domingo, 20 de dezembro de 2015

Amor verdadeiro



Há anos venho tentando escrever algo sobre o tal do "amor verdadeiro" e nunca consigo. Claro, para escrever sobre este assunto é preciso ter vivido tal experiência ou no minimo ter uma alma poética. Infelizmente no meu caso , nem uma , nem outra . 

Por um tempo até acreditei que o "amor verdadeiro" pudesse acontecer para mim, mas com o passar do tempo percebi que o tal "amor verdadeiro" que eu tanto desejava era um conto de fadas. A minha idēia de um "amore vero" era muito novelesca , ou seja, a minha experiência no amor era praticamemte nula e aquilo que eu aprendi foi nas fotonovelas dos anos 80 e nos desenhos da Disney.

Custei a entender que o amor vem da capacidade de amar de cada um, e que ele nunca vem de presente pra ficar pra sempre. O amor oscila e nem sempre é incondicional.

Amor de maē, tão pouco é incondicional . Ilude-se quem pensa que todas as maēs são programadas para amar aos seus filhos incondicionalmente. Não questiono o instinto maternal de salvar um filho em risco, de dar a propria vida , mas no dia-a-dia a coisa é bem diferente. Amor de um filho pelos pais então, piorou. O amor que damos depende muito do amor que recebemos ainda no ventre materno. 

O amor verdadeiro existe sim, mas nem todas as pessoas são capazes de cultiva-lo simplesmente pelo fáto de nunca terem provado dele. Pior ainda quando se trata de uma pessoa que além de ter nascido no seio de uma familia fria ainda tem o azar de nascer com a Venus em Capricornio. 

Em algum momento da vida eu achei que não era capaz de amar a ninguém incondicionalmente, afinal de contas, nasci em uma familia japonesa e ainda de quebra Capricorniana. Juntou a frieza nas expressões de afeto com a racionalidade Capricorniana e deu no que deu. Nunca amei ninguém na vida, na verdade eu achava que amava, mas era só apego, paixão e alguns equivocos.

Fui aprender só um pouquinho sobre o amor no convivio com um pequeno ser de quatro patas que entre lambidas, abanos de rabo e rosnadas , me ensinou o que é o amor incondicional e a lealdade. 

Até o momento ( e olha que eu ja vivi muito) , é apenas este pequeno ser de quatro patas que conseguiu encher os meus olhos de lágrimas de saudades. É também o único ser vivo que quase quebrou a pata ao pular de uma cadeira e correr em minha direção quando me viu chegar. É o único ser vivo que me olha fixo nos olhos , como se quisesse me desvendar e depois simplesmente deita a cabeçinha no meu ombro e suspira. 

Será que um dia serei capaz de sentir tanto amor assim por um ser com menos de quatro patas? Acredito que não. O amor e a lealdade dos caēs é muito diferente do amor humano, e talvez o ser humano nem seja capaz de tanto amor assim . O ser humano é muito ocupado e nem caberia em sí de tanto amor, seria quase um idiota.

Conclusao: existem amores e amores. Comparar o amor daqueles pequenos seres de quatro patas á capacidade de um ser humano de amar é covardia. O ser humano é o único animal racional, portanto, nunca poderá amar como os anjinhos de quatro patas. Razão não combina com amor. 

O ser humano sempre irá nos decepcionar ou impor condiçōes em algum momento, e isto é o normal. Anormal é viver sonhando com contos de fadas e querer amar a alguém feito um ser de quatro patas.


Partir é preciso



Tudo corria aparentemente bem, só que não. 
Faltando apenas uma semana para a minha viagem de regresso ao Japão e o inevitável aconteceu. Mais uma discussão familiar. E tudo o que eu queria era me despedir de todos , assim, como quem vai até Atibaia e volta logo. 

Despedidas são imensamente tristes e em algumas ocasiões , ao menos para mim, traumatizantes. Tento ao máximo evitar que familiares proximos estejam no aeroporto porque é doloroso demais, mas por muitas ocasiões fui mal interpretada, taxada de fria e indiferente por querer sempre ir embora sozinha, pegar um taxi, um ônibus executivo e dizer adeus apenas para as paredes e o portão de embarque. 

