sábado, 29 de fevereiro de 2020
Passando por todas as crises do século
Viver no Japão nos tira a tranquilidade de viver uma rotina "normal" por longos periodos. Aqui na terra dos samurais as coisas quando acontecem tem proporções gigantescas e rápidas. Talvez seja por causa do tamanho do país. Vai se saber...
Todas as crises economicas que passei desde quando cheguei em terras nipônicas foram rápidas , tanto para acontecer , como para terminar. As coisas acontecem em outra velocidade por aqui. Pelo menos é esta a impressão que tenho quando comparo o Brasil com o Japão.
Agora enfrentamos uma outra crise com as negociações entre a China e os Estados Unidos. Basta o Donald Trump dar alguma declaração publica desfavorecendo a poderosa China que o mercado financeiro japonês reage imediatamente. Além da crise econômica temos agora uma nova crise originária da China , o tal Corona Virus. Não só a produção de muitas industrias no Japão e no mundo foi afetada como também a saúde pública mundial.
Não há como ignorar esta realidade e tentar levar uma vida normal. Por mais que o governo tente não alarmar a população , este virus pode trazer inúmeros prejuízos não somente na saúde como no financeiro de todas as pessoas que vivem no Japão. Desde as grandes industrias até o trabalhador comum.
Por exemplo, caso um trabalhador comum tercerizado seja afetado pela doença , será obrigado a ficar em casa por no minimo quatorze dias. Se você trabalhador não tem yukius( ferias remuneradas ) terá um prejuizo imenso no orçamento mensal . Pelo menos os exames e o tratamento contra o Conora Virus serão subsidiados pelo governo . Menos mal. Imagine ter que ficar internado em um hospital e arcar com a diária de uma internação por uma semana que seja, além de perder dias de trabalho?
Para não ter que passar por imprevistos o meu conselho é : economize ao menos 10% de seu salário mensal para futuras eventualidades. Não há como viver em um país estrangeiro sem possuir uma economia ( poupança) para casos de desastres naturais e crises economicas. Nós estrangeiros somos a ponta fraca da corda. Portanto , prevacaver-se é o melhor método para sobreviver nestes tempos de crise.
Não viva no Japão como se vivesse no Brasil. Aqui as coisas acontecem em outra velocidade.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020
Amizade com japoneses
Quando se vive em um país diferente à nossa cultura , eu acredito que é mais que necessário aprender a lingua e os costumes do local para nos sentirmos mais inseridos dentro da realidade local. Porém, fazer novos amigos é um grande desafio. É preciso ter paciência!
Talvez a paciência seja o fator determinante para uma boa adaptação em qualquer país . Não fazer comparações culturais , por exemplo. Cada país tem a sua cultura e ela deve ser respeitada.
Apesar de ter esta consciência , às vezes me pego impaciente com os absurdos que ouço de alguns japoneses . E se estava nascendo uma nova amizade , ela simplesmente vai por àgua à baixo.
Certa vez conheci um engenheiro japones no meu trabalho. Ele era um japonês bonito ( coisa rara), alto e muito inteligente. Até rolou um certo clima entre a gente , e a japonesada torcia para que nós namorassemos ou coisa do gênero. Mas,....... um belo dia ele me perguntou se eu era portuguesa pelo fato de eu falar português. Aí não deu mais! A decepção com a ignorância dele foi demais pra mim. Não dá pra começar nada com alguém que simplesmente desconhece as nossas origens básicas. Sendo que , a fabrica onde eu trabalhava era lotada de brasileiros descendentes. Não rolou nem uma saida para um karaokê. Acabava ali o que nem tinha começado.
Ontem, aconteceu algo parecido comigo e uma japonesa que já conheço hà anos. Inclusive saimos juntas muitas vezes para almoçar fora , ir ao shopping, e ela já me ajudou algumas vezes sendo minha fiadora aqui em terras nipônicas. É uma relação longa de mais de dez anos , mas não consigo aprofundar a nossa amizade , que aliás, é bem conflituosa.
Enfim! Vamos ao ocorrido. Ela me perguntou se eu sabia o que era ano bissexto. What???Fiquei com uma cara de espanto e respondi que qualquer pessoa sabe. Pra piorar a situação ela me desafiou a explicar o que era. Respondi que não sabia como se falava em japonês , mas que em portugues é ano bissexto. Ela começou a rir ( meio sem graça) e soltou essa: - Ahhh, vocês também tem ano bissexto? What?????
Por essas e outras , eu simplesmente não me animo a fazer amizades com japoneses. É preciso ter muita paciência e compreender que o Japão é uma ilha e de certa forma isolada do resto do mundo. Nem todo japonês é viajado . Nem todo japonês consegue ler noticias em outras linguas . Nem todo japonês tem a mente aberta para aceitar diferenças, sejam elas culturais ou raciais.
