domingo, 16 de setembro de 2018

Preguiça

          
                                      Eh mesmo? Olha a minha cara de preocupada. 

Ultimamente ando com preguiça de gente. Aliás, já faz um tempo que estou com preguiça de ouvir os mesmos assuntos, ver as mesmas caras , e principalmente preguiça de gente chata.

O meu conceito de gente chata é de pessoas que não mudam o modo de pensar . Sabe as Gabrielas da vida? " Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim, Gabrielaaaaaaaa!

Como boa Capricorniana que sou , mudar a mentalidade é um trabalho árduo que requer dedicação, disciplina e uma pitada de inteligência. Não é nada facil mudar a nossa forma de pensar e agir no mundo , mas aos poucos a gente aprende a ser menos inflexível e cabeça dura. Só o fato de refletir sobre o assunto já é um grande passo .

Sinto falta de gente que me desafie a repensar os meus valores , de gente que me questione, me estimule a ser alguém melhor, de gente que seja um modelo a seguir.

Hoje falei com a minha maē pelo Skype pela primeira vez desde que estive em São Paulo , há um ano e meio atrás. Fiquei feliz de reve-la por webcam e notar que ela está muito bem , apesar de suas queixas com dores no corpo. Além de suas queixas dolorosas , ela ainda mantem o hábito de se queixar de pessoas. Parece que falta assunto se ela não se queixar de alguém. E a Igreja ? Vai todo domingo na igreja pra se queixar também ?

Triste admitir , mas a minha maē me cansa. Será que nem uma vez se quer na vida ela deixará de se queixar das mesmas coisas e das mesmas pessoas? Graças. Deus não sou mais o foco principal de suas queixas.

Seria o céu para mim se um dia a minha maē me desse um conselho sábio de maē . Bastaria uma unica vez , uma palavra de incentivo e sabedoria. Só que não! É a típica situação: expectativa x realidade. Meio frustrante . Me dá preguiça porque sei que nem  mil chamadas de Skype , nem mil viagens de retorno mudarão a realidade de sempre.

Atualmente o meu melhor conselheiro tem sido a astrologia  e os videos do Luz da Serra , que fala sobre espiritualidade e por todo o processo que estou passando. Infelizmente é praticamente impossível falar sobre estes assuntos com pessoas do meu meio . Não que elas não precisem se espiritualizar. Precisam e muito, mas ainda não me sinto à vontade para tocar no assunto com pessoas tão cruas. Quem sabe um dia eu me sinta capaz e preparada para plantar uma sementinha  sem querer impôr nada a ninguém.



Namastê!

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Planejando viagem solo




Quando eu decido que quero viajar eu simplesmente vou. Se eu fosse tão focada assim em outras áreas da minha vida eu com certeza estaria rica. Tem uns meses que estou com muita vontade de viajar , sair um pouco da rotina diária aqui do Japão , e me permitir uns dias de férias. Desta vez quero turistar mesmo. Para tal , já venho economizando há meses. Deixei de sair, deixei de gastar com roupas , e estou controlando meu orçamento mensal na ponta do lápis, para no futuro não passar por situações de aperto, do tipo, adoecer, perder o emprego e ficar parada.

Passando a fase da economia orçamental , agora estou na fase da programação da viagem. Pesquisas de hoteis , vôos e periodos mais favoráveis . Segundo o meu mapa astral o melhor periodo seria novembro. Desde agora , final de agosto estou pesquisando cidades na Tailândia e resorts à beira mar que proporcionem um pouco de comodidade e preços acessíveis.

Meu interesse nesta viagem nem é cultural, desta vez quero apenas relaxar perto do mar e aproveitar das mil e uma opções de massagens que este país oferece. Literalmente serão férias para repouso.

Mas , ir a um país estrangeiro sem falar a lingua local e ainda só arranhar no inglês seria viável? Aí vem aquela dúvida e aquele medinho de se arriscar sozinho. Eu poderia contratar uma agencia com pacotes fechados, seria uma opção mais segura , mas não vejo graça em viajar com guia e também quero estar livre para fazer a minha própria programação. Então, o jeito seria ir com uma amiga. O problema de programar uma viagem com uma pessoa a mais é que nem sempre a pessoa pode viajar no mesmo periodo, ou nem tem dinheiro para tal. Todo mundo quer viajar , mas quase todas as minhas amigas não se programam , ou não economizam para este fim, algumas vivem endividadas com o mal uso de seus cartoes de crédito.

A um certo ponto fiquei um pouco desanimada por não ter uma companhia para viajar de férias e quase pensei em desistir. Mas, o que me impede de viajar sozinha e curtir a aventura de mais uma vez me virar sozinha em viagens internacionais?  Absolutamente nada!

