sábado, 31 de dezembro de 2016

O ano de Saturno

             

           Saturno é representado na mitologia grega como Cronos , o senhor do tempo. 



Um novo ciclo se inicia hoje, dia 1 de janeiro de 2017, o ciclo de Saturno o regente de Capricórnio. Para aqueles que querem saber como será a influência deste planeta em nossas vidas de um modo geral , é só observar como ele age sob os nativos de Capricórnio. 
Com certeza não será um ano para diversões , impulsividade e investimentos de risco. A marca de Saturno é impor rigor e disciplina em todas as àreas da vida, em particular no trabalho. Então, aqueles que não são muito chegados a trabalhar duro , podem esperar um ano um tanto o quanto rigoroso. 

Nada de "mimimis" porque Saturno não perde tempo com "coisinhas" , xororôs , lamentações e devaneios. 

Todas as áreas de nossas vidas estarão tendenciosamente mais sérias e às vezes até rígidas. Para os nativos de Capricórnio este ano  será a sua marca , e com certeza , todas as características mais marcantes deste signo estarão muito mais evidentes durante o ano de Saturno. Relacionamentos frívolos   serão descartados de vez,  e o nativo de Capricornio estará muito mais exigente quanto a qualidade e comprometimento nas relações em geral. Aqueles relacionamentos que não estavam funcionando muito bem poderão ter o seu final decretado neste ano. Aquilo que não funciona mais é descartado, abrindo-se um novo ciclo de buscas por relacionamentos mais empáticos, práticos e estáveis. Um antigo amor pode retornar também. 

Saímos da regência do Sol em 2016, onde o foco estava em nosso ego, no " eu sou" , para adentrar nos domínios de Saturno , o " eu posso". 

Como boa Capricorniana que sou , já estava com uma certa inclinação a enfrentar novos desafios e a provar os meus limites. Habituada a enfrentar as dificuldades que Saturno nos obriga a encarar  , ao invés de temer este novo ciclo , a minha alma se enche de coragem e obstinação. 

A vida não teria sentido se obstáculos não existissem para serem ultrapassados. A regência anual de Saturno veio para reforçar esta realidade em nós nativos de Capricórnio. O único cuidado durante este periodo é o de não endurecer tanto ao ponto de se tornar uma rocha que não ouve , não vê , não sente e não se move . 

Quanto aos outros signos do zodiaco. Talvez alguns estejam precisando de mais disciplina e pés na terra . Este periodo será ótimo para organizar  a vida .

Namastê.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

A felicidade


Dizem que a felicidade é feita de pequenos momentos. Às vezes concordo , às vezes não. 
Concordo que todas as coisas simples do nosso cotidiano também nos trazem muitas alegrias e bem estar, porém , aquela felicidade plena que consegue mudar o brilho dos nossos olhos tem mais a ver com as grandes realizações que nos proporcionem satisfação. 
Também dizem que, para sermos felizes em um relacionamento é preciso saber estar feliz mesmo que sozinho. Concordo . E aí é onde entra o papel das "pequenas coisas" que podemos fazer mesmo estando sozinhos. 

A diferença entre viver a felicidade através das pequenas coisas mesmo sozinho , e provar da felicidade estando ao lado de alguém é o "  ter com quem compartilhar". De nada valeriam as nossas alegrias e conquistas se não houver um alguém para compartilhar. Quando digo compartilhar , me refiro a uma troca , onde um dá e o outro recebe de forma empática e igualitária. Compartilhar é doar aquilo que temos para receber em troca aquilo que necessitamos. Não existe satisfação em nenhuma relação onde apenas um se doa . Nem  todo o mundo nasce com o espírito de Madre Tereza de Calcutà. Vamos ser práticos, a vida não é um belo conto de fadas. 

A felicidade , aquela plena, não tem data de validade , nem dia marcado para a vivenciarmos. Porém, na minha singela e humilde opinião , ela não  é feita de momentos fulgazes .  Ela pode estar presente em nossas vidas desde a nossa mais tenra infância , assim como pode tardar tanto ao ponto de só se fazer presente em uma fase muito tardia de nossas vidas. 

Pequenos momentos felizes , compartilhados ou não , são como pequenos regalos que nos contentam e nos alegram por momentos. A felicidade plena , ainda não provada por muitos de nós , tem uma grande relação com a nossa plenitude espiritual que pode ser alcançada através de longos anos de aprendizagem e prática espiritual. 

A sabedoria tem papel fundamental neste processo para aqueles que ainda não conseguiram provar da plenitude real de estar "em felicidade". 


" A felicidade é um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude são transformados em emoções ou sentimentos que vão desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo. A felicidade tem, ainda, o significado de bem-estar espiritual ou paz interior." Wikipédia. 



quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Direitos autorais




Com essa onda de direitos autorais, que aliás, é bem justo, eu ando tomando cuidado ao roubar imagens de outros sites . Então, eu decidi ilustrar eu mesma os meus posts sobre astrologia de agora em diante. E ai de quem roubar as imagens dos meus desenhos !

Vou começar desenhando todo o zodiaco  com a minha interpretação pessoal ,  ainda faltam 10. 

Escorpião


 

Capricórnio 




quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Ciclos Capricornianos


                         
By me


Se existe uma unica palavra para definir o nativo de Capricórnio , esta palavra seria trabalho. O nativo de Capricórnio pode ser bem sucedido na vida ( grande maioria) , como pode ainda não ser. Os Capricornianos são lentos , porém determinados. Demoram a decidir -se sobre qualquer assunto. Isto não quer dizer que sejam indecisos, apenas precavidos. Cada coisa no seu devido tempo.

Quando se encontram em dificuldades financeiras , sem trabalho, a primeira reação de um Capricorniano é procurar desesperadamente um novo trabalho. Tudo fica em segundo plano até que ele consiga uma nova colocação , e só assim poder respirar . Quando estão em boa situação financeira , se tornam obcecados por manter aquilo que conseguiram conquistar com mais trabalho. Quando vivem alguma desilusão amorosa , ou coisa do gênero , se metem de cabeça no trabalho. 

De todos os signos do zodiaco, o Capricorniano seria o marido ou a esposa ideal "do trabalho" . Tudo, absolutamente tudo na vida de um Capricorniano tem alguma relação com o trabalho. Se a esposa não trabalha, ele deve trabalhar em dobro, se a esposa trabalha , ele tem que trabalhar mais do que ela. Existe um senso de competição no Capricorniano em que ele compete com suas proprias capacidades. E quase sempre superam seus limites . 

A minha superação no momento atual, nem tem sido mental ou intelectual. A minha maior superação no momento tem sido a física . Superar meus limites fisicos para concluir mais um ciclo. Nem dores nas costas, nem calos nos pés, nem as cólicas mensais, nem as enxaquecas e nem as noites mal dormidas me impedem de chegar todos os dias as 5:00 hs da manhã  no trabalho , ou as 17:00 hs da tarde quando troco de turno. 

Este ciclo se está fechando com muitas horas de trabalho e vida praticamente vegetativa. Provei os meus limites fisicos. Para o novo ano que começa daqui a poucas semanas, o meu foco será em me manter intelectualmente ativa, fazendo aquilo que mais gosto que é aprender uma nova lingua e me poupar   fisicamente. Até isto tem um foco ligado a trabalho mais para frente. 

O combustivel do verdadeiro Capricorniano é o trabalho, sobre isto não hà o que questionar. Nas relações pessoais a coisa também não muda muito. O Capricorniano será aquele pai autoritário que quer ver seu filho com foco na vida. Um pai Capricorniano preferirá mandar seu filho para um intercambio na Australia do que desperdiçar tempo e dinheiro em diversões na Disney. A maē Capricorniana é tão autoritária  e severa quanto o pai Capricorniano, a diferença é que ela usa saias de vez em quando. Ter a sorte de ter um pai e uma Maē Capricornianos é provar  a experiência ùnica de estar em um quartel general sem nunca ter  estado. 

Parece ser chato conviver com um Capricorniano? Na verdade é muito chato sim. Eu que o diga. Mas nem tudo na vida são apenas desvantagens. O Capricorniano será sempre lembrado , com certa reserva, como aquele professor velho e chato que cobrava as lições de casa , mas será sempre lembrado. 





domingo, 4 de dezembro de 2016

Convivendo com Saturno



Como todos já sabem, Saturno é o planeta regente de Capricórnio. Saturno é representado por Cronos o deus do tempo na mitologia grega. Para os regidos por Saturno o tempo é a sua maior arma. Dotados de um espirito reto e quase rígido , é muito dificil derrubar as barreiras ( fortaleza de proteção) que separaram o mundo das pessoas regidas por este planeta.

Saturno tem espirito velho, é aquele professor chato que te disciplina e comanda com autoridade, porém ensina. É aquele general que comanda um enorme exército . É o juiz que condena. 

Na nossa cultura ocidental ( melhor dizer, brasileira) com certeza Saturno não seria o primeiro a ser lembrado para participar de uma festa comemorativa regada a muita bebida , musica e descontração, mas seria o primeiro a ser lembrado para ser "padrinho" de casamento ou batizado, dada a sua responsabilidade em assumir compromissos. 

Saturno no amor é razão, portanto, a atitude conta muito mais do que palavras . Pessoas exageradamente sonhadoras são vistas como se fossem extra-terrestres por este regente. O amor para Saturno representa segurança e lealdade acima de tudo. No sexo, é convencional. Nada de querer variar muito e cometer loucuras . A intimidade é algo que se vive entre quatro paredes. 

Dependendo de onde se encontra posicionado o planeta , a vida profissional pode ser muito rigida, cheia de compromissos, horas largas de trabalho e dedicação. Saturno é o patrão exigente, o chefe chato, o funcionário dedicado. 

Em familia, Saturno é o pai autoritário, a maē castradora , o irmão crítico , o filho mais velho , mesmo sendo o caçula. Saturno é estrutura . Uma familia desestruturada è um grande desafio para as esferas de Saturno que só compreende aquilo que é estruturável e organizável. 

