha pronúncia não é lá perfeita , mas querer corrigi-la para a pronúncia japonesa do inglês é sacanagem.

Semana passada estive com uma amiga japonesa que é daquelas bem típicas senhoras com mais de cinquenta anos no Japão . Estamos jantando em um restaurante quando fui comentar com ela que fui ao karaokê e cantei todas as músicas que eu conhecia em inglês. Ela com a sua visão de horizontes
limitadas ao arquipélago japonês me indagou: - Mas você só canta em inglês?

Na hora eu pensei: - Só? !
Eu canto em  inglês, em espanhol, em português e de quebra algumas musicas em japonês. Não acho pouco, mas fiquei quieta para não parecer arrogante.

O assunto poderia ter terminado aí , mas eu fui abrir a minha boca  e dizer que havia cantado até uma musica antiga da Britney Spears, que aliás, é bem conhecida no Japão. Ela disse não conhecer a cantora. Mas como não conhece se ela já esteve no Japão fazendo shows?

Pronunciei lentamente tentando transformar o nome da cantora em katagana : Buritinei Supirusu.

A minha amiga japa arregalou o zoinho e disse: - Você quer dizer Buritone Supirusu? Me corrigindo.

Meu Deus! Quem em sã consciência vai imaginar que o nome da cantora no inglês ajaponesado é Buritone? Até aí tudo bem. É a forma como os japoneses interpretam palavras estrangeiras com base na escrita do katagana, mas querer corrigir a minha pronúncia é quase que ofensivo. Isso me irrita!

Aqui vão outros exemplos catastróficos do inglês japonês que irritam qualquer pessoa , mesmo sem estar na TPM:

Um clássico do inglês japonês é Maku Donarudo ,que  significa : Mc Donalds.
Uma das muitas lojas de conveniência do Japão é o Sebun Erebun , que significa : Seven Eleven.
A Nestlé que é uma conhecida marca suiça , é poderosa no Japão com suas variedades de Kito-
, ou seja Kit- Kat .
Um molho muito apreciado no mundo e inclusive aqui em terras nipônicas e o tal do tarutaru , com esse nome eu jurava que era um molho japonês até prova-lo . É simplesmente o famoso molho tártaro.
Pai e maē são expressões em ingles bem conhecidas por qualquer pessoa que nem domine o inglês, mas aqui no Japão o father de pai vira faazá e como a terminação de mother é igual ao father , vira maazá. Ou seja : Mai faazá endo  mai maazá , com as vogais bem abertas . Traduzindo: My father and my mother.

E não pensem que é só na pronúncia que os japas assassinam o inglês , a pronúncia é literalmente a forma como se escreve em katagana.

São detalhes banais da minha convivência com os japoneses? Sim, é! E muitas vezes dou muitas risadas , mas com aquela pontinha de incômodo que na TPM me irritam tremendamente.

Este video é do famoso comediante japonês Shimura ken , onde ele intérpreta um professor japonês ensinando inglês para americanos. Vale a pena ver e rir.


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Fazer nada é quase tudo

            
 

Quase 13:00 hs de uma tarde de sábado e eu ainda não saí da cama. Aliás, me levantei para um café , um xixi e um pacote de biscoitos . Em seguida voltei para a minha confortável caminha. Coisas para fazer eu tenho até demais, aquela velha rotina de limpar a casa, lavar roupas e ir ao supermercado . No final da tarde ainda preciso dar um pulinho na fábrica , coisa de duas ou quatro horas de trabalho.

Tenho coisas para fazer? Sim, tenho. E a vontade de não fazer absolutamente nada? Também tenho.

Do alto do meu leito ( a minha cama é alta) , observo o piso que está pedindo uma vassoura , um aspirador de pó . Fico sonhando em ter um dia o robô que varre a casa sozinho. Meu sonho de consumo doméstico.

Ainda deitada decido escrever aquilo que me ocorre neste exato momento . E cá estou , digitando alguns parágrafos sobre este complexo sentimento de culpa e inutilidade que nos toma quando estamos sem fazer nada. Talvez se eu não tivesse coisas para fazer este sentimento de culpa seria quase que inexistente, mas ao mesmo tempo não ter nada para fazer é de uma inutilidade que causa incômodo.

Por quê será que não nos permitimos fazer o "nada" com a mesma dignidade de fazer "tudo"?

Em meio a tal dilema existencial , me levanto e começo a fazer "tudo" .


domingo, 6 de maio de 2018

Psicopáta , político ou Don Quijote?