O verdadeiro prazer de uma viagem, seja ela a trabalho, cultural ou apenas para tomar alguns dias de fērias é o de desafiar nossos limites e sair da zona de conforto. Meu inglês é péssimo , mas é justamente nestes momentos em que se torna necessário se virar nos trinta que descobrimos o quanto somos capazes . Minha estadia de um dia na Turquia é um exemplo . Me virei no hotel e ainda consegui contratar um tour pelo estreito de Bosphoro ( não se se escreve assim) . Claro que tiveram uns perrengues e horas andando perdida no aeroporto por não saber onde ir , mas no final deu tudo certo.

Locais onde se concentram muitos turistas são bem estruturados para receber a demanda de gente que  está alí pela primeira vez. Então, vamos lá! Sem medo de ser feliz. Pelo menos por uma semana.

Namastê!

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Serenidade


                                            Meu mantra preferido  : Sarasvati - cantor: Bittu Mallick


Que a paz e a serenidade me acompanhem !


Hoje acordei ouvindo mantras . Sabe aqueles 10 ou 15 minutos que rolamos na cama de um lado ao outro até finalmente levantar e começar o dia? Pois è! Despertar ouvindo mantras é como flutuar em uma nuvem branca de paz e serenidade.

Aos poucos estou cultivando a serenidade em mim , e a yoga e os mantras hindus tem me ajudado muito a me conectar com este estado de espirito . São minutos de total conexão com uma outra dimensão que nem sempre está ao alcance de todos. É preciso estar em silêncio e totalmente desligado do mundo ao nosso redor. Nada melhor do que a hora que despertamos pela manhã!

Acostumar-se com o silêncio . Está aí algo que está sendo dificil administrar, mas aos poucos o silêncio já não me incomoda tanto quanto antes. Aliás, está se tornando algo necessário para que eu possa me re-energizar e me limpar de toda a carga negativa que vem de fora, e dentro também. Minha mente está mais livre  daquele excesso de pensamentos desordenados. A ansiedade também está em níveis bem baixos , o que é muito favorável para se ter uma vida mais tranquila e equilibrada, sem grandes altos e baixos emocionais.

Confesso que seria muito dificil atingir este patamar de tranquilidade e serenidade se eu não estivesse  sozinha , comigo mesma. Hoje compreendo que o destino havia preparado  este caminho para mim , para que eu pudesse encontrar e me conectar com a paz e a serenidade que estavam escondidas dentro de mim.

Agora, só falta um banho bem relaxante e partir para mais um dia de trabalho.

Namastê!

domingo, 12 de agosto de 2018

Visualisar e realizar




Se a visualização de imagens e a mentalização nos ajudam a materializar aquilo que desejamos , eu não sei. Só sei que a idéia fixa ( pelo menos para mim) tem sempre alguma manifestação concreta na minha vida. Em algumas  ocasiões as minhas idéias fixas rolam naturalmente, em outras , custam a se manifestar.

Meu interesse e curiosidade por culturas diversas é algo que trago dentro de mim desde a adolescência. Nem sempre temos tempo ou condições financeiras para estar realizando sonhos que na realidade não trazem benefícios materiais. Como por exemplo, viajar apenas por viajar.

As minhas viagens ( sou Capricorniana) sempre tiveram algum intuito, seja para interesses pessoais ou culturais. Desta vez quero apenas turistar em praias paradisíacas com o unico intuito de descansar o corpo , contemplar a beleza da natureza e me dar o direito de desfrutar o resultado  do meu esforço e do meu trabalho. Afinal, ninguém paga as minhas contas.
Programando as férias!
Estou em dúvida entre as Malvinas e a Tailândia , mas como boa Capricorniana , vou acabar optando pelo mais econômico. 


domingo, 5 de agosto de 2018

Seguindo as estrelas

            


A astrologia sempre foi um tema que me interessava muito, desde a minha adolescência tinha o hábito de ler horóscopos de revistas e jornais. Aos poucos fui descobrindo que aquelas previsões genéricas não tinham um significado concreto para a minha vida . Nada mudava. À partir do momento em que  descobri e desvendei o meu próprio mapa natal pude compreender o que estava verdadeiramente reservado para mim. Não era uma vida de luxo e riquezas , nem tão pouco de um destino de sorte e facilidades. Era apenas o mapa de uma pessoa comum , com direito a todos os altos e baixos da vida.

De certa forma foi uma decepção , descobrir que a minha vida não tinha lá o mesmo destino de uma Gisele Bundchen da vida ou a sorte grande de um jogador de futebol como o destino de Neymar, que aliás, nasceu na mesma cidade que eu nasci. Nem todos nascem para brilhar , e até mesmos as estrelas que brilham tem lá seus grandes desafios. Portanto, cada um que se contente com o seu próprio  destino e desenhe as paginas de sua vida da melhor forma possível , sem invejar o jardim do vizinho que sempre parecerá mais verde.