Saturno nas finanças tem perfil conservador, as vezes tacanho. É aquele investidor que não se arrisca e guarda o seu tesouro debaixo de seu colchão, ou em um banco forte, tipo o Tio Patinhas. Saturno , o senhor do tempo se resguarda para o futuro. Ele teme o amanhã, e por muitas vezes nem vive o hoje por esta razão. 

Saturno é sério, um tanto enigmático, circunspecto e mal humorado. Frequentemente terá problemas nos ossos pelo seu excesso de rigidez na vida. Pode demorar a se casar e constituir familia se não se sentir preparado para tal. Compromissos são coisas muito sérias. Um sócio ou um parceiro de vida tem o mesmo valor para este regente. Papéis ( documentos) foram feitos para serem assinados e honrados. 

E ai? Gostou da minha definição de Saturno, o regente de Capricórnio? 

Vai encarar ?



sábado, 3 de dezembro de 2016

Atitude yoga



Ser yoga ou fazer yoga?

Quando eu iniciei minha pratica de yoga a minha intenção era apenas de ter mais equilibrio emocional e flexibilidade fisica. Nada mais. Intenção egoísta , ne não?

Na minha primeira aula de yoga em São Paulo no Espaço "Almazen" , já levei um susto ao descobrir que o yoga è muito mais do que ter flexibilidade fisica . O meu instrutor falava de "atitude yoga" , ou seja, viver o yoga no nosso dia à dia , e não apenas praticar assanas para o beneficio próprio. 

Ainda não pratico com muita assiduidade por falta de tempo, as minhas praticas tem se resumido em uma a duas vezes por semana nas minhas folgas. Poderia praticar mais , mas durante a semana o tempo é curto demais para poder viver o yoga como se deve , com 100% de entrega . 

Apesar de não praticar os assanas com muita frequência algumas atitudes diárias podem ser muito mais válidas do que simplesmente fazer assanas e não estar com a mente voltada para aquele momento. 

Saborear uma comida à cada garfada sem estar com a mente dispersa é também uma forma de praticar yoga. Observar as cores do seu alimento, o aroma, a textura e o sabor sem dispersar com o ambiente movimentado e barulhento de um restaurante é "yoga". 

Ontem, antes de sair com uma amiga ( japonesa) fiz alguns minutos de yoga , talvez, 20 minutos. Pode ser coincidência , ou não, mas o nosso passeio foi extremamente harmonioso. Nada me incomodava , tudo estava tranquilo e perfeito. Nem ela reclamou da vida e do marido como o faz com frequência. 

No meio do nosso passeio por um Shopping center , vi em uma loja de paēs , panettones em pedaços de uma marca Italiana ( Sanremo) . Comprei dois pedaços para poder matar a saudade de comer panettones . Eu pretendia devorar os dois pedaços , um a noite e o outro logo pela manhã. A minha amiga japonesa havia comentado comigo que ela também gostava de paēs do tipo panettone. Na hora me veio instintivamente o cuidado de esconder os panettones dela, enfiar a sacola de panettones dentro da bolsa , ou sei lá. Tudo isso para não ter que dividir com ela. 

No final da noite , após termos passado uma tranquila e equilibrada noite juntas, entre jantar , compras e conversas amenas , nos despedimos na escadaria do meu predio, afinal, ja passava da meia-noite. Agradeci como sempre , com aquela leve curvada que os japoneses fazem para agradecer a alguém . Peguei minhas sacolas de compras , mas havia uma sacola que estava me incomodando. Eram os pedaços de panettones que vim segurando no colo dentro do carro. Não me incomodavam pelo volume ou peso, o incomodo foi mais pelo meu sentimento egoísta de tentar proteger os panettones para devora-los sozinha quando a minha amiga se fosse. 

Naquele momento, a sacola com dois pedaços de panettones italianos  que pesavam menos de 200 gramas , estavam pesando 1 quilo somente com o meu egoísmo e a minha gula. Peguei a sacola e ofereci a ela um dos pedaços como sinal de agradecimento pela companhia. No começo ela recusou , com aquela cerimônia,  tipico de japoneses, mas depois aceitou e ressaltou novamente que adora paēs naquele estilo , apesar dela não entender muito bem o significado de um "panettone" para nós brasileiros. 

A sacola diminuiu de peso ,100 gramas a menos , e eu diminui 1 quilo na minha consciência egoísta repartindo com ela um pedaço de panettone. 

Parece uma atitude tão sem sentido se imaginarmos que o valor material de um simples pedaço de panettone italiano custa em media 5 dolares , não é mesmo? Pois e, mas o preço não é bem aquele que se coloca em coisas materiais e sim em atitudes. 

Eu não poderia terminar a noite com esta atitude egoista e quase mesquinha de querer devorar os panettones sozinha. Aliás, devorar um alimento nem é uma atitude yoga . Pior ainda quando se faz isso com um sentimento de egoísmo. 

Pequenas atitudes que representam muito. Isto é yoga. Vivendo e aprendendo...ainda.

Namastê! 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Em outra "vibe"



Cerca de 300 winks, 30 votos de preferidos, e vários emails. Este é o meu perfil atual no Match.com, aquele site de relacionamentos super sério onde já conheci alguns pretendentes em potencial. Mas...
Como dizem por aí: nós atraímos aquilo que vibramos, e eu no momento não estou com muita paciência para "relacionamentos" em geral. 

A minha carga horária aqui em terras nipônicas tem sido demais pra mim , e o tempo que me resta quero aproveitar pra estar comigo mesma, meditar, refletir , repousar e ordenar as idéias e planos na minha cabeça. Claro que às vezes se faz necessário estar ao menos com amigos pra não virar um hermitão . Então, não recuso convites de amigas , mas são bem poucos os momentos que estou em companhia de gente nas minhas folgas. 

Apesar da falta de tempo eu sempre estou visualizando um futuro melhor com novos relacionamentos e contatos que se fazem necessários ao longo de nossas vidas. Ter um companheiro de vida é ainda um dos meus objetivos, porisso, ainda estou inscrita no match.com. O problema é que eu não estou vibrando com aquele encantamento necessário pra atrair pessoas, muito pelo contrário, estou declaradamente vibrando na onda contrária. Ou seja, o meu grau de exigência para iniciar um relacionamento afetivo está pra lá de alto. 

Sempre digo que a situação financeira do cara é muito importante, mas não é bem materialismo ou interesse. É aquela tal segurança que nós Capricornianos buscamos sempre em nós mesmos e também nos outros. Para nós Capricornianos ( eu, em particular) viver com a conta bancária a zero é algo que nos causa um certo pânico e insegurança em geral. Parece até que o resto não funciona se a vida financeira não estiver equilibrida.

A parte da necessidade de segurança financeira , aquilo que prezo ser essencial para apostar em um relacionamento é a empatia quase que mágica desde o primeiro encontro. Sou muito intuitiva , e se uma luzinha não brilha nos olhos mutuamente , nem perco meu tempo. Será apenas mais um relacionamento com todos os seus altos e baixos. 

Tem gente que gosta de enfrentar desafios e mesmo que a relação demonstre não ser muito pratica desde o inicio, elas seguem tentando. Muita gente é feliz assim, crescendo com os desafios dos relacionamentos. Eu não. 

Desafios são ótimos para o crescimento profissional , ou qualquer outra questão, menos para relacionamentos. É muito desgastante conviver 24 horas dentro de uma relação que nos desafia o tempo todo. Os desafios dentro de uma relação tem que ser do casal e não de um para o outro. 

Tendo esta mentalidade sobre relacionamentos em geral, eu ando descartando pessoas que não possuam esta mesma necessidade empática . Tá osso? Sim! É muito mais dificil encontrar alguém que nos enxergue por dentro , do que pessoas que apenas enxergam o nosso invólucro . 

Cada pessoa possui um potencial enorme , por vezes adormecido dentro de si , que só pode despertar quando dividimos com o outro a mesma compreensão sobre as questões da vida prática e a espiritual. Derrubar as paredes que nos separam destes dois mundos e torna-las "una" dentro de uma relação é um dos fatores determinantes para despertar em mim aquele encantamento que andou se perdendo de mim. 

Ando muito exigente? Sim. Tenho percebido a incapacidade do ser humano de se expor e encantar o outro apenas por aquilo que é, sem rótulos, sem títulos , sem traumas , sem modismos e sem complexos. 

A cada dia se torna mais dificil tocar o " essencial" de cada pessoa e quando percebo um foco exagerado em questões superficiais ou centrado demais no proprio ego , a minha tendência é sempre dar um passo para trás e me manter superficial também, ou simplesmente me desinteressar. 

"O essencial é invisível aos olhos" , 



domingo, 27 de novembro de 2016

A minha TPM de todos os meses




Todos os  meses  se repetem as mesmas sensações , em geral um dia antes da chegada do "Chicão". A barriga fica inchada, como se fosse um balão e tudo , absolutamente tudo me irrita. Meu humor se altera de um dia ao outro e não tenho vontade de falar com ninguém. Se eu falar, eu brigo.

O mais curioso que tenho observado são os pensamentos extremamente negativos que vem junto com a TPM. 

Nos ultimos dia a tv e os meios de comunicação tem anunciado muito sobre o ultimo terremoto ocorrido outra vez na mesma região onde ocorreu aquele grande desastre seguido de um tsunami. Não me importo mais com os noticiários e nem me desespero com os pequenos e frequentes abalos . Já me acostumei. Mas ontem me vieram em mente pensamentos meio macabros sobre a morte. Pensei na possibilidade de morrer se houvesse um proximo terremoto , e o pior, achei uma boa idéia. 

Nestes periodos de TPM parece que tudo aquilo que realizamos na vida com grande empenho , que seja fisico, emocional ou intelectual, vem a tona. Toda aquela  força e determinação necessária para vencer desafios na vida se desmorona sobre nós como se fosse uma avalanche. 