Para nós que vivemos do outro lado do oceano, por vontade própria ou por falta de escolha, desapegar-se de quem fica se torna crucial para a própria saúde fisica e mental. Costumo dizer que criei uma couraça, uma casca grossa para suportar a distância e a solidão de viver longe, bem longe de onde viemos. Apesar desta couraça, e de tantas idas e vindas , ainda é muito triste partir. 

Quando partimos sempre deixamos algo para trás, não importa se foram apenas paisagens, pontos turîsticos , amigos ou familiares. 

O dia do meu tão esperado embarque está chegando, e por mais que eu esteja habituada a administrar friamente e racionalmente as minhas idas e vindas, o meu coração ainda fica muito apertado. 

Eh, se tem uma cena na minha vida que parece verdadeiramente tirada de uma novela dramática mexicana, esta cena é a do embarque no aeroporto. Estranhamente, aquela sensação dolorosa do "partir" vai se amenizando quando entramos no avião. Pelo menos para mim, tem gente que começa outro drama dentro do vôo. Para mim é como se fosse um divisor de àguas e lá no portão de embarque vou me despindo de tudo que ficou e me preparando para o novo. Sei lá, assim é mais fácil administrar a dor de partir. Não penso em quem ficou, penso apenas em quem irei reencontrar . 

Pior do que ter que administrar a dor de ter que partir , é partir com o coração despedaçado após conflitos    familiares, sempre vai doer mais para aquele que partiu sozinho, podes crer. 

Mais uma vez terei que usar o meu divisor de àguas , o portão de embarque, para deixar um pouco desta dor para trás, nas paredes , nos corredores . Visto então, a minha couraça ( casca grossa) e sigo em frente, sem olhar para tràs. Uma lágrima sempre escorre pelo rosto, é de praxe...mas ninguém vê, só as paredes do embarque.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Preguiça verbal



Tenho percebido em mim um certo hábito de contactar as pessoas somente por mesagens. É um tal de recadinhos pelo messenger, saudações pelo facebook e bate -papos pelo Skype sem àudio. Ah, falta o whatszaap que não baixei no meu celular brasileiro porque ele não tem memória o suficiente. 

No começo foi apenas  uma questão de economia, afinal, mandar mensagens é muito mais barato do que fazer ligações pelo celular. No Japão já aboli o telefone fixo, optando por um celular pre-pago e um Ipad com conexão 3G . A maioria dos meus amigos me contactam por messenger porque eu dificilmente atendo o celular, a não ser que eu esteja esperando alguma chamada, caso contrário o deixo desligado , ou simplesmente esqueço de carregar a bateria. 

Aos poucos , a tal "economia" se converteu em preguiça. Sim, preguiça de falar ao telefone. Fui percebendo com o tempo que as mensagens de texto eram muito mais eficientes, ou seja, se você precisa cancelar um compromisso e não está lá com muita vontade de ficar se desculpando ( dá preguiça) , basta mandar uma mensagem de desculpas e um emoji com uma carinha triste...et voalà!

Se a pessoa que recebeu a mensagem ficou chateada ou não , com o inconveniente de desmarcar um compromisso em cima da hora , será um problema apenas dela porque a mensagem de desculpas já foi enviada e você nem vai ter que fazer aquela cara (forçada) de quem está chateadíssimo também, porque na realidade você nem está aí. Facil não?

Aos poucos vamos nos habituando a este tipo de conversação escrita e quando recebemos uma chamada telefônica nos apercebemos da falta de paciência em falar por mais de 10 minutos ao telefone e a falta de "emojis" na conversa. 

Rir mentalmente se tornou  um hábito e aquelas expressões escritas do tipo : " "hahaha" ou " kkkkkk" não tem a mesma simbologia ou expressão nas conversas verbais. O " kkkkkk" verbal perde a força, fica curto e sem graça. 

Camuflar a agressividade e o mau humor também é outra facilidade nas conversas digitais. Ninguém vai perceber que você está de pijama , com olheiras, descabelado (a) e com um humor terrível em pleno sabadão à noite . Basta clicar em vários "emojis" sorridentes e escrever pouco.