A astrologia nos ajuda a saber quem somos verdadeiramente e a aceitar nossos limites pessoais. Também nos ajuda a potencializar momentos favoráveis e a amenizar momentos nem tão favoráveis. Compreensão esta , que  nos ajuda a equilibrar as nossas ânsias de querer mudar o mundo ao nosso redor. Nem tudo na vida é ou será como imaginamos , e aceitar que a vida flui a nossa revelia nos faz mais serenos. Por favor, não confundam serenidade com conformismo! Há que correr riscos na vida e aceitar as suas consequências se quisermos mudanças.

Ultimamente tenho sentido uma necessidade muito grande de estar perto da natureza, de poder vislumbrar o horizonte sem casas nem prédios que obstruam a visão. Vontade de viajar para destinos desconhecidos .

Durante o final de Outubro até o final de Novembro estarei com ótimos aspectos que favorecem as viagens ( Jupiter sextil a Jupiter e Vênus em Sextil com Jupiter na casa 5) , será um curto periodo de "sorte" em tudo aquilo que eu fizer. Poderia passar este periodo sem fazer absolutamente nada , mas seria disperdicio demais ignorar  este momento sem potencializa-lo ao máximo. Vou viajar!

Se as estrelas me dizem que eu posso, eu vou!

Mas, como tudo na vida tem o seu lado bom e ruim. Assim  como uma moeda que possui dois lados. Viajar  é fantástico, mas não é barato. É um momento imperdível para viajar e desfrutar a vida , mas passado este "momento" , eis que vem as consequências. Gastos excessivos que podem desequilibrar o orçamento e outras consequências. Aqui, a escolha é totalmente nossa, não são as estrelas que decidirão o que é melhor . Eis, que entra em ação o nosso limitado , porém absoluto , livre- arbítrio.


Namastê!


sábado, 4 de agosto de 2018

Mulher invisivel

                               
                                     Constanza Pascolato. Que mulher elegante! 

Ao atingirmos uma certa idade, a temida meia idade , o melhor termômetro para sabermos se ainda somos desejáveis aos olhos masculinos é dar uma desfilada perto de alguma obra. É tiro e queda.

Não sei dizer se é a forma fisica ou a face de mulher madura , mas que os peões de obra te olham de soslaio e depois simplesmente desviam o olhar , isto é fato.

Todas as vezes que fui ao Brasil era sempre um teste para a minha autoestima. A cada retorno percebia reações diferentes. Desta última vez  há um ano atrás era um tal de "senhora " pra cá, "senhora" pra lá, que me impressionou de certa forma.  Fisicamente não mudei tanto, apesar de perceber em mim aquelas gordurinhas nos braços  e uma barriguinha mais saliente. A diferença está mesmo é no rosto. A expressão de rosto cansado e sisudo é uma marca nesta fase da vida.

Apesar de me sentir invisivel , percebo aos poucos aquilo que eu sempre desejei das pessoas, ou melhor dizer , dos homens em geral. Um certo tratamento de respeito por uma mulher que já viveu muita coisa na vida e ainda está superando os próprios desafios sem pedir ajuda a ninguém.

Finalmente creio estar na fase das verdades ocultas, tornando-me invisivel fisicamente para ser notada pelas pessoas por aquilo que eu sou verdadeiramente em minha essência. Isto de forma alguma é algo negativo.

A cada ruguinha, a cada fio de cabelo branco . Gradativamente percebo o respeito das pessoas em geral , até mesmo no meu trabalho aqui em terras nipônicas. Parece que me tornei alguém mais confiável para os meus chefes e alguém a quem se deve respeitar pelos novatos.

Apesar de estar aceitando e curtindo esta nova fase , ainda continuo muito vaidosa e não deixo de cuidar da minha nova aparência de "senhora" respeitável. Unhas bem feitas, maquiagem corretiva e roupas discretas com um toque de jovialidade. O que importa nesta fase da vida é jamais perder a elegância, e isto, vale muito mais que um rostinho jovem e um corpinho sarado.

Muito mais do que aceitação,  a cada nova fase da vida , aprendi que a adequação é o segredo para se viver melhor. Viver adequadamente a cada nova fase, a cada novo ciclo , sem violentar-se no intuito de " querer" retornar à aquilo que fomos para sermos apenas aquilo que somos .


Namantê!



domingo, 22 de julho de 2018

Amizades no país do Sol nascente



Em questão de amizades não costumo diferenciar minhas preferências, basta que seja um encontro de almas para que a relação evolua. A boa comunicação verbal é sem dúvida um fator importantissimo para aprofundar-se e interagir com outras culturas, mas aquilo que irá impulsionar a relação para um crescimento mutuo ainda é a comunicação não verbal que se expressa com os sentimentos.