É nestas horas que percebemos "aonde" realmente aperta o nosso calo , e mesmo assim seguimos nos superando. 

Trabalhar por 12 horas direto , em pé , e com apenas uma hora de intervalo ( não remunerado)  requer muito esforço fisico e determinação. São 12 horas  de auto-flagelo.  As pernas  doem, as costas se ressentem, os pés queimam. Todo o seu corpo pede para parar , mas  você não para. Não pode parar , por míseros 100 dolares por dia. Você tem uma meta e deve cumpri-la. 

Em dias "normais" , tamanho esforço fîsico é até suportável . Aqui entra o meu caráter explicitamente Capricorniano , a determinação . Doa a quem  doer, ou doa aonde doer. Vou até o fim. 

Apesar desta minha determinação Capricorniana que vence terremotos, tufões, solidão, dores pelo corpo e todo tipo de privações, na TPM  as condições são bem outras. Quero morrer, ou quero matar.

A irritabilidade é tanta que não consigo nem olhar para os meus colegas de trabalho e desejar um "Bom dia" , como o faço todos os dias . Quero mais é que eles se F...

A vontade é de me enfiar em algum buraco e lá ficar quieta com os meus pensamentos pra lá de negativos . Nestes periodos a minha aura deve ficar cinza, sem dúvida alguma. 

Graças a Deus, como em um passe de mágica , chegando as regras , a irritabilidade vai diminuindo e os pensamentos destrutivos também. Fica apenas o mal estar fisico que representa pouco se comparado ao mal estar psicológico. 

Ainda não se comprovou cientificamente quais as verdadeiras origens da diversidade de efeitos que causam a TPM em cada pessoa. Sabe-se que são efeitos de alterações hormonais do periodo. Talvez haja uma ligação com a capacidade que cada pessoa tem de produzir seratonina  e endorfina mesmo estando neste periodo e a sensibilidade de cada uma. Algumas pessoas choram , outras se irritam . 

No meu caso, me irrito tanto que quero morrer. Simplesmente não suporto ninguém e nem a mim mesma. Não derramo uma lágrima de crocodilo e os pensamentos são em geral de uma qualidade péssima e por vezes empiedosos. 

Sabendo destas minhas flutuações mensais, sempre que sei que o dia se aproxima , eu procuro me isolar, assim não assassino ninguém , nem brigo com o chefe, nem peço demissão, e não chuto o pau da barraca em nenhuma outra situação. Já mudei inúmeras  vezes os rumos da minha vida em tais dias. Só falta matar alguém, esquartejar , enfiar numa mala e jogar os restos pela cidade. Assim, tipo Elize Matsunaga  . Lembram dela , a enfermeira que matou o marido e o esquartejou? Ela deveria estar em um dia daqueles. 

Nem o yoga tem me ajudado muito nestes periodos. Obviamente que ainda não incorporei o yoga no meu dia à dia, e a minha atitude mental ainda é de um não-yogue. 

Ainda não consegui vencer as minhas alterações hormonais. 

Enquanto vai se aprendendo. Tudo na vida se aprende quando estamos dispostos. A solução  para tais dias tem sido ainda  o silêncio e o isolamento. 




Como ser interessante




Certa vez , perguntei ao meu irmão como ele estava. E ele me respondeu que estava tudo bem e sem muitas novidades. Detalhe: Fazia mais de um ano que não nos falavamos , em função da distância e da falta de tempo.

Como uma pessoa pode não ter assunto após um ano distantes? 

Tive que tomar as rédeas da conversa e seguir perguntando sobre seu trabalho, sua esposa, seus cachorros , seus projetos de vida e etc, para que o assunto não morresse. Do lado de lá, nenhuma pergunta, além das respostas serem breves e previsíveis. 

Duas, três , tentativas à mais , e nunca mais me interessei por saber de sua vida. Também uma outra pessoa de minha famîlia tem o habito de apenas responder e esperar ser questionada sobre algum assunto , nunca partiu dela uma pergunta do tipo : Você está bem ?

Perguntar sobre o outro demonstra interesse. Os diálogos são feitos de perguntas, respostas e argumentações sobre o assunto em questão. Pessoas sem esta capacidade demonstram ser seres egoîstas, desinteressadas e desinteressantes , mesmo que esta não seja a sua intenção. 

Mesmo que estejamos vivendo uma fase da vida pouco glamourosa, sem grandes projetos e sem muita atividade social ( uma vida sem graça) . Saber falar sobre sí e o seu estado de ânimo pode ser o começo de uma boa conversa , que pode até surpreender o seu interlocutor, mesmo que a sua vida mundana esteja estagnada. Não vá encher o seu interlocutor de lamentações. Isto cansa qualquer um. Tenha bom senso para conduzir uma conversa interessante. 

Muitas pessoas tem esta dificuldade em "conduzir" conversações que para muitos pode soar como egocentrismo. A pessoa só enxerga o seu póprio umbigo e as proprias limitações do seu dia à dia. Ao mesmo tempo pode ser apenas uma dificuldade em se expressar . Existem as duas situações e as duas são muito chatas. 

Se o seu problema é apenas uma dificuldade de se expressar em palavras , leia mais. Aprenda a colocar força e expressão em suas palavras , solte a a emotividade . Não tenha medo de  se expressar e desligue o botãozinjo da auto-crítica. Seja você mesmo, seja original. 

Agora, se você é um egoísta e só enxerga a sí mesmo e não possui a capacidade de enxergar o outro , com certeza seus diálogos são verdadeiros monólogos , onde apenas um fala e o outro ouve. No final, ninguém se entende . Melhor falar sozinho olhando para um espelho. 

Nestas duas situações , apesar de serem condições diferentes, o assunto se torna muito chato para o seu interlocutor. Você se torna uma pessoa muito chata e desinteressante. Pior ainda é passar a impressão de descaso com esta atitude. 

Quer ser ouvido, saiba ouvir. Quer ser interessante , saiba argumentar . Não quer falar, seja educado. 

Em todas as situações , è preciso ter em mente que cada situação pede uma postura . E esta capacidade de entender cada situação tem muita relação com o bom senso e a inteligência emocional. 

Está sem assunto? Comente sobre o ùltimo livro que leu, comente sobre a beleza dos raios de sol adentrando pela sua janela. Está chovendo? Não faz mal, comente sobre o barulho da chuva que te convida a ir dormir. 

Aprenda a vislumbrar o mundo sob vários ângulos , e mesmo que sua vidinha de todo dia seja sem graça, a sua visão e compreensão sobre a vida será sempre muito interessante. 

Para ser uma pessoa interessante é preciso ter visão e interesses variados( curiosidades ) , e o principal : interessar-se pelo outro. Ao menos por educação. 


terça-feira, 22 de novembro de 2016

Mundo virtual




O quê você faria se desse um apagão na internet , e  ficasse muitos meses sem a comunicação virtual?
Já parou para pensar como seria a sua "nova" rotina?

Já fiquei por mais de 10 dias sem internet em função de mudanças residenciais. Confesso que a solidão e a ansiedade me consumiram totalmente. É nestas horas que percebemos o quanto estamos sozinhos, e o quanto somos dependentes e até viciados em checar mensagens. 

O mundo mudou após a explosão da internet, e muito. A internet veio para falir a industria impressa. Eu nunca mais comprei jornais e revistas, por exemplo. 

Havia um tempo , aqui em terras nipônicas , que as lojas de departamentos faziam verdadeiros saldões de CDs encalhados, do tipo , musicas clássicas , ou musicas que marcaram uma década. Pois é, nunca mais vi estes saldões nas lojas. Eu tambèm me desfiz de walk mans para CDs e outros trambolhos . Hoje possuo apenas algumas musicas no meu net book e um MP3 . 

Cartões telefônicos para chamadas internacionais? Estes tiveram vida curta , depois que inventaram o messenger, o Skype , e o whatsapp . Confesso que tive um "up" nas minhas economias quando deixei de gastar com livros, revistas, jornais , CDs, e chamadas internacionais.

Filmes ? Nunca mais aluguei filmes . Existem locadoras de filmes ainda?

Quanta mudança , não é verdade?

A internet sem duvida alguma trouxe muita praticidade para as nossas vidas. Trouxe muita informação e a liberdade de navegar por onde quisermos  . Nos livrou do monopólio da Rede Globo e da falta de criatividade da Tv aberta. Hoje não sofro nenhuma influência ( direta ou indireta) de modismos lançados em novelas e nem tão pouco de notícias anunciadas por um determinado canal de tv. 

Muitos habitos se modificaram com a chegada da internet , e como tudo na vida , com os seus prós e seus contras. 

Não tenho mais o habito de telefonar para ninguèm, apenas checo mensagens e me comunico por escrito atravès do messenger ( não tenho whatsapp) . Não tenho mais curiosidade em saber por onde andam os amigos . Eles postam  a cada minuto no facebook , fotos de onde estão , e até o trajeto que estão fazendo. Perdi um pouco a curiosidade e a saudade de rever e saber sobre amigos distantes. Aquela sede de novidades pelo fato de estarmos fisicamente distantes " se fué" . 

E as novas amizades? 

Estas ficaram bem prejudicadas . O senso crítico aumentou , e jogar conversa fora com alguém que sabe menos do que o "Google" se tornou uma chatisse. 

Tá com dor nas costas? Precisa de uma ajuda para ir a algum lugar? Quer saber onde , quando e como acontecem as melhores baladas noturnas? Receita de um prato específico? Calos nos pés? Queda de cabelo? Problemas hormonais? Viagens ? Como curar colica de bebês? Variações do dolar? Notícias frescas e atuais sobre o que ocorre no mundo?

Pergunta pro Google.

Qual amigo ou amiga sua è tão bem informado quanto o "Google"? Não dá para comparar. Ao mesmo tempo é preciso saber  manter aqueles velhos amigos ou parentes que nem são tão antenados assim. Os assuntos são chatinhos, mas os contatos são necessários. Praticamos a paciência. 