           


Na falta do que fazer neste longo periodo de clausura do Golden Week japonês, que para mim foram de longos dez dias. Decidi assistir videos sobre a situação politica brasileira. Naveguei por vários videos e sites de notícias. Até fui parar em um video português onde um comentarista pintava o perfil do nosso ex-Presidente e candidato a mártir Lulalá. Ouvi atentamente ao parecer  do português que era um historiador político ou coisa do gênero. Queria saber qual era a imagem que ele , sendo português , e de certa forma neutro, tinha do nosso candidato à martir e preso político.

Para a minha surpresa a imagem que o português tinha era a mesma que eu concluí assistindo a vários videos dos ultimos pronunciamentos do nosso ex-Presidente.

Preso político não é, porque a questão da Lava-jato tratava de corrupção. Mártir também não é , apesar dele se comparar algumas vezes a Jesus Cristo. Político ele é , não por formação , mas por tudo o que ele vivenciou em sua carreira. E vamos concordar que ele é muito ardiloso e inteligente.

Quanto a inteligência do nosso ex-presidente Lulalá, para mim , beira a psicopatia. Psicopátas são inteligentes por natureza e são muito determinados. Nem a morte de sua esposa em meio a tantas conturbações o tirou de seu objetivo. Seria normal e aceitável que ele estivesse muito mais fragilizado, mas em momento algum ele quis transparecer fraqueza.

Aos poucos fui desenhando o perfil do ex-Presidente , juntando as peças de sua trajetória de vida desde o tempo do Sindicato dos Metalúrgicos. Ele era ótimo como sindicalista, sem dúvida alguma, e talvez se ele não tivesse ouvido o seu ego poderia entrar para os  livros de história como o mais atuante e revolucionário lider sindicalista e parar por aí.

Vencido por seu ego , Lula queria mais. Queria ser o presidente da República. E conseguiu. . Entrava para os livros de historia como o primeiro Presidente que saiu da classe operária sem  formaçào universitária  para presidir a Presidencia da República. Que feito fantástico!

O Brasil parecia crescer em seu governo. Só parecia . Trocava-se seis por meia dúzia. Muitas linhas de crédito abertas para movimentar a economia  brasileira. Todo mundo tinha crédito , até quem nem pedia, em um esforço de fazer a economia girar e criar novos postos de trabalho. A impressão que tinhamos ( chegando de fora) , era de um crescimento ficticio ou de pouca duração.

Os escândalos também foram uma marca em sua trajetória. O mensalão em seu governo e a lava-jato em seguida, que culminaram em sua prisão. Mesmo metido em tantos escândalos ele não se deu por vencido e desta vez quis travar batalha com os moinhos de vento , juntamente com seus fieis escudeiros . Vestia-se novamente de mártir , uma mistura de Che Guevara , Jesus Cristo e Don Quijote para vencer os moinhos de ventos.

Qual será o seu próximo personagem no  pós prisão? Martin  Luther King?


quinta-feira, 3 de maio de 2018

Operação lava jato



Vivendo distante do Brasil há mais de 10 anos não dá para entender de forma clara os últimos acontecimentos na política e na economia do Brasil. De forma geral subentende-se que o país está passando por um momento histörico de crise política e economica derivados de corrupções e descrédito da população.

Pude compreender um pouco a grandiosidade do atual momento polîtico brasileiro ao assistir a delação premiada de Palocci ( ex- Ministro da Fazenda do Governo Lula) . Em seu depoimento Palocci admitiu ter duas contas no exterior , uma na Suiça e outra em Mônaco com um valor total de 20 milhões de euros que ele se dispos a repatriar.

Se Antonio Palocci que é apenas um dos condenados da Operação Lava- Jato e recebeu durante o seu mandato como Ministro da Fazenda este montante proveniente de proprinas , quanto será o total de propina recebido por todos os envolvidos? Com certeza seria no minimo um montante suficiente para aplicar em infra-estrutura no país.

A palavra propina significa suborno . Ato que se refere a pagar ou receber uma "gorjeta" ilicitamente. E como um país do tamanho do Brasil poderia progredir com governantes que possuem a mentalidade da "gorjeta" na administração pública?

O ex-presidente Lula , apesar de ser denominado por muitos como o "chefe" da corrupção, no meu entender foi o que recebeu menos , apesar de milhões serem desviados para o fortalecimento do seu partido e favorecimento ao enriquecimento de seus filhos. Na minha humilde opinião , Lula se aproveitou de seu cargo para obter favores políticos e materiais , mas ao mesmo tempo foi engolido
por seu próprio esquema, ou melhor dizer, comparsas. Toda esta corrupção em seu governo com certeza teve inicio na compra de votos para fortalecer o seu partido, com o tempo esta artimanha tornou-se ponto chave para o seu governo e a disseminação da corrupção em algo "normal" .