Com tantas facilidades virtuais e digitais, quem é que está disposto a ficar mais de meia hora ao telefone fazendo uma "social"? Tem gente que adora, eu já não. 

Isto não quer dizer que eu não goste de uma  boa conversa "face to face" regada a uma taça de vinho,  em algum lugar simpático e aconchegante com gente simpática e interessante, é apenas a preguiça de falar verbalmente à distância que tomou conta de mim. 

A culpa é dos "emojis" , kkkkkkkkk ( curto, sem som e com um leve franzir de testa).


terça-feira, 10 de novembro de 2015

Nada é por àcaso



As pessoas mudam, mas os planos nem sempre...

Estrategista, esta é uma palavra que me definiria muito bem, afinal, eu me considero 100 % capricorniana , e todo bom Capricorniano além de realista é um grande estrategista. 

Muitas coisas mudaram na minha vida e na minha visão de vida como um todo no decorrer dos ùltimos anos. Segui a massa, tentando ser igual a todo mundo . Não deu certo. Decidi então, ser eu mesma. Não que tenha dado certo, mas os caminhos que decidi percorrer foram muito mais emocionantes e interessantes, quanto a isso , não restam dúvidas. 

Muita gente me chamou de louca, doida e irresponsável, mas ninguém sabia que todos os caminhos tortos ( divertidíssimos) que percorri faziam parte da minha estratégia. Sim, apesar de não parecer, tenho planos bem claros e objetivos pra aquilo que quero pra minha vida, e tudo, absolutamente tudo que faço tem uma razão, uma meta, uma estratégia muito bem pensada. 

Nas minhas horas de folga aqui em terras tupiniquins ando atualizando o meu perfil nas redes de relacionamentos e respondendo docemente e educadamente a todos que me escrevem de Portugal, da Italia, Espanha, Suiça e até mesmo dos Estados Unidos. Para quem me vê tão ociosa , respondendo a mensagens que chegam de todas as partes do mundo, parece ser apenas uma distração ( não deixa de ser) , mas para quem é estrategista e até mesmo oportunista ( no bom sentido) , nada é feito ao acaso. 

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Tédio




Creio que nunca vivi um periodo tão longo e tedioso como este, ou será que já? 
O pior é que o tédio sempre vem acompanhado de uma boa over-dose de ansiedade que sei lá por que cargas d'agua vem junto com uma preguiça braba, daquelas que não dá vontade nem de ter esperança pra ver amanhecer um mundo melhor.

É , o grau da minha ansiedade está braba. Ainda tenho algumas amigas pra rever, mas sei lá , não estou com vontade de ir reve-las. Em compensação, estou louca pra rever minhas amigas que estão no Japão, voltar a trabalhar, redefinir minha residência,pagar meus impostos, minhas contas que já devem estar bem atrasadinhas e voltar a ser produtiva. Tres meses de saldo negativo, ou seja, só gastando e me dando ao luxo de pagar meu tratamento dentário em dolares. 

Nem yoga, nem meditação , nem chazinho de camomila. As energias marcianas do momento pedem ação e não tranquilidade e relaxamento. As vezes buscamos nestes metodos misticos espirituais a solução para as nossas aflições, mas aquilo que resolve eficazmente toda essa comichão é "andare via" , ou "andare avante", ou andare pra onde for. Enfim, movimento , e de preferência algo que dê lucro a curto prazo.

É nestas horas de ócio em terras tupiniquins que eu me dou conta do quanto sou feliz , do quanto eu me resolvo sozinha e do quanto a vida responde rápido estando lá do outro lado do planeta.

Momento de espera e muita, mas muita ansiedade que já se transformou em preguiça. Preguiça de Brasil!








quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Viagens mentais



Jupiter em conjução ao meu Sol Natal trazendo tendências expansivas à minha vida. Pelo menos assim espero!
Enquanto espero, porque este é mais um momento de espera, vou expandindo a minha mente, viajando nas minhas recordações. A cada dia que passo aqui em terras tupiniquins tenho mais certeza de que aqui não é o meu lugar. Não é por nada em específico, mas muitas vezes nascemos em um lugar , cidade ou paîs que nos serve apenas de referência. Raîzes é pra quem quer estar plantado , literalmente enraizado em um mesmo lugar, preso a pessoas, lugares e circunstâncias que tragam um sentimento de segurança , ou seja, apego mesmo. 