Com todas estas mudanças de hábitos , percebo que a minha necessidade de estar com "gente " ao vivo diminuiu um grau. Ou perdi a paciência ( precisando praticar) ,  ou fiquei mais seletiva. Sei lá! Não que eu não queira fazer novas amizades e aprender com elas. Na verdade sinto falta de gente que me ensine algo novo. 

Não sei mensurar se isto é bom ou ruim. Por um lado me vejo mais auto-suficiente, podendo me virar nos 30 em qualquer situação de uma forma mais desapegada , ao mesmo tempo me vejo mais anti-social , refutando as interações mais superficiais. Aquelas que não acrescentam nada, nem conhecimento e nem emoções verdadeiras. Tambèm ando refutando os "mimimis". Cada um que se resolva à sua maneira. 

Dentro de todo este quadro, sinceramente não sei dizer se me posiciono de forma adequada , ou se esta é uma época de grandes viradas para a humanidade como um todo. Prefiro acreditar que o mundo está  passando por uma fase de transição , e que amanhã seremos seres mais sábios, mais conscientes e desapegados de valores antigos e obsoletos que já não servem mais. 



segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Coisas corriqueiras in Japan



Hoje pela manhã ocorreu um outro terremoto de magnitude 7.3 naquela mesma região onde ocorreu o tremor de magnitude 9 , seguido de um tsunami de 14 metros ha 5 anos atrás. 

No momento do terremoto eu estava dormindo e como o tremor foi na zona de Fukushima , eu nem percebi. Pra dizer a verdade, ontem a tarde senti a minha arm-chair balançar um pouco, mas como ela sempre balança quando passa um caminhão na avenida , nem me importei. 

Para quem nunca sentiu um terremoto é meio desesperador sentir a terra tremer , mas para quem já viveu todos os grandes terremotos dos ultimos anos em terras nipônicas, è apenas mais um. 

É curioso como o ser humano se habitua a absolutamente tudo nesta vida. Talvez hoje eu possa entender a calma e o pouco caso que muitos japoneses fazem destas ocorrências "corriqueiras" . 

Os tremores de terra já fazem parte da vida dos japoneses , já faz parte da paisagem. É como se eles aceitassem que a natureza é assim , impetuosa , e não há nada para se fazer senão conviver com ela. 

Acho que estou ficando um pouco japonesa também. Aceito este país com todas as suas fúrias naturais sem fazer grande alarde . No meu entendimento , ainda é melhor correr o risco de travar uma batalha contra a natureza e perder, do que correr o risco de perder a batalha da vida para um assaltante armado qualquer. 

Os prós e contras da vida!

Namastê!

domingo, 20 de novembro de 2016

Lei da atração

 


Já comprovei por várias vezes que esta tal "lei da atração " existe. Basta apenas estarmos conectados com o universo para que as coisas aconteçam. Pois bem, parece muito fácil mas não é bem assim. 

A chave para conseguir atrair amor , dinheiro , entre outras coisas , está no nosso estado de espírito. E quem é que consegue estar sempre bem e verdadeiramente positiva 24 horas ? 

Falando de forma mais clara e objetiva, a fórmula para atrair coisas boas para a nossa vida é a fé. Não estou aqui falando de fé religiosa , é fé em nós mesmos. 

Uma vez quando questionei uma colega de trabalho se ela tinha fé em Deus , ela me respondeu que tinha fé em Deus , mas não tinha nela mesma. What???

Como pode uma pessoa ter fé em Deus se não tem fé nela mesma? 

Existe uma diferença entre ter fé em sí mesma e ter fé em uma segunda pessoa , ou ser divino. Na minha opinião é uma forma de transferir a capacidade que temos de realização e transformação para um outro "alguém" mais capaz do que nós mesmos. É como delegar a fé, e fé delegada não funciona. 

É como aquela frase que sempre dizemos , até meio que automaticamente: - Se Deus quiser , Ele vai permitir!

Esta frase deveria ser : - Se "eu" quiser, Deus vai permitir!

Muitas coisas que acontecem, ou que deixam de acontecer em nossas vidas está muito ligada ao nosso estado de espírito. Emanamos as nossas inseguranças e os nossos medos 24 hs , mesmo estando de boca  fechada , ou quando tentamos verbalizar ( fingir) com palavras e atitudes que não vem da alma. O universo só entende aquilo que vem da sua alma, aquilo que você realmente está sentindo e emanando. 

Coisas incríveis podem acontecer quando estamos verdadeiramente conectados com aquilo que sentimos. Se você  está em uma fase meio "down" e não quer saber de estar com muita gente a sua volta , aos poucos é isto que o universo irá  te oferecer. Se você está  em um periodo de animação contagiante por algum projeto de vida , o universo irá  responder da mesma forma, colocando em seu caminho pessoas e acontecimentos que contribuam para a realização de seus sentimentos . Observe a diferença entre sentimento e desejo. Desejar todo mundo deseja, sentir é fé. 

Depois de entender esta diferença entre "sentir" e "desejar" , conseguimos ter mais consciência  sobre tudo aquilo que pensamos e manifestamos para o universo . Com esta ferramenta podemos atrair muitas coisas para as nossas vidas. Porém....Sempre existe um porém. 

O processo de atração( apesar de demorado)  pode ser concluido positivamente, trazendo muitas alegrias, riquezas , amores e todo aquele bem estar que queriamos atrair  para as nossas vidas, mas a segunda etapa consiste em "manter" aquilo que conseguimos atrair. Disto, ninguém fala nos videos e textos sobre a Lei da Atração , né mesmo?

Com a minha experiência posso afirmar que a Lei da atração existe . É o resultado de um "up" que fazemos em nosso estado de espírito , abrindo portas que antes estavam fechadas em nossas vidas. Atraimos acontecimentos incríveis. Porém, a nossa alma ainda pequena não estava habituada a tantos acontecimentos e não conseguimos administrar tudo de forma equilibrada. Entra aí , a segunda fase da Lei da Atração:  o equilíbrio para   manter em nossas vidas tudo aquilo que atraimos. 

Ah, você não tem equilibrio emocional? Tem muitos altos e baixos emocionais? Então esqueça a Lei da atração ( por enquanto) e dedique-se ao seu "eu" interior . Faça reformas em sí mesmo, antes de querer atrair acontecimentos e pessoas que "ainda" não cabem em sua vida. 

Atrair é relativamente fácil, manter é o grande desafio. 


Namastê!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Produtos Daiso e decoração



Este deve ser o meu quinto ou sexto apartamento em terras nipônicas. Nem sei mais em quantos locais eu vivi. 

Com esta vida nômade , nem dá pra ter muitos objetos pessoais, portanto reduzi a minha vida em duas malas e algumas caixas. A cada nova moradia eu vou comprando alguns objetos de utensílio doméstico e móveis em lojas de usados. A decoração , esta fica totalmente por conta das lojas de 100¥ , ou seja o 1,99 do Japão. 

As lojas que eu costumo comprar utensilios domésticos , artigos para decoração e até alguns produtos alimenticios são a Orange, Seria e Daiso. 

Todas as vezes que refaço o meu cantinho acabo sempre optando pela cor vermelha. Não sei de onde vem esta preferência , já que nem gosto muito da cor. 


Todos os artigos das fotos abaixo foram adquiridos em lojas de 100¥ shop. Inclusive as plateleiras. Pratico não?





Voltando do além



Hoje decidi escrever sobre as dificuldades que todos nós passamos pelo simples fato de estarmos fisicamente distantes do nosso país. A primeira dificuldade é sem dúvida a saudade da família e dos amigos. 

Quando a empreitada em outro país tem tempo de validade, no caso um contrato de trabalho por tempo determinado, ou um intercâmbio, a saudade pesa mas nem tanto. Sabendo que existe uma data pre-determinada para o nosso retorno fica mais fácil sossegar o coração e manter os contatos familiares e profissionais. Porém, quando não existe um prazo, ou seja, a pessoa imigrou ( emigrou?)  para outro país definitivamente , e só volta de dois em dois anos de férias, aí a situação é bem diferente. 

Certa vez , assistindo a um video no youtube de um casal que imigrou para o Canadá hà mais ou menos 6 anos , compreendi que a minha situação com relação à familia e amigos que ficaram no Brasil não era tão diferente da deles. Hoje, após 6 anos de Canadá , eles já estão bem estabilizados e com um casal de filhinhos (canadenses) lindinhos. 

Em um dos videos , o marido que é o mais extrovertido e desbocado disse uma grande verdade sobre  as relações de ex-patriados que  vão se transformando com o tempo e a distância . 

- É como se nós tivéssemos morrido . Disse ele.

Este comentário (em video) teve a interrupção de sua esposa , que é o inverso dele, muito mais comedida. Mesmo assim, ele continuou reforçando a sua opinião, dizendo que na primeira viagem (de férias) ao Brasil com os filhos recém nascidos, tudo era novidade. Passados alguns anos , a novidade já havia passado e a recepção de amigos e familiares já não era mais tão calorosa. Nem tão pouco a saudade. Até mesmo para eles , ex-patriados, a saudade já não era tão dolorosa assim como da primeira vez que haviam retornado. 

Quando eu ouvi este comentário fiquei meio chocada. Como assim, como se tivessemos morrido?
Aos poucos compreendi que a nossa ausência física é como a morte . As pessoas ,com o tempo , se acostumam com a nossa ausência e guardam  para sí apenas lembranças. 

Não fazemos mais parte da rotina de nossos familiares, e nem eles das nossas , e a nossa participação em suas vidas se converte em apenas algumas datas especiais. Assim como os mortos, somos lembrados apenas no Natal e nos aniversários. Vale salientar que o mesmo ocorre com a gente , estando do outro lado do mundo. Por mais que usemos os meios de comunicação existentes para nos mantermos conectados , nós já não fazemos mais parte da rotina do dia-a-dia. Nenhum café da manhã com os pais, nenhuma saida ao shopping, nenhuma conversa mais intima e sem hora marcada. Nenhum cheiro. Triste admitir, mas já não fazemos mais parte da paisagem local. 