A cultura japonesa , como todos já sabem, é cheia de convenções. Ao conhecer alguém novo existe uma forma convencional ou formal de se apresentar. As relações no ambiente de trabalho geralmente não passarão de coleguismo. Podemos trabalhar durante anos ao lado de algum japonês e ele nunca te perguntar se você tem filhos, ou qual a sua lingua madre. Talvez para não serem invasivos ou por puro receio de não saber lidar com um estrangeiro e seus costumes.

Fiz algumas pocas boas amizades com japonesas aqui na cidade onde vivo. Algumas me ajudaram muito em certas ocasiões e sou muito grata a elas. O unico problema delas é que não se expressam de maneira natural , existe sempre uma barreira emocional . Ou seja, a maneira como os japoneses administram as suas emoções  dentro dos relacionamentos. Para ser mais clara, lhes falta expressividade fisica e também a verbal para expressar sentimentos. Desta forma as relações não evoluem como o esperadado.

Com o tempo compreendi que os meus genes "samurais" tem também um certo peso em meus relacionamentos. Fui criada em um ambiente familiar onde não existiam abraços , nem tam pouco o costume de dar beijinhos no rosto. O contato fisico era excasso. Ao comparar minha relação familiar com a de meus amigos que foram criados em um ambiente mais caloroso de certa forma eu os invejava.

Curiosamente o destino me trouxe para a terra dos samurais onde expressar os próprios sentimentos não é muito bem visto. Demorei anos para aprender a lidar com esta cultura e me comportar como manda a cartilha dos samurais. Parei de chocar-me com a postura cultural dos japoneses de não expressarem verdadeiramente o que sentem. Isto não quer dizer que eu tenha aderido à cultura , simplesmente procuro conviver bem com eles e não espero que compreendam a minha necessidade de mais expressividade e espontaneidade .

Enfim, aquilo que importa é respeitar as diferenças e não criar expectativas irreais quando nos inserimos em uma cultura totalmente diversa . Independente de como fomos criados ou de nossas origens , aquilo que nunca devemos ignorar é a nossa verdadeira essência.





sexta-feira, 13 de julho de 2018

O verão japonês

         


O verão japonês chegou com tudo este ano, apesar da epoca de chuvas que devastou Hiroshima. Aliás, ôh lugarzinho pra ser devastado, ne!

Na quinta- feira passada foi anunciado na fabrica que quem quisesse folgar na segunda-feira poderia usar yukiu ( folga remunerada) , e como a produção anda baixissima e eu estou ainda aprendendo a medir os vidros e salvar no Excel ( Excel e Windows em japonês) , decidi na ultima hora em folgar na sexta-feira e emendar até segunda.

Quatro dias de folga em pleno verão em uma cidade onde não existe nem estação de trem. O que fazer ? Busquei reservas em hoteis para aproveitar a comodidade de estar hospedada em um hotel perto da praia. E quem disse que encontrei vaga? Tudo lotado durante todo o verão.

Eu não possuo carro aqui por acreditar que carro é um mal necessário que dá muita despesa, mas sem um meio de locomoção a vida fica muito dificil aqui no interior. Imaginem pedalar mais de 40 minutos debaixo de um sol de mais de 33 graus ? Foi o que eu fiz. Era o que tinha e não me arrependo.

Peguei a minha bike , me armei de coragem, gelo  ( comprado no seven eleven) , um shorts , uma camiseta , óculos de sol e chapéu. Na ida até que foi tranquilo, mas na volta eu estava toda pegajosa e muito cansada. Apesar da dificuldade valeu muito a pena aproveitar a minha folga de sexta-feira para ir a praia.

O tempo estava perfeito, quente , mas nem tanto. A brisa do mar ainda estava fresca . Decidi dar uma parada naquelas construções de verão que ficam na beira da praia para comer alguma coisa. Que idéia fantàstica! Comer camarão frito na praia, sentindo a brisa do mar e ouvindo apenas o som das ondas do mar é simplesmente fantástico. Acho que suspirei de satisfação umas três vezes enquanto saboreava os camarões fritos. Uma delícia.

No caminho de volta passei por uma loja de departamentos para comprar um bikini , mas os bikinis japoneses mais se parecem com roupas de ginástica, outros com muita renda e flu flus que eu particularmente odeio. Sem falar no preço absurdo. Saí da loja e voltei uma quadra para me refrescar com algo gelado em um café que costuma tocar bossa-nova como musica ambiente. Neste café servem todos os tipos de café que se possa imaginar, desde o tradicional até os mais elaborados para o verão. Super refrescante!

Ainda tinha uns 25 minutos de bicicleta até o meu apartamento e no meio do caminho começei a sentir aquele cansaço de pedalar por tanto tempo debaixo daquele sol escaldante. Quase morri . A primeira coisa que fiz foi tomar uma ducha para tirar aquela sensação de suor pegajoso.