Estava olhando as minhas fotos dos ùltimos anos . Meu Deus! Como fui abençoada em poder estar em tantos lugares , em viver tantas emoções ( boas e ruins, às vezes péssimas) , conhecer tanto sobre o mundo , modo de viver, pensar, e o melhor de tudo, conhecer a mim mesma sem levar em consideração aquilo que os outros "acham", pensam ou julgam . Cada ser è unico, e cada pessoa ve o mundo através da sua propria janela.

 Quem nunca viveu a experiência de se aventurar  pelo mundo , se abrir  para o novo e o desconhecido não tem a capacidade de entender quem optou por este modo de viver e administrar a propria vida sem se prender em raízes e memórias. As minhas memórias, eu as levo comigo pra onde eu for . Viver è recordar, e aquele que possui um vasto album de recordações que não se prende  a um unico lugar , pode considerar-se um felizardo.

As vezes me esqueço de agradecer ao Altissimo por todas as bençãos recebidas , por vezes em momentos cruciais que só Ele mesmo pra dar uma força. 

Obrigada Deus por todas as bençãos recebidas e por muito mais que vem pela frente!

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Ainda de férias

K

Ociosidade total ha mais de três meses em terras tupiniquins , e o meu grito de guerra neste meu atual   momento é : - Eu não aguento maaaaaaaaaisssss!

Para mim, creio que um mês de férias é o suficiente , o segundo mes já começa a ficar chatinho, a grana vai encurtando, os passeios com os amigos também, e aquilo que resta sempre é aquela maldita preguiça  e a falta do que fazer. 

E pensar que a alguns meses atràs eu estava ralando de um lado ao outro do Japão, fazendo horas extras infinitas, mudanças de um lado ao outro do país. Creio que me mudei umas tres vezes ou mais nestes meses anteriores a minha vinda ao Brasil. A minha vida estava uma loucura de instável, mas as coisas aconteciam muito rapidamente. Em contra-partida, a vida aqui do lado de cá è muito lenta e cheia de demoras. 

Obviamente que se eu estivesse estudando, namorando e trabalhando , o tempo não seria tão longo, mas não é o caso. Não estou à procura de um emprego e nem tão pouco de compromissos , o meu tempo aqui em terras tupiniquins é de pura espera. 

Aí vocês vão dizer (ou pensar) : Mas porque essa daí não aproveita o momento e vai se divertir? 

Pois é, até pra ocupar o tempo e ser feliz é preciso ter no minimo, além de boa vontade, uma reservinha no banco. As minhas reservas ja se esgotaram e agora o jeito é esperar por mais um loooooooongo mes ou mais, afinal, aqui no Brasil quando vai chegando o final do ano o país vai parando . 

Eu quero morrer quando alguém me diz, em pleno mês de Outubro , que agora só no ano que vem. Why????? Como assim? Ainda estamos em Outubro e tem gente que já está querendo empurrar coisas pro ano que vem? Mas quantos meses do ano são considerados produtivos neste país de meu Deus?

Ainda estamos em Outubro e desde Julho tenho visto panetones,chocotones e mais uma infinidade de produtos para o Natal. Eh! Parece que o brasileiro tem pressa , pra  que este ano termine o mais  rapido possivel. Mas como o Brasil é Brasil, já sabemos que o ano termina em Dezembro e só começa o proximo ano depois do Carnaval. 

Não sei quanto aos outros, mas para mim, a pior época do ano para se estar no Brasil é entre novembro até março. Time is money minha gente! E o Brasil vai simplesmente diminuindo...diminuindo...diminuindo a marcha até quase parar. 

Talvez pra quem nunca viveu fora do Brasil a percepção seja outra, mas para nós que ja passamos muitos Natais fora do nosso amado país, a sensação é de uma inércia terrível. Coisa que não ocorre em outros países. Talvez porque lá nos outros países não exista a preparação pro Carnaval. 

Creio que me acostumei tanto com a vida rápida no Japão, que esta morosidade brasileira me incomoda profundamente. 

No momento, aquilo que me resta é respirar, espirar (yoga) e esperar , tentando controlar ao máximo esta ansia que me corroi o estômago. 