Todas as vezes que regressei ao Brasil senti muitas dificuldades em resgatar minhas relações familiares. Familia de japoneses , meio frios e distantes. Nem todos, mas a maioria. 

Em cada retorno eu voltava renovada, com um novo espirito e vivências para compartilhar com a minha familia e amigos que deixei do lado de lá, porém, a reação de todos me desanimava conforme os dias iam se  passando. Todos me tratavam como se eu ainda fosse a mesma pessoa, e muitos me cobravam atitudes passadas que já não cabiam mais em minha vida de ex-patriada. Era como se alguém tivesse apertado a tecla "pause" do lado de lá, e eu continuei no "start". 

Minha filha nunca me perguntou sobre as minhas vivências do lado de cá , e eu nunca mais a questionei sobre seus medos e experiências da vida adulta do lado de lá. Paramos no tempo . Ficaram as lembranças e as cobranças de um tempo que não volta mais. Um amigo de longa data que eu ainda mantinha contato por email, estranhou a minha nova visão sobre o mundo e a minha paixão por países e costumes europeus. Ele não compreendia o meu desapego em relação a minha familia e ao meu país. Ele também havia apertado a tecla "pause" e não cabia em seu entendimento que um ex-patriado necessita se desapegar para não sofrer , seguir em frente e viver novas experiências. 

Percebi então, que não fazia mais parte da vida de ninguém, e que aquilo que havia restado eram apenas as lembranças de tempos passados , assim como os mortos que regressam em espirito. Se é que isto é possivel?

Duro de aceitar? Em muitos casos a situação é bem esta, ex-patriados que regressam como mortos, ou divindades de um espaço e tempo diverso. Retomar os relacionamentos e fazer parte da paisagem local leva tempo . Mesmo que regressemos em definitivo ao nosso país após vários anos , o resgate deste tempo perdido no tempo terá um outro formato. Nunca mais seremos os mesmos. 



segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Insights da maturidade



Como viver bem sozinho ( a) na maturidade? Este foi o insigth que tive hoje ao acordar de manhã. 
Fico sempre tentando me deparar com estes insigths que na maioria das vezes são reveladores e inovadores para o meu autoconhecimento. 
Pode - se ser feliz e realizado vivendo a plena solteirisse na idade madura? Sim, é possivel. Á partir do momento em que paramos de projetar ideais que não nos satisfazem completamente e assumimos as nossas vidas tal qual ela se apresenta. Não é comodismo, não confunda. 

Há mais ou menos 10 anos que vivo "provisóriamente" , sem uma residência fixa e pior ainda , sem um país fixo. Quanto tempo perdi em pensar que tudo aquilo que eu estava vivendo era provisório. Planos e mais planos a longo prazo , ideais de vida que eram apenas ilusões de uma mente que ainda não tinha encontrado o seu verdadeiro norte. 

Percebi em meu insigth matinal que tudo aquilo que eu perseguia enquanto "provisória" na vida, não era nada daquilo que eu realmente desejava para mim. Fazia planos , os viabilizava , começava a construir uma história , mas não conseguia me visualisar como protagonista desta história . Tinha apenas um "ideal" que deveria ser alcançado custe o que custar . Poderia até dizer que esta falta de visão futura era puro medo do desconhecido . Medo de conquistar e de perder. Medo da constância , e então , justificava o meu status quo provisório projetando imagens e ideais que seriam "confortáveis"  e ideais para a grande maioria das pessoas. 

Esta aí a resposta para esta vida nômade ,provisória e solitária que não tem fim hà mais de 10 anos. Falta de visão futura . Uma coisa é fazer planos , outra bem diferente é nos visualizarmos  satisfeitos lá pra frente sem prejuizos para o hoje. Afinal, a nossa vida acontece "hoje" e não amanhã. 

Percebo muitas faltas no meu hoje, a começar pelo meu apartamento "provisório" sem um sofá , uma televisão , um bichinho de estimação e uma decoração que seja a minha cara. Coisas que sinto muitissima falta , mas que estavam engavetados nesta minha vida"provisória", junto com aquela motoneta 50 cc que facilitaria muito a minha vida . 

Quanto aos relacionamento afetivos...também me veio um insigth. Passei mais de 10 anos idealizando um "alguém" . Claro que tenho lå as minhas preferências e sou daquelas que prefere estar só do que mal acompanhada, mas o fato é que eu até encontrava estes ideais personificados na vida real, porém não  conseguia me visualizar vivendo uma relação prática ,estável e comum ao lado de absolutamente ninguém. Neste insight descobri que na realidade estava projetando ideais que nem eram a minha "vibe" , apenas aquilo que jå era conhecido e coloquial . Não tinha idēia de como viver um relacionamento que fosse a minha cara sem tender para o convencional. Fato que me desagrada tremendamente, os relacionamentos a dois convencionais. Percebo que a culpa por não viver relacionamentos satisfatórios ē a minha propria incapacidade de construir um relacionamento à minha maneira sem pender para os modelos convencionais e me deixar imfluênciar pelo outro. Daí a minha insatisfação generalizada.

Depois destes insigths reveladores da minha vida prática , do meu presente, tudo ficou muito mais claro. Compreendi a necessiade de viver o meu hoje sem dar muita ênfase para o amanhã, sem adiar aquilo que é urgente . 

A parte mais complicada depois de tais revelações , é a de encarar os nossos medos , a preguiça, e o conformismo para realizar mudanças pråticas em nossas vidas de forma ordenada sem contar com a ajuda de ninguém. Só Deus!

Seria mais fãcil se alguém me ajudasse? Sim, seria, mas o "hoje" não espera , e o amanhã pode ser tarde demais. 


Aquilo que construimos "hoje" é a nossa ponte para o amanhã. Sem o hoje , o amanhã não se realiza. Não podemos esperar sermos  felizes no " amanhã" , quando finalmente conseguirmos  comprar a casa própria, encontrar o amor da nossa vida, ou ganhar na loteria. O hoje pede pressa , o amanhã é apenas consequência.

Então, o que temos para hoje? 


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Speaking alone



Desde pequena tenho o hábito de falar sozinha, ou melhor dizer, resmungar sozinha. Todo bom Capricorniano rumina . Por um tempo achei que eu era anormal por ter esta mania de falar sozinha. 

Um belo dia , na aula de Ciências , ainda no primeiro ano do ginásio, surgiu um assunto sobre alguém que falava sozinho. Todos começaram a rir , então a professora de Ciências se levantou e disse: - Não há problema algum em falar sozinho, é até muito benéfico para a dicção. Depois desse dia eu me convenci de que falar sozinha era uma coisa normal . Desatei a tagarelar sozinha , sem culpas, mas sempre quando estava sozinha em casa no meu quarto, nunca na frente de outras pessoas...of course.

O tempo passou, continuei com este hábito de falar sozinha mesmo depois de adulta, mas de forma moderada. Normalmente começava a resmungar sozinha quando ocorria algo que me desagradava. 

Quando recém cheguei em terras nipônicas vi muitos loucos falando e rindo sozinhos pelas ruas, sem nem se importarem se estavam sendo vistos por alguém ou não. Sim, eu uma ruminadora inveterada os julguei como "loucos" . 

O tempo foi passando, e esta vida solitária em terras estrangeiras acaba mexendo com a gente. Tenho sempre o habito de rezar enquanto saio de bicicleta para o trabalho. Se eu não faço a minha oracãozinha antes do trabalho parece que falta algo. Porém, na volta eu não costumo rezar. Pior, começo a falar e a rir sozinha. 

Então , me lembrei daqueles japas que eu julguei como loucos que falavam e riam sozinhos pelas ruas . Mas será que eu estou ficando louca também? 

Talvez eu esteja em um nivel menor de "loucura" , nivel 1 ? Eu ainda me importo se alguém está me observando. Finjo que estou tossindo, cantando , sei lá, ou falando ao celular com fones de ouvido, sem fones. 

É nestas horas que eu percebo o quanto a minha mente não para. Melhorei muito depois que comecei a escrever . Acredito que cerca de 50% das coisas que eu costumava falar ( tagarelar) já não falo mais. Não sinto mais aquela  necessidade de ser ouvida ou compreendida tão frenéticamente como antes. Hoje penso, pondero e filtro minhas palavras. Isto não quer dizer que deixei de pensar. Se assim o fosse, eu não estaria falando sozinha enquanto pedalo a bicicleta , não é mesmo?Além do mais , percebi que a frequência é maior quando estou pedalando.

Li em um site que falar sozinho é sinal de genialidade, mas falar alto enquanto se caminha sozinho na rua pode ser sinal de alguma patologia. Ainda não cheguei neste nivel de falar alto enquanto caminho sozinha na rua, então prefiro pensar que me encaixo na primeira opção. 

"Escrevo para não falar sozinho " - Cazuza. 


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Rejuvenescendo no inverno




O frio està chegando com os seus ventos gélidos que chegam a craquelar a pele , criando até algumas ruguinhas ao redor dos olhos por ressecamento. Graças a Deus, descobri o óleo de oliva da DHC para proteger a pele contra o ressecamento provocado pelo frio. Além dele, uso também o óleo de rosa mosqueta , alternando -os durante o dia e a noite. Estes óleos além de proteger a pele contra o ressecamento ajudam a manter a pele sempre macia e hidratada. Até a maquiagem fica mais facil de passar, principalmente para espalhar o corretivo nas olheiras. 