Hoje o sol está tão ou mais escaldante do que ontem e apesar do corpo dolorido por pedalar mais de 40 minutos no dia anterior , eu ainda estou animada a dar uma voltinha rápida na praia que fica aqui perto, cerca de 15 minutos. Não é uma praia para banho de mar , mas a visão do mar e o contato com a natureza me faz muito bem. Então, lá vamos nós outra vez.

É sempre bom estar ciente de que o calor japonês não é igual ao calor que estamos acostumados no Brasil, pelo menos na região sudeste, e preparar-se para não passar mal com o calor excessivo e a umidade excessiva do ar é algo imprescindível. Sempre sair usar chapéu e levar consigo uma garrafa pet de água congelada ou bebidas especificas para esportistas .


domingo, 8 de julho de 2018

Meu passado , meu futuro



" Quem vive de passado é museu" . Diz um dito popular. Então eu sou um museu ambulante e metamorfósico.

Não dá para vencer uma corrida se a todo instante olhamos para tràs , não é mesmo?Perde-se tempo e concentração. Ao mesmo tempo, como tudo na vida tem a sua dualidade . É preciso olhar para trás de vez em quando para não cometermos os mesmos erros do passado.

Passamos boa tarde de nossas vidas desenhando rascunhos daquilo que seria melhor para nós . Alguns rascunhos se tornam realidade, alguns meros rabiscos .

Hoje é mais um daqueles dias de mergulhos  no tempo, no tempo passado. Eles vem em sonhos,  ou ao encontrar velhos albuns de familia enquanto faxinamos a casa. Até mesmo quando reencontramos velhos amigos da adolescência em redes sociais. Nestas horas é inevitável mergulhar nas nossas lembranças. Algumas lembranças nos trazem muita alegria ao presente, assim como outras nos fazem sentir a mesma angústia de experiências passadas e mal resolvidas.

Para resolver questões de um passado que já não existe mais é preciso mergulhar profundamente em suas águas. Regogizar-se com as boas lembranças e encarar de frente todas as emoções que procuramos esquecer. Tudo que vivemos no passado faz parte integrante daquilo que somos hoje, e não há como ignora-las, passe o tempo que for. Não há como esquecer o primeiro amor, a primeira desilusão, as primeiras conquistas , nossos erros e nossos acertos. Tudo faz parte de nós.

"Furusato" , é um termo muito utilizado no Japão para descrever o nosso retorno ao nosso local de origem, a nossa casa , a nossa vila, ao nosso passado. Em um dado momento da vida , apös vivenciarmos  tudo aquilo que precisavamos vivenciar para avançar , vem  a inevitavel fase do mergulho em nosso passado. Para muitos pode significar um retrocesso , para outros , o reencontro com o nosso passado pode ser o reinício de uma nova fase .


Meras reflexões de um alguém que perdeu o seu passado para o tempo e a distância. 

Namastê!




quarta-feira, 4 de julho de 2018

Japoneses no trabalho




Em meu primeiro intervalo de 15 minutos ( a empresa dá 15 minutos de intervalo de 2 h em 2 h ) , fui ao refeitório da fabrica e tinha uma japinha sentada com os olhos colados no celular. Isto era por volta das 18:00 h . Como sempre , muito "majime" ( correta) que sou , fiz meus 15 minutos de repouso e logo voltei ao trabalho.

Retornando ao meu posto , me sento , olho para o lado e a minha colega de trabalho japa  que se senta logo ao meu lado estava dando uma bela cochilada sentada , meio que debruçada sobre o seu material de trabalho , que  consiste em pequenos vidros cortados para a confecção de lentes para cameras fotograficas. Nenhum pó ou particula microscópica podem passar pela inspeção, mas com ela  debruçada praticamente em cima dos vidros , com certeza alguns vidros deverão ser descartados.

As 20:00 h saí novamente para o meu intervalo de 60 minutos  de janta ( não remunerado) . Entrei no refeitório e lá estava a mesma japinha que estava no refeitorio às 18:00 h , desta vez literalmente roncando debruçada na mesa do refeitorio com o seu casaco cubrindo a sua cabeça.  Ela estava repousando no refeitorio desde as 18:00 h , ou seja , ela estava a tôa por 2 h no refeitorio. Logo que eu me sentei a mesa e liguei a televisão ela se levantou e saiu . Não sei para onde , talvez dar um giro do lado de fora do prédio.

Voltando do meu intervalo de 60 minutos ( normalmente faço apenas 40 minutos) , entro na seção e lá está a minha colega japa cochilando ainda , sabe-se lá desde a que horas.