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Capricornio x Saturno

'



Não tem jeito! O mundo acha que nós Capricornianos  somos chatos, inclusive euzinha!

Eu faço  mil buscas na net sobre Astrologia, e quando o assunto é Capricörnio, até mesmo os melhores astrólogos acabam sempre soltando algum comentário depreciativo sobre nós Capricornianos. Uma vez uma astróloga e sensitiva super conhecida na midia fez um comentário sobre os Capricornianos dizendo que somos muito pesados. Ela ainda disse : - Ihhhh, Capricornianos são todos muito complicados porque quase todos são sensitivos e pesados.
Um outro astrólogo estava em um programa da Rede Tv , falando sobre as características de todos os signos e quando chegou no Capricornio ele até mudou o tom da voz para dizer : - Ahhh, Capricornio é terra, muito racional, é frio demais.

Será que sou eu que estou com mania de perseguição ou somos verdadeiramente chatos?

Outro dia na aula de yoga, em meio a tanta gente sorridente, leve e simpática , tinha uma que me pareceu um pouco antipática , mas fiquei na minha porque apesar dela ter um sorriso forçado sempre foi muito educada.  Depois de umas quatro aulas e já acostumadas uma com a presença da outra, estavamos conversando com o professor de yoga quando esta moça meio antipática, meio seca, meio pesada e de sorriso forçado me perguntou qual era o meu signo. Quando eu respondi que era Capricörnio, ela soltou um grito : - Eu sabia!!! Eu sabia que você era Capricorniana! Só podia ser!!!Eu também sou!

Naquele instante eu não sabia se eu ria  , ou se chorava por ela ter se identificado tanto comigo, ou por simplesmente  me observar e  ter me identificado Capricorniana.

E eu que achei ela tão antipática , seca e pesadinha desde a primeira vez que a vi? Eu poderia estar olhando e criticando o meu proprio espelho.

 E se ela me identificou, pior, se identificou comigo como Capricorniana sem nunca ter conversado comigo, apenas me observando nas aulas de yoga, então a coisa tá feia!

As vezes observo o comportamento de alguns amigos e amigas que apesar da intimidade ainda os percebo com um pé  atrás. Como se estivessem se policiando o tempo todo, sendo menos espontâneos, cheios de dedos e formalidades comigo, ao passo que, com os outros não são. 

Esta percepção me incomoda profundamente. No fundo, eu como Capricorniana, regida por "Chaturno" ,,queria  ser mais leve e sociável , mas tá aí uma coisa que não dá para nós Capricornianos. Podemos até ser muito sociáveis , adorar festas , reuniões com amigos, mas ser leve é querer demais. 

Para agravar esta aura pesada que Saturno nos oferece, eu ainda por cima sou um pouco grossa , rispida demais ao falar , e o tom da minha voz é quase de um transexual em tratamento hormonal. Então já deu para sacar que eu sou a típica amiga "chata" que os amigos mais chegados aprenderam a gostar e a respeitar, mas que jamaissssss em momento algum seria a melhor companhia para sair , beber, encher a cara , rir muito, e viver a vida adoidado porque simplesmemte isto não combina comigo. 

As vezes eu gostaria que ao menos os meus amigos e parentes mais proximos não tivessem tanto receio da minha sisudez Capricorniana  e provassem relaxar um pouco na minha presença "chaturnina". Logo que percebo o receio das pessoas eu automaticamente me travo, oque não é legal, mas é uma reação natural do meu regente Chaturno, e fica sempre no ar aquela atmosfera pesada . 

Não sei se isto ocorre com todos os outros Capricornianos, afinal, tudo depende do ascendente e da Lua também, mas confesso que estou ficando cansada de perceber, captar , emanar, introjetar ( expressão de Alberto Roberto) , as emanações do meu regente Saturno. 

Depois de conhecer esta Capricorniana que faz yoga ha mais de dez anos e ainda não conseguiu sublimar o seu caráter Capricorniano , fiquei meio desapontada, afinal , o meu objetivo no yoga era o de trazer um pouco de leveza para as minhas vibrações. 