Além dos óleos , à noite antes de me deitar unto os lábios e as maçãs  do rosto com hipoglos e durmo com a mascara de vitamina C da Kosè , que contem 8 tipos de aminoácidos e ajuda a clarear e hidratar a pele . Apesar da sua principal função ser a de clarear a pele e dar mais luminosidade, tenho notado que esta máscara ajuda a reduzir as marcas de expressão. Provavelmente porque os seus componentes ativos devem hidratar profundamente a pele. Eu amei! Não vivo sem!
Uma embalagem vem com 5 máscaras e custa cerca de u$ 3,50 . Existem outras composições com Q10 , colágeno , entre outras que ainda não provei. Vou prova-las. Por enquanto estou satisfeitissima com os efeitos e o preço da máscara de vitamina C. 


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Elegância




Dizem que a educação de uma pessoa é questão de berço. Eu particularmente discordo. Você não precisa necessariamente ser bem nascido para aprender a se comportar educadamente em todas as situações. É muito mais questão de percepção. Cada situação , ou ambiente pede uma postura diferenciada e cabe a você perceber seus erros e gafes para não comete-los mais no futuro. 

Agora vamos falar de elegância. A elegância também está indiretamente ligada a educação de cada um, independe de berço. Porém, vale ressaltar aqui que existe uma diferença entre a elegância natural e aquela que é resultado de cuidados que só o dinheiro pode nos oferecer. 

Não é preciso estar impecavelmente maquiada, penteada e vestida com as melhores grifes para ser elegante. Muita gente exagera na busca por um visual elegante e acaba mostrando um visual "brega". 

Ser elegante é estar de jeans e camiseta , e mesmo assim passar uma impressão natural de cuidados consigo mesma. A pessoa elegante tem um charme natural que exala pelos seus poros e sempre será notada , que seja por seu comportamento discreto , que seja pela sua aparência e cuidados . Não é vaidade, a pessoa elegante respeita a si mesma e aos outros. Portanto, ela nunca se apresentará desleixada para um compromisso . A pessoa elegante possui em particular um certo bom gosto na medida certa e uma visão privilegiada de formas e cores. Toda pessoa elegante tem uma certa veia artistica. 

Astrologicamente falando, o ascendente em signos regidos por Vênus ( a deusa do amor e da beleza) também contribuem muito para passar uma impressão de elegância e beleza natural, mesmo que a pessoa não seja lá uma top model. 

Apesar de crer que a  elegância é uma qualidade inata de poucos, podemos aprender a ser elegantes mudando comportamentos e reaprendendo a nos comportar e a nos apresentar para o mundo. Para tal , o ingrediente principal è o amor próprio. Nenhuma mudança radical pode ser atingida quando não    acreditamos que merecemos o melhor que a vida pode nos oferecer. 

Ser elegante não é apenas saber se comportar , ou se vestir de forma adequada para agradar aos outros e receber elogios que inflem o nosso ego. Ser elegante é respeitar a sí mesma  independente de opiniões e modismos. É ser original sem ser vulgar . É ter bom gosto e poder de percepção para compreender cada situação. 


Friozinho chegando


           Monte Fuji- san - Shizuoka-ken - Japan - Patrimônio mundial da Unesco


Cerca de 8 graus, o Outono japonês está no seu auge. Friozinho pela manhã , calor fresco durante o dia e aquele ventinho gelado no final da tarde. As estações do ano japonês são muito bem definidas , na virada do dia 20 de Setembro para o dia 21 , já sentimos uma lufada de vento fresco que anuncia a chegada do Outono. Para nós brasileiros o Outono japonês mais se assemelha ao nosso Inverno , e muita gente desavisada nem percebe que  estamos em pleno Outono e que o Inverno está ainda por chegar. 

Assim como as estações do ano se modificam, minhas percepções e o meu ânimo também as acompanham. Apesar de achar o Inverno japonês "chique" , assim como o europeu, onde as pessoas sacam de seus armários as suas vestes mais elegantes de inverno, com suas toucas, echarpes , chapéis de todos os estilos , casacos e coats .  Existe uma diferença visual entre o inverno japonês e o europeu. 

O inverno japonês ( em algumas regiões) é mais curto em relação ao inverno de algumas regiões européias. Aquilo que se nota nitidamente também , é a elegância dos europeus nesta estação. Já os japoneses não tem esta fama , a elegância dos japoneses está apenas em suas vestes invernais ( mais precisamente em Toquio) e não no estilo de ser e viver as estações mais frias do ano com elegância. A elegância não é uma marca japonesa, salvo algumas exceções , de gente endinheirada com suas bolsas de grife desfilando  pelas cidades grandes. Japonesas adoram bolsas de grife. 

Quanto aos ânimos japoneses durante as estações mais frias do ano, talvez nem sejam muito diferente dos meus . Eu costumo dizer que quando o inverno vai chegando , o meu coração vai ficando pequeno, se encolhendo para se proteger do frio, e a hora mais aconchegante do dia se resume em estar debaixo das cobertas. Se eu pudesse , hibernaria o inverno todo para apenas despertar na Primavera , junto com as flores de Sakura.

Frio no calcanhar, nas pontas dos dedos e na ponta do nariz. Mesmo estando em casa com o aquecimento (ar condicionado) ligado , não dá para estar de chinelos ,sem meias dentro de casa. Alguns apartamentos japoneses são muito antigos ( no caso o meu) , e parecem ter frestas por onde os ventos invernais passam , congelando paredes , piso e armários. O sistema de aquecimento das casas japonesas não é como o europeu . Aqui se usa o ar condicionado , os aquecedores a querosene ( cheiro horrivel) ou os aquecedores elétricos. O calor fica sempre concentrado em apenas uma parte da casa . Enquanto o quarto está quente , a cozinha está gelada . Não percebi tamanha diferença de temperatura em casas européias , por mais que elas fossem grandes e com piso frio. Em compensação , dentro dos trens é aquele calor abafado e exagerado que quase não se respira.

A vantagem do inverno japonês, pelo menos na região onde eu vivo , é que chegando o inverno o céu se mantem limpo, azul e ensolarado. Menos mal, assim eu me animo a sair da toca e apreciar o espetáculo do por do sol japonês. 

Hoje o céu amanheceu nublado. Abro a janela e sinto aquela corrente de ar gelada , nem dá vontade de sair , mas a vida segue e apesar dos animos em baixa é preciso sair às compras de supermercado.  Se o vento contra me permitir  e não começar a chover , quero ver se encontro um par de botas bem confortáveis para enfrentar o inverno que se aproxima já na proxima semana. 

Ânimos encolhidos com o prenúncio do Inverno . Provavelmente o meu Sol deve estar se aspectando com alguma casa pra lá de introspectiva ( casa 12) , e se somos realmente parte deste macrocosmos , nada mais natural do que invernar um pouco a alma. 


terça-feira, 1 de novembro de 2016

É karma




Já ouviram dizer que quanto mais fugimos de uma pessoa ou situação mais se tornam presentes ?
Só pode ser karma, algo que veio para nos ensinar  a visualizar e entender tal pessoa ou situação de uma outra maneira. Mais sábia, quem sabe?
Desde pequena eu odiava o jeito autoritário, machista e totalmente parcial da mentalidade japonesa de meu falecido pai. E onde é que eu vim parar para pagar meus karmas? No ninho dos comedores de miojo . No âmago da sociedade vertical, onde a hierarquia é bem definida e não adianta querer tentar pular do nivel mais baixo dessa tal hierarquia para o alto. A queda pode ser desastrosa. 

Aqui na terra do Sol nascente , existem regras muito bem claras na sociedade que  devem ser respeitadas . Se o seu chefe te diz algo, você deve apenas dizer : Hai! Um "sim" respeitoso e obediente. Detalhe: mesmo que ele esteja errado e que você não concorde com ele , deve sempre dizer : Hai! De preferência com a cabeça baixa. Se você teve uma idéia genial para melhorar o trabalho e poupar tempo , mas o seu chefe não concorda, nem tente argumentar. Engula a sua idéia e a guarde para usa-la quando estiver em terras tupiniquins, onde é mais bem visto um funcionário com pro-atividade. Em terras nipônicas pro-atividade é sinal de desrespeito com o seu superior . Quem manda é ele , não você. 

Submissão total é a palavra chave . Bom funcionário é aquele que se submete ao seu superior sem restrições. 

Para nós brasileiros, o melhor a fazer é nem se relacionar muito com os japoneses no trabalho, talvez até não dominar a lingua seja a melhor opção. Não respondemos impetuosamente quando não sabemos falar e nos limitamos ao "Hai". 

Karma dos meus karmas. Quanto mais quero fugir de tamanho autoritarismo japonês , mais me vejo cercada por eles. Sempre tem alguém querendo me dizer o que è certo e o que é errado , o que devo fazer e o que não devo fazer de forma injusta e prepotente.

My God! Será que o meu karma é aprender a ser submissa e não ter opiniões ? 

Se este é realmente o meu verdadeiro karma em terras nipônicas, creio que vou leva-lo para a outra vida. Dificil aceitar aquilo que é injusto com base em graus hierárquicos . 

Seria um desafio para através da submissão atingir um certo grau de humildade?

Se assim for, entrei na escola mais rigorosa que alguém poderia ingressar, a terra dos samurais. Por outro lado  , o rigor nos auto-disciplina . Disciplina, submissão e humildade, esta deve ser sem duvida alguma a minha liçào karmica aqui em terras nipônicas. 

sábado, 22 de outubro de 2016

Autoestima


         Barbies morenas. Até que enfim! Mas elas continuam imperfeitamente perfeitas demais!



Todo mundo deve ter algum amigo (a) , um parente proximo, ou conhecido que sofre deste mal, a falta de autoestima. A autoestima não tem nada a ver com o nosso aspecto fisico, a pessoa pode ser linda , perfeita , e ainda se achar pouco atrativa . Existem  aquelas pessoas que se sentem inferiores de alguma forma por terem um nariz grande, olhos grandes demais, muito peito , pouco peito, ou por estarem acima do peso ou muito abaixo do peso. 

Eu quando pequena acreditava que o padrão ideal de beleza eram as louras de olhos esverdeados, as atrizes de novela, as super modelos, a Xuxa e as Paquitas . Todas lourissimas. Confesso que não conseguia ver beleza em pessoas que não tivessem cabelos louros ou olhos claros. Imaginem então o conceito  que eu tinha de mim mesma, sendo de descendência oriental , olhos rasinhos e cabelos lisos  e negros? 