As duas japas mais dormiram do que trabalharam o dia inteiro. Desse jeito fica até monótono demais ir trabalhar para dormir . Melhor ficar em casa dormindo.

Para entender a dinâmica da situação, o periodo é de baixa produtividade , portanto , muitas pessoas ficam sem ter realmente o que fazer durante quase metade da jornada de trabalho. Daí o povo faz 2 h de intervalo,  sai para fumar quinhentas mil vezes , ou ficam assistindo tv pelo celular . Fazer uma faxina no refeitorio que está com o chão encardido ninguém quer .

Vendo esta situação de ociosidade total dos meus colegas japoneses , fico aqui pensando : Onde é que foram parar os japas "majimes" ( corretos) que sempre estão no imaginário popular?

Provavelmemte limpando as arquibancadas dos estadios da Russia . Quando tem alguém vendo.



terça-feira, 3 de julho de 2018

Destino


         

Houve um tempo em que eu me perguntava  com frequência se o destino existia?. Coisas de uma adolescente rebelde e sem causa. Talvez naquele tempo eu tenha sido influenciado por aquelas fotonovelas italianas , as edições de contos românticos , e  muita sessão da tarde assistindo filmes épicos. Mas a verdade é que eu ansiava por uma vida fora do comum , de grandes feitos, grandes acontecimemtos , muita aventura e romance. Como nos filmes românticos da sessão da tarde.

A minha realidade era bem diferente da minha expectativa de ter uma vida cheia de emoções e aventuras. De casa eu ia para a  escola e da escola eu ia para casa. Às vezes eu tinha que lavar a louça do almoço , passar a enceradeira na sala e lavar o banheiro. Minha maē me dizia que menina que não gosta de lavar a privada cresce feia. Lavei muita privada até os meus 12 anos. Depois , já não me importava mais se seria bonita ou não.

Meu passatempo preferido era viver lendo contos românticos. A minha maē deveria ter me proibido de ler tanta fantasia e ler mais livros educativos . Talvez , hoje  eu tivesse  uma mente mais lógica e não me questionasse tanto sobre o destino.

Destino ou livre-arbítrio. O que dá no mesmo. Parte de nosso destino já está traçado até mesmo antes de nacermos. Ninguém tem o livre- arbítrio de escolher onde , como e quando nascer. O nosso papel dentro do nosso destino é simplesmente de como  iremos    vivencia-lo.

Saturno é o meu regente , e como tudo , onde tem a mãozinha rígida de Saturno as coisas não acontecem por si só. Onde não houver disciplina não haverá ordem , e onde não há ordem não haverá progresso ou prosperidade. Isto é de fato algo que percebo nitidamente no curso da minha vida. Quando solto as rédeas de Saturno para respirar um pouco, me divertir e desfrutar da vida relaxadamente , a conta vem. É como estar remando contra a maré e soltar os remos. A canôa fica  a deriva e sabe- se lá onde ela vai atracar. Num paraiso de frutas tropicais e praias paradisiacas? Com a regência de Saturno duvido muito que algo assim tão desfrutável ocorra.

Após a minha descoberta de que o destino existe, fui perdendo aos poucos aquela ilusão de querer viver o que não estava reservado para mim. É tipo , querer ter nascido rica , se nasci pobre. Querer ter  olhos azuis se nasci com os olhos castanhos. Querer ter ganhado na loteria , se nunca apostei. O nosso querer também tem limites.

Dá para ficar rico mesmo sendo pobre? Dá. Depende do nosso esforço e da nossa sorte . Dá pra ter olhos azuis? Dá. Basta comprar lentes de contato coloridas. Dá para ganhar na loteria? Dá . Se apostarmos com frequência as nossas chances aumentam . As nossas chances de mudar o nosso destino está condicionada a lei de causa e efeito, ao mesmo tempo ela està atrelada ao nosso karma de vidas passadas. Não bastaria o meu livre-arbítrio para mudar aquilo que estava escrito.

Parece meio fatalista, mas esta é a realidade sem romantismo do que é o destino. Dá para dar uma melhoradinha aqui, acolá . Mas se o seu karma imutável é viver uma vida simples , comum, rotineira e cheia de percalços , nem ganhar na loteria te livrará do seu destino.

Aceita que dói menos!




Amizades japonesas


Há mais de 10 anos vivendo em terras nipônicas já era tempo de ter boas e profundas amizades com os japoneses. Só que não!

Sempre procurei fazer amizades com pessoas de todas as raças desde que decidi ficar por muito tempo em terras nipônicas. Foram filipinos, peruanos, argentinos, bolivianos , italianos , brasileiros e japoneses que conheci ao longo deste periodo todo. Sempre os tratei como iguais , apesar das diferenças culturais, mas devo confessar que aprofundar uma verdadeira amizade com os japoneses é uma missão quase que impossível. Não existe o principal para aprofundar amizades : a profundidade.