Segundo Antonio Palocci , chegou um momento em que ele recebia "propinas" sem nem interferir em nenhum processo. Era normal receber ofertas de proprinas. Os interessados já sabiam que o ponto para se iniciar uma conversação era o pagamento de propinas ao governo Lula.

Quanto a Petrobrás que valia no inicio do governo Lula cerca de 15 bilhões  pulou para 300 bilhões , que foram também absorvidos pela corrupção e pela má administração de um governo de fachada de sua sucessora Dilma Roussef.

Resumindo, o foco de nossos governantes era o benificio próprio. Lula com seus ideais socialistas de fortalecimento de seu poder através de seu partido politico e ego inflado por ser o unico presidente da história sem formação universitária, e seus comparsas que enriqueceram com operações ilícitas tinham apenas o foco dos conxavos em benefício próprio. E o país , como nação, onde fica nesta histöria?

É preciso mudar a mentalidade do brasileiro de votar sem consciência. É preciso parar de adorar  heróis que no imaginário das pessoas salvariam a nação. É preciso parar de se vitimar e culpar o governo por todas as mazelas do  país e se conscientizar da importância do seu próprio voto. Quem votou no Tiririca não tem o direito de reclamar por ele não ter feito absolutamente nada . O seu projeto era voltado a educação de crianças do circo. Quantos cidadãos são provenientes do circo para que ele tenha recebido tantos votos?

Sempre digo e reafirmo que a base de uma nação está no seu senso de civismo, e isto se aprende nas escolas. Por pior que sejam as estruturas fisicas dos estabelecimentos de ensino a qualidade do ensino
público é fundamental para o Brasil do amanhã.

E quem é que está interessado em investir milhões na qualidade do ensino público e no civismo de toda uma nação quando existem outras prioridades e interesses políticos?

Em meio a esta realidade , o unico sentimento que tenho não é de desesperança , apesar de crer que não estarei viva para presenciar uma real mudança na mentalidade brasileira,. Aquilo que me toma hoje é uma profunda tristeza ao constatar que é preciso mais que um herói para salvar a nação. É preciso mudanças na mentalidade e na conduta de cada cidadão brasileiro. E isto, leva muito, muito tempo.






quarta-feira, 2 de maio de 2018

Pela janela

          
                                                            A visão do silêncio 

Foram dois dias de chuva seguidos que nem vi passar. Abro a janela do meu quarto e observo as poças d'agua , o estacionamento sempre vazio e aquele silêncio de sempre. Os japoneses são bem silenciosos. Me fazem lembrar de quando estive na Suiça , em plena praça , sentada em um café. Haviam muitas pessoas, famílias com crianças pequenas , mas o silêncio dominava aquela praça. Será que nós brasileiros é que somos barulhentos ?

Meu apartamento é uma kitnet como a tantos aqui no Japão que são próprios para solteiros que viajam a trabalho. As paredes são de papel , um material compressado e normalmente se escuta absolutamente tudo . Em pleno feriadão, as pessoas de folga e não se escuta nada. Esses japas são meio ninjas !

Me acostumei com este silêncio , mas devo confessar que às vezes sinto um certo receio de sair do apartamento justamente por causa do silêncio excessivo.

Costumo deixar a tv ou o ipad ligados , ouvindo alguma musica ou assistindo a algum programa aleatório só para não ter que ouvir o silêncio. É incrivel como o silêncio faz despertar os nossos demônios mais ocultos. Está aí a razão pela qual as pessoas fogem tanto dele .

Eu estou literalmente aprendendo a lidar com os meus demônios internos e o silêncio. Ao contrário dos japoneses que tanto temem os demônios externos , assombrações e outras crendices,

Será que para eles ( os meus vizinhos) , conviver com este silêncio tem o mesmo simbolismo ?

Seria muito dificil imaginar uma cena como esta no Brasil. Feriado prolongado , o prédio lotado de gente solitária e um silêncio insurdecedor. Até o meu vizinho do apartamento de cima que costuma ser barulhento ao caminhar está bem silencioso.

O silêncio é terapeutico em muitos momentos , mas este excesso me incomoda um pouco. Nestas horas eu assumo a minha porção brasileira e começo a ouvir "A paradinha" da Anitta . Não deixa de ser terapeutico também.

Quantas vezes , ainda vivendo em São Paulo , eu não fechei a janela para não ouvir o barulho que vinha de fora. Hoje fecho a minha janela para não ter que ouvir o silêncio que vem  de fora.

Bora, ouvir " A Paradinha!!