Cresci com complexos de inferioridade. Sou feia, sou sem graça ( era timida) , e ainda por cima não sou inteligente. Mas de onde foi que adquiri tantos complexos de inferioridade?

Influėncias externas , como a tv , as piadinhas de colegas de escola e irmãos mais velhos, e até mesmo a figura da boneca Barbie, tão loura e tão linda, contribuiram para que eu fosse formando a minha personalidade e os meus complexos.

Então, eu jamais seria uma pessoa bonita e inteligente porque somente as louras de olhos claros eram consideradas belas e interessantes. Teria  que viver a minha vida inteira com esta frustração e rezar para que em outra vida Deus me presenteasse com lindos cabelos louros e olhos claros. 

O meu inconformismo era tanto que aos 10 anos de idade começei a me maquiar para parecer menos feia, segundo o meu padrão de beleza. Queria e precisava ouvir elogios . Eu poderia me trancar em meu mundo e aceitar que eu era um ser inferior , mas o meu inconformismo falou mais alto. Precisava me sentir bela mesmo não tendo os atributos de uma Gisele Bunchen. A arma que encontrei para aniquilar este patinho feio dentro de mim foi a vaidade. 

Cabelos  bem escovados, rosto sempre maquiado, e principalmente roupas que valorizassem o meu fisico. Saltos altos nunca faltavam, além de aumentar  em alguns centimetros , percebi nos sapatos de salto alto a mágica da postura elegante ao caminhar. Aii como eu sofria  com os saltos altos. Meus pés doiam 24 horas, mas para mim era um sacrificio necessario. Os saltos me mantinham em uma postura correta e elegante. 

Pouco a pouco aquela vaidade feminina ( na proporção certa) foi trazendo-me resultados tangíveis . Satisfação ao me olhar no espelho e muitos elogios. Obviamente que a minha autoestima melhorou muito , e a partir daí a minha vida começou a se desenvolver positivamente sem grandes complexos ou comparações em todos os aspectos. 

A mola propulsora para tal mudança foi o meu inconformismo , unida a minha vaidade feminina. Me conscientizei que todas as pessoas podem ser belas e interessantes ,cada uma a sua maneira. Não era preciso ser loura ,magra , de olhos claros , como as bonecas Barbies. Mas também era inútil querer impor as pessoas uma beleza que eu não tinha. Parece crichê , mas a verdadeira  beleza, aquele brilho no olhar , e aquele imã pessoal que atrai olhares e elogios não é uma questão de padrão. O segredo está   em se valorizar e se auto-melhorar. Esse papo de aceitar-se como é , não tem praticidade alguma quando estamos insatisfeitos . A insatisfação exige mudanças em paradigmas e conceitos. Portanto, mova-se!

Está acima do peso? Tenha disciplina , feche a boca, reduza guloseimas, cuide da ansiedade,procure um nutricionista e reveja a sua alimentação. Procure ajuda. E não se esqueça que gordinhas também são bonitas, elas apenas estão acima do peso padrão. 

Não se acha interessante sob um aspecto intelectual? Estude, leia livros, revistas, sites , aprenda "qualquer coisa" nova todos os dias. Aprenda a argumentar sobre qualquer assunto e em qualquer ocasião. Se adapte ao seu meio, não se imponha se você não possui conteúdo. Seja humilde para aprender com quem viveu mais que você, estudou mais que você, ou tem um estilo de vida diferente. Aprenda!

Seu cabelo é liso demais, ralo demais, encaracolado demais, as suas pernas são finas, seu nariz é batatudo, seus olhos são inexpressivos? Use e abuse de todos os artificios que existam. Maquiagens corretivas, alisamentos, apliques , roupas classicas e de bom corte. Aprenda a ser elegante. Quem é elegante por natureza (ou aprende a ser) , nunca será criticado por ter um nariz batatudo ou pernas finas. Ela é elegante e isto basta. 

Aprenda a se construir aos poucos através dos proprios atributos . Não se aceite como é. Melhore-se sempre. Não se compare . Sempre existirá alguém mais bonito e mais inteligente, assim como sempre existirá alguém mais feio e desinteressante. Valorize-se . Seja original e não cópia. 

Claro que melhorar a autoestima não é coisa que se consegue com pequenas alterações e em um curto espaço de tempo. Vá fazendo pequenas modificações . Finja que se sente bem com tais modificações, aos poucos o fingir se torna realidade. Levantar a autoestima  é questão de disciplina e prâtica diária. Mude conceitos, que por muitas vezes nem são nossos. 

E principalmente, deixe de se lamentar e agradeça a Deus por ser perfeito. Ninguém suporta uma pessoa que não se ama e ainda por cima exige que a amem como ela é, se nem ela mesma se ama. Muito chato isso! Tem gente de bom coração que compreende , mas a maioria das pessoas não tem lá  muita paciência com pessoas de baixa autoestima. Ate porquê esta é uma questão muito individual. 

Parece  crichê sim , mas mesmo assim vou dizer: - Ame-se . Valorize-se . Cuide-se . Quem se ama se cuida!






Pequenos momentos




Enfim, tomei coragem e fui visitar amigas em outra cidade, cerca de 45 minutos de trem. Na verdade estava há meses alucinando com vontade de comer frango assado com vinagrete que vendem em uma loja de produtos brasileiros nesta cidade. Matei o meu desejo!

Reencontrei com duas amigas, uma peruana e uma japonesa que são para mim as melhores amigas que tenho por aqui em terras nipônicas. Almoçei (frango assado) com uma e jantei ( tempura) com outra. 

Na volta , lá pelas 21:00 hs desci na estação de trem , comprei umas coisinhas para o meu café da manhã e lá mesmo peguei um taxi para voltar para o meu apartamento. Sentada no banco de trás e observando a tranquilidade da paisagem me veio uma sensação de paz, ou satisfação , ou pequena felicidade, ou gratidão. Sei lá!

Apesar da vida dura aqui em terras nipônicas , trabalhando feito uma mula em turnos de 12 horas , pude pegar uma folga à mais esta semana para descansar e visitar minhas amigas que já não via hà tempos. 

E a comodidade do transporte publico japonês? Trens silenciosos e limpos, gente educada que espera o outro sair do trem antes de embarcar. E o taxi? É um luxo poder andar de taxi vez ou outra e este gasto não fazer a minima diferença no orçamento. 

Creio que a sensação que tive , sentada no banco de trás do taxi foi de gratidão. Eu reclamo muito da vida pacata no interior do Japão, e não reconheço que é esta vida chatinha e pacata que me dá paz e tranquilidade .
Obrigada Japão, por todos os maus e ótimos pequenos momentos!

sábado, 15 de outubro de 2016

Cuidando da pele


Nunca foi tão bom poder dormir profundamente. O meu carro chefe dos meus cuidados com a pele tem sido sem duvida alguma a qualidade do meu sono. Já escrevi sobre o meu "achado" , para poder equilibrar as minhas horas de sono , a melatonina. 

Eu sempre soube que o meu sono era leve, mas nunca havia associado este detalhe ao envelhecimento precoce da pele. Além da pele amanhecer menos amassada , percebi uma melhora na minha disposição física. Claro que dormir bem e profundamente repara não só o fisico como também o nosso humor. 

Estamos no meio de Outubro e aqui em terras nipônicas o tempo começa a esfriar. Pela manhã é aquele ventinho gelado , e o ar muito mais seco. Para evitar o ressecamento da pele e aquelas ruguinhas finas vou começar a untar a pele como faço todos os anos com o azeite de oliva da DHC. Depois que descobri o azeite de Oliva da DHC dei adeus a aquelas ruguinhas em volta dos olhos que aumentam consideravelmente no inverno japonês. 

Além destes cuidados , sempre uso algum cosmético anti-age de marca . Mas quer saber? O melhor mesmo é o velho e bom creme Nivea para hidratar e proteger a pele durante o inverno. 

Outra dica boa e barata é o Bepantol derma + hipoglos , nem precisa acrescentar o tal do Arovit, esta combinação amacia e clareia a pele . Pena que eu não consigo encontrar com facilidade o Bepantol por aqui, mas a mistura de creme Nivea + hipoglos também ajuda a obter bons resultados. 

Sempre que posso , faço as minhas mascaras de clara de ovo e bicarbonato de sódio também. Clareia, amacia a pele e dá um efeito tensor instantâneo. Outra dica é fazer esta mascara e depois usar um pack de Vitamina C no rosto, aquelas mascaras descartáveis que se vende em qualquer farmácia ( japonesa) . Nota-se imediatamente os efeitos . 

Para quem tem a pele do rosto flacida , como eu. É indispensável a massagem drenática facial todas as manhãs ao acordar e à noite , antes de dormir. Bastam alguns movimentos enquanto passamos os cremes habituais no rosto. 

Estou muito satisfeita com os resultados e em paz com o aspecto da minha pele, apesar de umas manchinhas no rosto  que insistem em não me deixar. Comparando o meu rosto com o de outras conterrâneas da mesma idade , posso dizer que estou muito bem obrigada , para a minha idade. 

Quanto ao corpo , perco para muita gente em disposição fisica e energia , mas a minha vantagem é que perco energia muito rápido, portanto, nunca sofri com dietas e até hoje mantenho o mesmo fisico (forma) de quando eu tinha lá meus 20 anos. Claro que a lei da gravidade existe para todos , e muitas mudanças ocorreram no meu corpo, mas nada que tenha me transformado em um corpo estranho e sem formas . 

O melhor termômetro para sabermos se apesar da idade ainda somos atraentes aos olhos masculinos , é sem duvida alguma o numero de cantadas , olhares e elogios que recebemos . Isto serve de estimulo para continuarmos nos cuidando e nos amando . O meu termômetro está nas alturas!