Tive ao longo dos anos algumas amigas japonesas que me ajudaram muito e sempre foram muito prestativas . No fundo sei que elas possuem alguma consideração por mim, mas falta a cumplicidade , falta falar sobre os nossos problemas, falta compartilhar as nossas alegrias, falta intimidade, falta um abraço amigo. Sinto falta de amizades mais construtivas e afetuosas.

Não vejo os japoneses como uma raça fria e sem sentimentos, eles simplesmente são contidos demais. Alguns por pura timidez, outros por questões meramente culturais de um país onde as pessoas não se tocam muito. A coisa mais rara é cumprimentar alguèm com um aperto de mão, quem dirá um abraço ou beijo no rosto. Eu mesma tomo o cuidado de não tocar os japoneses enquanto eu falo . Eles podem não gostar , achar muito invasivo ou simplesmente estranharem o ato .

Uma vez toquei o rosto de um colega japa de serviço para mostrar a ele o quanto a minha mão estava gelada. O japa teve uma reação tão estranha que até hoje não consegui identificar qual foi a reação dele ao ser tocado pela minha mão gelada. Seria de frio, seria de extase, seria de desconforto? Sei lá!

Nem todos os japas e as japas são assim , mas a grande maioria é muito cheia de convenções e isto dificulta uma intimidade e naturalidade maior nos relacionamentos. Talvez até entre eles mesmos seja assim.

Desisti de querer aprofundar amizades com japoneses. A melhor forma de fazer boas amizades com japoneses nativos é ser como eles gostariam que você fosse, ou que você se adapte a forma cheia de convenções a que eles estão acostumados.

Em parte, percebo que eles gostam oumse divertem com o meu jeito diferente de ser , mas ao mesmo tempo se sentem incomodados ou intimidados quando sou expressiva demais.

Aquilo que me conforta é saber que isto não ocorre só comigo. Meu amigo italiano também se sente totalmente bloqueado quando o assunto é cultivar amizades com os japoneses.

Vivendo e aprendendo. Nunca pensei que os japoneses fossem tão fechados antes de conviver com japoneses nativos . E olha que o meu pai era japonês legítimo.

Cheguei a conclusão de que o japonês é muito mais japonês quando vive em sua terra natal , e a coletividade tipica da raça asiática os impede de serem mais livres. Em contra-partida, quando eles se aventuram a viver  em terras estrangeiras são mais adaptáveis as diferenças e mais originais.

O mesmo japonês que viveu anos na europa não é mais o mesmo que voltou a viver em sua terra natal e vice-versa. Talvez isto tenha ocorrido comigo também, mas se tem uma coisa que eu não dispenso em uma boa e verdadeira amizade são os abraços e a cumplicidade. Nestes dois quesitos a japonesada deixa muito a desejar...



sexta-feira, 22 de junho de 2018

O pragmatismo Capricorniano

                            
                        Será que a cabrinha vai cair? Não, ela  vai escalar mais um degrau.

                       
Capricórnio é aquela cabrinha que escala montanhas , e de lá do topo , fica observando o vale sozinho .  Estaria o Capricorniano estudando o terreno e criando estratégias para escalar outras montanhas? Ou estaria apenas contemplando a beleza da natureza em um de  seus momemtos reflexivos  e solitários?

Frio , anti-social e materialista. Estes são os três adjetivos , ou rótulos que costumam utilizar para descrever a personalidade Capricorniana. Eu, como uma legítima Capricorniana devo discordar.

A frieza Capricorniana nada mais é do que o excesso de praticidade dos Capricornianos em resolver questões que envolvam sentimentos . Isto não quer dizer que o Capricorniano não tenha sentimentos, mas a praticidade em questões que envolvam sentimentos é frequentememte vista como frieza.

O amor não acabou , mas a relação se tornou insustentável?
Solução Capricorniana : separa.

O filho cresceu e ainda não tomou juizo e nem rumo na vida?
Solução Capricorniana : se vira.

Trabalhou a vida inteira e ainda não ficou rico?
Solução Capricorniana: continue trabalhando ...e muito.

Está querendo realizar aquela viagem dos seus sonhos e não sabe como?
Solução Capricorniana: economize, programe-se. Nem que seja por anos.

Está apaixonado (a) por aquele Capricorniano (a) que nem te dá bola?
Solução Capricorniana: deixa de ser chato e tenha amor próprio.

Se envolveu apaixonadamente por alguém que te tira os pés do chão e bagunça a sua vida?
Solução Capricorniana: envolva-se até o ultimo fio de cabelo, mas não se case com ela (e).

Pragmatismo é a palavra certa para descrever as atitudes e a mentalidade Capricorniana. Nada tem a ver com frieza de sentimentos. O Capricorniano é daqueles que sofre calado, mas como possui a habilidade de separar o joio do trigo, sofre com menos intensidade. O que é um ponto à favor na vida prática.