Deus, na outra vida eu gostaria de nascer com o meu regente em Jupiter! Capricorniana sempre!!! Saturno não mais! 




quarta-feira, 7 de outubro de 2015

São apenas diferenças


                  Uma praça qualquer...


Quando vivemos por um largo tempo fora do nosso país, é inevitável que a cada retorno começemos a fazer comparações, positivas ou não. O retorno e a readaptação a realidade brasileira é sempre muito dura. Pelo menos para mim sempre foi assim.

Coisas simples como pegar um ônibus me causa  um certo desconforto. Aqui na cidade da minha tia, alguns ônibus possuem duas catracas, alguns tem cobradores, outros não. E o troco? Quase ninguém tem troco , e não é troco para 10,00 reais não, é troco para 5,00 reais. Outro dia andei de graça , desci pela porta da frente porque o cobrador não tinha troco. Nos supermercados também não é diferente. Nem pense em dar uma nota de 50,00 reais no caixa para pagar um produto que custa 15,00 reais. Aliás, quando o preço do produto é 14,90 , ou 9,99 reais, eu fico que nem idiota esperando o troco que não vem. Parece obvio não devolver centavos. 

E as ruas? Totalmente bombardeadas por fezes caninas. Alguns donos de caēs tem o bom senso de levar sacolinhas para recolher  as fezes de seus animais de estimação, mas nem todo mundo tem esta consciência. 

E o lixo jogado nas ruas ? Quanto mais avançamos para o suburbio de São Paulo, mais sujeira e muros pichados. Deixa a impressão de que suburbanos não gostam de limpeza, e que pobreza é sinal de imundice. 

Detalhes, coisas do dia-a-dia, que se tornam comuns aos olhos de quem vive dentro desta paisagem, e ao mesmo tempo retratam a mentalidade de um povo . 

Não quero estar afirmando que não existem coisas boas no Brasil, existem sim. E o melhor de tudo nesta terra de ninguém, é sem dúvida alguma o calor humano  e a simpatia do povo brasileiro. Talvez seja isto que me alegra todas as vezes que tenho que retornar ao Brasil. 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Vênus & Netuno



Quando Vênus faz algum aspecto com Netuno pode ter a certeza de que os céus estão aprontando alguma armadilha para o seu pobre coração . Em bom aspecto , Netuno tende a nos envolver em um mar de quimérias e sonhos utópicos que podem até ser vivenciados com muito prazer , porém,  o excesso de idealização e nebulosidade deste aspecto pode criar situações que não funcionam na vida prática. 

Passaram-se dois meses desde que começei o meu tratamento dentário , e como eu já previa , me reapaixonei pelo meu dentista. Eu ja trato meus dentes com ele hà mais de dez anos. 

Aliás, quem nunca se apaixonou pelo seu dentista que jogue a primeira pedra. A relação paciente-dentista é próxima demais, até arriscaria dizer intima demais.

 Quem é que conhece o interior da sua boca melhor do que o seu dentista? Quem já te viu sem o ponta direita , ou sem o time todo e nem se aterrorizou com a imagem?Quem é que tem o "poder" de nos devolver sorrisos alinhados, funcionais e  estéticos?

Sim, apenas ele, o seu dentista de confiança. 

Confiança, esta é a palavra mágica que descreve a minha relação paciente-dentista. Para mim que sou Capricorniana com a Lua em Escorpião, confiar cegamente em alguém é tarefa quase que impossível , mas a confiança que deposito e provo pelo meu dentista é algo que vai além (completamente netuniano) de tudo que já vivi na minha vida no quesito "confiança". 

O mais interessante desta minha relação paciente-dentista é que existe uma certa reciprocidade na confiança que depositamos um no outro . Perceber tal empatia a cada consulta me enche de prazer e satisfação. 

Estamos planejando o meu proximo retorno,  para a segunda parte do meu tratamento , para daqui a mais um ano ou dois. E assim será. Retornarei novamente, de onde eu estiver . 

Além da confiança já existente nesta relação Venus X Netuno ( paciente-dentista) outro detalhe não menos significativo vem selar esta relação, a lealdade. 