A cada viagem



Passaram-se 13 anos desde que parti pela primeira vez. Me lembro ainda hoje do momento em que adentrei naquele portão de embarque sozinha. Mal sabia eu que estava passando por um portal do antes e depois. Não era apenas uma viagem fisica , eu estava dando o primeiro passo para a descoberta de mim mesma. 

Seria preciso viajar , partir , se perder de si para entender as  transformações que ocorrem com quem vive a experiencia de partir em uma viagem sem data prevista para o retorno.  Perde-se muito, aprende-se muito. 

Não sei mais dizer ao certo quem eu era antes da minha viagem, ao mesmo tempo, isto parece não interessar a quem me conhece em terras estranhas. Paradoxalmente, ainda sou a mesma para aqueles que ficaram do outro lado do portal , e a impressão que tenho sempre é que a elas não lhes interessa quem sou hoje. Guardam de mim aquela imagem de antes, as historias de antes. 

Tanta confusão que separa um ciclo de vida e um oceano. Por vezes nem eu mesma sei mais quem sou , ou se devo um dia retornar . Fixar raízes se tornou um desafio , um sonho distante sem prazo de validade. 

Retornar será sempre uma possibilidade. Partir  será sempre um desejo oculto.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Sites de relacionamentos



Eu ainda não desisti de encontrar o meu amor europeu na net. Amor é maneira de dizer ne! Como eu já sei que vou fazer escolhas erradas , tenho o dedo podre segundo o meu mapa natal , nem me iludo  muito, mas continuo devagar e sempre. 

Computando o resultado de minhas investidas em sites de relacionamentos nos ultimos 10 anos, eu creio que já estou no quarto europeu que conheci pessoalmente. Dois vieram me conhecer e dois eu fui conhecer. Está equilibrado. E o último foi mais duradouro, 2 anos de idas e vindas e muito Skype. 

Dois deles eu os conheci no meetic.pt , um no Onedate.com e outro no Skype. Para mim o site mais sèrio é o meetic.com , ou match.com que é a mesma coisa agora, porque o site é pago e quem não paga a mensalidade tem muitas restrições . Antigamente o chat era aberto para as mulheres, agora só pagando, ou contactando assinantes gold. Ficou mais dificil encontrar um "amore vero" . Aliás, meu primeiro nick name era "amore vero" , agora 10 anos depois eu mudei pra "adventure". O tempo passa, a gente muda. 

Hà 10 anos atrás eu me lembro que os assinantes eram mais bonitos, ou eram mais jovens . Os perfis que me procuravam eram de europeus entre 30 e 45 anos, hoje passa da casa dos 55 anos . As vezes até vovozinhos de 70 anos me escrevem. Tá! Eu tambem não sou tão jovem assim, mas ninguém merece um vovozinho de 70 anos !

O problema de conhecer pessoas por sites de relacionamentos é que a grande maioria dos assinantes  homens não capricham nas fotos , ou não são muito fotogênicos . A primeira vista todos são feios e desengončados , com raras exceções. Muitos tomam fotos de longe , pilotando motos, velejando, ou na praia, todos de óculos escuros. Assim fica dificil se apaixonar por uma foto ne não? 

Eu sou muito visual e critica. Se o cabelo está despenteado já passa a impressão de ser relaxado. Fotos com bebida na mão e cigarro na boca piorou. Tem muitos assinantes que colocam qualquer foto no perfil e isto não os valoriza. Claro que foto photoshopada demais é sacanagem , mas ter um minimo de cuidado na escolha das fotos do perfil penso que seja a chave. A primeira impressão é a que fica. 

Muita gente feia, muitos europeus desleixados ( pelo menos em foto) , e muita dificuldade em encontrar alguém "normal". Quando digo normal me refiro a alguém que tenha uma profissão , mas que  não seja PHD, e que leve uma vida simples de europeu classe media , ou até baixa, porque pobre na europa vive melhor do que os pobres do Brasil, em termos de qualidade de vida. 

Também nem sei do que estou reclamando ? Eu nem tenho tempo pra estar cultivando relacionamentos virtuais e nem reais no momento. Já perdi dois contatos por falta de tempo em estar disponível no Skype. Aliás, nem paciência eu estou tendo. 

Na realidade eu queria fazer um primeiro contato, conversar , trocar fotos e conversar só de vez em quando, mas esse povo de chat e Skype é meio chatinho quando se interessa por alguém. Eles querem falar com a gente todos os dias, e eu nunca estou disponível. O que causa um certo desinteresse da parte deles. Povo sem paciência. Qdo eu conheci o suiço , deixei ele uns bons meses no Skype sem nem dar bom dia . Dá pra contar nos dedos de uma mão as vezes que nos vimos na webcam antes de nos conhecermos pessoalmente. Eu prefiro assim, sem muita pressa. 

Meu perfil continua sendo bem acessado , infelizmente não posso responder a todas as mensagens por causa do bloqueio do site match.com . Um plano de 3 meses custa a bagatela de 29,99 liras mensais. E como eu ando sem muito tempo, estou deixando nas mãos do "acaso" . Sem pressa. Mas não desisti ainda  do meu sonho europeu e da minha futura escolha errada. Só não me animo muito porque sei que meu dedo é podre. 
 Isso também faz parte da vida, as escolhas erradas. Principalmente quando a gente leva uma vida inteira escolhendo errado. Carma! É a vida! 

Nem por isso vou desistir das minhas escolhas. Desta  vez  vou mais devagar  ainda , pra errar com mais tempo. E quem quiser , que se adapte ao meu tempo. 

Bem Capricorniano isso sobre saber onde esta pisando ( mesmo errado) e ainda dar tempo ao tempo , só pra dar errado com mais calma ...;-)




segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Não se vive apenas de desvantagens



Vida dura em terras nipônicas! Aqui, trabalha-se muito para poder ter um lugarzinho ao sol, e muitas vezes deixamos de viver , literalmente vegetamos todos os dias em função da longa jornada de trabalho. 

Apesar de uma ligeira recessão e alta nos preços da cesta basica japonesa, a vida segue nos dando a possibilidade de fazer modestos planos para o futuro. Nada como a 20 anos atrás. Mesmo  assim , ainda podemos desfrutar de pequenos luxos vivendo em terras nipônicas. 

Para satisfazer o meu impulso por consumo e aliviar o stress da semana , decidi bagunçar um pouco  o orçamento mensal. Comprei uma bolsa da Kipling que custava mais ou menos 424 reais por apenas 198 reais. Nem imagino quanto custaria uma bolsa Kipling como a minha no Brasil, talvez uns 600 reais. Jamais compraria uma bolsa que custasse mais de 80 reais estando no Brasil. Nem poderia, com o salario que eu ganhava no Brasil. 

Pode parecer coisa de gente consumista e fútil, mas dar-se um presente de valor parece justificar o sacrificio e aliviar as tensões. Ainda mais com desconto!


Amei a minha bolsa !


Vida de expatriado



Durante os ultimos meses andei visualizando alguns videos de expatriados que vivem por este mundão à fora. Alguns no Canadá, outros na Austrália e muitos nos Estados Unidos. Percebi uma certa particularidade entre todos nós expatriados, independente da cultura a qual estamos inseridos. O problema maior é sem duvida alguma a falta de uma vida social normal, ou seja, tendemos  sempre a buscar "iguais" , e as nossas amizades acabam sempre sendo com pessoas de mesma origem , no caso , brasileiros, ou expatriados de outros países. Somos "iguais", somos todos estrangeiros. 

É ilusão pensar que viver no exterior é algo glamouroso, sempre estaremos com aquela sensação de que não pertencemos a aquela cultura. É o tal complexo de estrangeiro. 

Por mais que os nativos locais sejam abertos , as nossas referências são outras, o nosso senso de humor é outro. Não dá para imitar o Silvio Santos , por mais que seja parecido, e arrancar risadas em meio a um grupo de canadenses , por exemplo. Pior ainda são as nossas referências e lembranças da infāncia que por muitas vezes nos comovem ao lembrar o cheiro do arroz com feijão e farofa , preparado pela nossa maē. Um japonês com certeza não apreciaria o aroma, e nem entenderia o significado de tais recordações . 

Já me ocorreu de ser a unica brasileira convidada para participar de um "nomikai" ( bebedeira) japonês , e apesar de todos os convidados  serem colegas de trabalho ( até certo ponto intimos) , eu me via deslocada e sem assunto quando eles começavam a falar sobre algum assunto tipico da cultura japonesa, ou quando faziam menção a algum comercial de tv que se tornou famoso por ironizar certas   manias  e habitos que só os japoneses entendem. Nestas horas eu compreendo que a barreira maior para nós expatriados ,  nunca será apenas a lingua, e sim as nossas referências culturais.

Tenho amigas que vivem aqui em terras nipônicas hà anos, e já até trocaram a nacionalidade. Vivem com a familia e em residencia fixa. Mas todos reclamam de uma vida social normal. A grande maioria nem tem amigos japoneses e vivem em comunidades pequenas. 

Apesar de ter feito algumas amizades com japonesas por aqui, são poucas as que posso considerar amigas de verdade. Mesmo assim, creio que sou a unica que ainda possui amigos  nativos japoneses , meus amigos brasileiros nem se quer falam o japonês fluentemente. Pior ainda, não possuem nenhum interesse em aprender a lingua , e muitos nem compreendem as diferenças culturais . Nunca se deve tratar um japonês da mesma forma que tratamos um brasileiro, e nem comparar comportamentos sociais. Seria preciso compreender a mentalidade japonesa para julgar e fazer comparações. 

Assistindo aos videos de youtubers pelo mundo , e compreendendo que um expatriado será sempre um eterno expatriado, em qualquer parte do mundo, fico até mais conformada com a minha situação aqui em terras nipônicas, mas ao mesmo tempo, fico com aquela sensação de frustração ao perceber que nenhum lugar no mundo será totalmente nosso . Nem mesmo o nosso país de origem...