Se pudéssemos...



Se pudéssemos viver a vida todinha da forma que haviamos imaginado poderiamos evitar muitas decepções e desilusões pelo caminho. Mas, a vida não é um simples "querer" . Ela nos dá, ela nos tira. Sinceramente , no alto dos meus cabelos brancos , não sei dizer se a vida me deu mais do que me tirou.
Livre arbítrio ou destino? Há ainda alguém que acredite que o livre arbítrio pode realmente mudar o nosso destino de forma considerável?

Não basta ser determinado e corajoso para viver tudo aquilo que queriamos viver. É preciso ser corajoso o suficiente para enfrentar tudo aquilo que não  queriamos.

Se pudéssemos escolher , ninguém nasceria pobre, ninguém nasceria para a vida sem uma familia, ninguém seria preto ou branco, ninguém morreria antes do tempo.

Se pudéssemos escolher , jamais envelheceríamos, jamais nos separariamos de quem amamos, jamais sofreriamos calados sem nunca dizer : eu te amo.


quarta-feira, 20 de junho de 2018

Minha vida no Japão

                    
                                                Monte Fuji san - Shizuoka-ken 

A minha vida aqui em terras nipônicas é igual a de muitos dekaseguis que vieram ao Japão há anos atrás com sonhos e projetos de voltar ao Brasil e acabaram ficando por aqui. É incrîvel como o tempo passou rápido. São mais de 15 anos que estou na ponte aérea Brasil - Japão e parece que foi ontem.

Conquistas materiais não as tive . Com o passar do tempo percebi que existiam outras prioridades na minha vida do que poupar para ter um teto próprio . Precisava viver os meus sonhos , e ter uma casa pröpria não era bem o meu maior sonho.

Após mais de 15 anos passados aqui em terras nipônicas, entre viagens , inúmeras mudanças de endereço, periodos de fartura e de dureza total. Posso afirmar que , fui muito feliz e abençoada por Deus desde os primeiros anos de Japão.

Hà quase 10 anos que trabalho na AGC japan , com alguns intervalos . Já sou considerada uma veterana por todos os japoneses , apesar de ter me afastado por várias vezes . Em uma ocasião eu simplesmente não fui mais trabalhar após o terremoto de 2011 e fugi para a Suiça uma semana após o ocorrido , sem dar muita satisfação.  Em 2012 voltei para o Japão com a maior cara deslavada e pedi para retornar ao meu antigo posto de trabalho e surpreendentemente me aceitaram de imediato. Claro que recebi um sermãozinho do contratante , mas me receberam super bem. Agora estou cumprindo mais 1 ano de AGC , desde  o meu regresso do Brasil no ano passado. Já faço parte da paisagem.

A AGC japan foi uma benção na minha vida e continua sendo. Não conheço outro lugar aqui em terras nipônicas onde se trabalha com gente educada , em um ambiente limpo , climatizado e sem chefes. Ontem mesmo me atrevi a tirar 1 hora de kiukei ( intervalo) a mais  para assistir a partida de Japão X Colombia .  Eu não conheço nenhum lugar no mundo que ofereça 15 minutos de intervalo de duas em duas horas. Fora os 60 minutos de intervalo para almoço. Aqui no Japão existe uma expressão pra toda esta regalia : amai , que significa dôce, ou indulgente.

Hoje choveu muito por aqui e eu decidi ir a pé do meu apartamento para a fábrica . Sabe o que é você sair do seu apartamento semi-mobiliado grátis ( oferecido pelo contratante) e caminhar apenas cerca de 10 minutos até o local do seu trabalho, sem pressa, nem trānsito e nem horas perdidas dentro de um busão lotado? Para mim isto é o céu! Era tudo o que eu pedi  a Deus todas as vezes que eu estava em pé por mais  de 1hora dentro de um busão lotado em plena avenida Rebouças. Definitivamente , desejo realizado.

O melhor desta comodidade toda é sem duvida o aluguel gratis por todo o periodo que eu estiver trabalhando. Ajuda muito no orçamento mensal e mesmo sem horas extras ainda dá para economizar a parte do salário que seria do aluguel.

Não sei por quanto tempo vou ficar aqui ainda, por mim ficaria por mais muitos anos , mas o amanhã nunca se sabe. Pode ser que ocorra um novo corte de pessoal , mas também pode ser que a empresa prospere e consiga aumentar a produção . Deus queira que sim. Eu amo muito este meu trabalho e o ambiente tranquilo.

Além de já fazer parte da paisagem da AGC , escrevi a minha propria historia durante todos estes anos  de vida e labuta em Shizuoka. Sem dúvida alguma é o meu segundo lar.