Enquanto Vênus enxergar a Netuno com tamanha idealização a relação vai se desenrolando naturalmente , inundada de gentilezas e delicadezas. Eu (Vênus) , nem quero sair deste mar de nebulosidade (Netuno) e confiança cega. 







quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Humores Capricornianos



O sol decidiu sumir aqui em terras paulistanas, e para a felicidade de muitos paulistas e paulistanos que estavam sofrendo com a falta d'agua, São Pedro decidiu deixar as torneiras do céu abertas por um bom tempo. O tempo virou e aquele calor seco se transformou em tempo umido e chuvoso com trovejadas e baixa temperatura. Como não poderia ser diferente, eu peguei um resfriado basico por conta  destas mudanças  bruscas na temperatura. 

Hà mais de 5 ou 7 anos que eu não pego nem gripe, nem resfriado e nem influenza em terras nipônicas, mas è só eu apiar em terras paulistanas que rigorosamente devo pegar pelo menos um resfriadinho básico. 

Enfim, tempo chuvoso, céu nublado, e aquela sensação de : - Ai! Quero sumir daqui!

Claro que estar novamente entre amigos e parentes tem sido maravilhoso, mas eu preciso estar sozinha pelo menos uma vez por semana para recuperar as minhas energias, meditar, sossegar, aquietar , ou seja lá oque for. 

Alguns reencontros aqui em terras tupiniquins tem sido prazerosissimos, outros nem tanto. Tem muita gente querendo competir com a minha "chaturnice" , e por vezes , suportar certas chatices humanas me rompe le palle. Tá certo, eu admito que sou chata, afinal sou regida por Saturno, portanto, nem poderia ser diferente, mas tem gente que consegue ser chatinha ,repetitiva e enjoativa. 

Deus, afastai-os de mim, ou salvai-os de si mesmos, porque eu não tenho paciência, mas ao mesmo tempo não quero magoar ninguém. 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Impressões de uma viajante


Hoje começa o mês de setembro , O   Sol està  à pino,  derretendo os miolos. Quase dois meses de Brasil e eu já estou cansada dos ares de um país que um dia chamei de "minha pátria". 
Como sempre, todas as vezes que volto ao Brasil a sensação é de que o tempo é mais longo e de que as coisas demoram muito a acontecer. Desta vez està um pouco pior. 

Ares de desânimo e pessimismo com o futuro da economia brasileira por todos os lados. E agora para piorar , o reflexo da crise chinesa parece estar dando pequenos efeitos na economia do Brasil. Imagine como serà na Àsia? 

Para uma Capricorniana da gema como eu, o cenário atual da economia global sempre traz muito pessimismo. É inevitável. 

Para piorar as minhas impressões pessimistas em relação a economia global, em especial a economia brasileira, na semana passada dois trombadões roubaram o carro da minha prima em plena zona residencial na zona leste de São Paulo. Eu que já ando um pouco neurótica com os assaltos a mão armada de São Paulo, fiquei só mais um pouquinho neurótica . 

Decididamente eu perdi a minha pátria. Se em epocas passadas eu tinha alguma objeção quanto a qualidade de vida na metrópole paulistana, o atual cenário me desalenta mais ainda.


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Simplicidade



Viver muitos anos longe da nossa pátria , longe da família e amigos mais intimos , que de alguma forma foram um exemplo ou modelo a ser seguido (ou não) , nos ajuda a mergulhar profundamente no nosso verdadeiro self. A nossa essência. 

Voltamos a ser aquilo que éramos antes de sermos condicionados pela sociedade a seguir os passos da maioria. Tudo se torna mais claro e compreensível quando as máscaras começam a cair, pouco à pouco. As verdades  começam a perder o seu tom, e em seu lugar restam apenas dúvidas. 

Certezas, não as tenho mais. A vida é feita de meias-verdades , e aquilo que serve para mim pode não servir para o outro. 

Não vejo a dúvida como algo mal ( hoje não mais) , ela nos obriga a sair em busca  de respostas. Viver  é estar em eterna metamorfose. E na minha atual visão das "meias verdades" da vida, o mais importante é saber conviver com a essência de cada um, que é repleta de simplicidade. 

" o essencial é invisível aos olhos" 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Em terras tupiniquins

   A avenida Paulista , sempre tão diferente de toda a São Paulo. Adoro caminhar por estes lados .



Diário de bordo - 4/08/2015 - Brasil - São Paulo  


Praticamente recèm chegada em terras tupiniquins (20 e poucos dias) , e a impressão que tenho é de já haver passado meses. No dia seguinte à minha chegada já tinha consulta marcada com o meu dentista . Sim, ele é "meu" porque eu o escolhi a dedo , entre tantos outros que já passaram pela minha boca....ops....pela minha vida.

 Logo na primeira semana já começamos com extrações , enxertos e implantes. Meu rosto ainda está bem inchado da cirurgia de levantamento de seio maxilar. É tipo, abrir um buraquinho no maxilar e encher de osso ( em pó) os espaços vazios do seio maxilar . Além desta cirurgia ainda fiz dois implantes pra aproveitar a cirurgia. Resumindo, sofri pra dedéu e me endividei toda com o meu dentista. 

Apesar do sofrimento e da facada que está sendo este meu tratamento dentário, ainda estou bem tranquila em relação ao tratamento em si e a divida . Sei lá! Algo me diz que tudo vai dar certo , no tempo certo. 

À parte do meu tratamento dentàrio, não tenho feito nada de diferente. Ainda não me encontrei com os poucos amigos que tenho por aqui , e pra dizer a verdade, ainda não sei dizer a quantas anda o Brasil. Assim como quando eu lia os noticiários brasileiros lá do Japão, ainda não consegui sentir na pele a verdadeira situação economica brasileira. Talvez eu nem queira sentir. 

O periodo é de espera, não tenho planos de permanecer por aqui. A minha vida ainda està muito ligada ao Japão, e se tudo correr dentro do esperado, dentro de no maximo tres meses estarei retornando ao Japão. País este que me acolheu muito bem e que aprendi a respeitar. Afinal, a minha vida começou a ter sentido à partir do momento em que aterrizei em terras nipônicas. Foi um grande e longo periodo de autoconhecimento, de solitudine e de paz interior, apesar dos pesares de se viver em uma sociedade culturalmente diversa à brasileira e das provações que passamos quando decidimos deixar a nossa zona de conforto e saímos por aí, em busca de nós mesmos. 




quarta-feira, 1 de julho de 2015

Chuva e compras

      Minha mais nova aquisição feita pela internet. 

Os meses que antecedem o verão japonês são de um largo periodo de chuvas que só vão terminar lá pelo  inicio de Agosto . E como estamos em junho , o auge  da temporada de chuvas no arquepèlago japonês, cá estou eu trancada no meu apartamento sem poder ir a lugar nenhum.

Tenho mil coisas por resolver durante a semana, mas como sair com chuva e ventos fortes? Fico aqui esperando que o dia seguinte seja menos chuvoso ou que o vento esteja a pelo menos uns 16 kmp/h. Enquanto eu espero o tempo melhorar a minha preocupaçáo maior é apenas o de acordar cedo para receber as compras que fiz na net. 

Já chegaram 3 encomendas em tres dias alternados. Agora faltam só os meus suplimentos tailandeses e a minha bolsa da  "Guess" que comprei por apenas cerca de 90 u$. 

Faça chuva ou faça sol os entregadores japoneses não atrasam a entrega , e com certeza até amanhã estará chegando mais uma encomenda. 

Adooorei a mala vermelho cereja que  comprei no Amazon.jp . Ela é tudo e um pouco mais  . Aliàs, tudo que eu comprei na Amazon japonesa é muito melhor do que o anunciado. 

Espero que atè amanhã o tempo melhore um pouco para que eu possa me locomover de bike até o ponto de ônibus , ou ir a pé,  sem que meus sapatos fiquem encharcados. Caso contràrio vou seguir aqui comprando tudo que preciso pela Amazon.jp.

Enquanto eu escrevia este texto me chega um novo email da Amazon.jp , avisando que a minha bolsa Guess já seguiu para a transportadora. Isto quer dizer que amanha tenho que levantar cedo de novo. 

Chuvinha por favor! páre agoraaaa! Essa Amazon.jp é eficiente demais e eu estou à toa demais no meu apartamento . Daqui a pouco vou querer encomendar até Pizza pela Amazon japonesa.