Aquilo que restam são as amizades superficiais. Não há como ultrapassar as barreiras culturais quando aquilo que prevalece é a ignorância e a falta de paciência. Podemos estudar a cultura , podemos aprender a lingua , mas a barreira sempre existirá de alguma forma.
Com isto, não quero afirmar que os japoneses não servem para serem amigos. Servem , de uma outra forma a qual nós não estamos acostumados. Paciência. É o que tem pra hoje!
sábado, 15 de fevereiro de 2020
A ambiguidade de viver no exterior
Melhores oportunidades, viver novas experiências , qualidade de vida, necessidade , sonhos , ou o que seja. Decidir viver no exterior pode ter inúmeras razões . Pode ser por um tempo determinado, ou sem nenhuma previsão de retorno. O fato é que tal escolha tem um grande impacto em nossa vida social e relacionamentos em geral.
Passar um ano em algum país realizando um intercambio pode ser ótimo para conhecer novas culturas e fazer algumas novas amizades , além do aprendizado de uma nova lingua. Mas, são pouquíssimas as pessoas que saem de uma experiencia de intercambio com amizades reais e duradouras. Perder os contatos feitos na época é muito fácil, e aquilo que realmente tem seguimento são os relacionamentos que deixamos em stand-by no nosso país.
Para aqueles que decidiram viver em outro país sem um prazo determinado para retorno, como o caso de muitos brasileiros que vão em busca de um sonho ou uma vida financeira melhor em países com uma cultura e lingua totalmente diferentes, a historia é bem outra.
O tempo pode ser o nosso aliado para resolver muitas questões em nossas vidas , mas ao mesmo tempo , ele desconstrói o futuro de relacionamentos que ficaram à milhas de distância . Não participamos mais da vida social de nossos familiares, não somos mais convidados para nenhum evento . Um irmão que se casa , um sobrinho que nasce , ou até mesmo a perda de algum parente próximo. Por muitas vezes somos apenas uma figura virtual que participa virtualmente da vida de nossos familiares e amigos. Fica sempre a sensação de exclusão por mais que tentemos nos incluir à distância.
Os relacionamentos construidos durante um longo periodo em países estrangeiros tem lá o seu valor. Fazem parte de um longo periodo de aprendizado e adaptação, mas estes também tem vida curta. As amizades que construimos com nativos contam pontos para a nossa integração em uma nova cultura. Porém, quem vive ha muitos anos inserido em uma cultura diversa sabe o quanto é dificil administrar as diferenças culturais e as memórias de cada um. Não há como compartilhar memórias com uma pessoa que não vivenciou as mesmas tendencias culturais de cada época de nossas vidas. Resta sempre uma sensação de frustração.
Dito isto, concluimos que é péssimo viver em terras estrangeiras?Não necessariamente!
Se conseguimos atingir o nosso objetivo , seja ele qual for, toda experiência é válida. O fato é que toda escolha que fazemos na vida tem o seu preço . Nada na vida é 100% satisfatório.
Viver em terras estrangeiras não é para qualquer um. Existirão momentos em que nos sentiremos sozinhos e carentes. Em outras ocasiões sentiremos um prazer imenso em sermos os donos da nossa liberdade . Tudo tem um preço. Para tal, é preciso equilibrar as nossas emoções e compreender que a vida é feita de escolhas que nos proporcionarão benécies , assim como o contrário.
Namastê!
sábado, 1 de fevereiro de 2020
Como se livrar de pessoas tóxicas
Por muitos anos convivi com pessoas tóxicas dentro da minha familia, eram pessoas negativas demais que exerciam um certo dominio sobre o meu estado de espirito. Confesso que a única maneira de me livrar da presença dessas pessoas foi me afastar , e pra bem longe. E quando não dá para se livrar e você é forçado a conviver com elas?
Obviamente que , quando vivemos debaixo do mesmo teto a única forma de resolver o problema é mudando de teto. Mas, quando é um( a) colega de trabalho que trabalha todos os dias ao seu lado a fórmula mágica é se "blindar" contra as energias negativas que vem daquela pessoa.
Existem pessoas que são viciadas em reclamar da vida , como se fossem vítimas do mundo e nada fazem para mudar a situação. Estas são bem chatinhas! Mas, existem aquelas que além de reclamar da vida ainda são negativas , com baixa autoestima e carentes. Estas são bem dificeis de suportar!
Tenho uma colega de trabalho japonesa que tem cerca de 50 anos , passando por todos aqueles revés da menopausa , que para mim é apenas mais uma fase hormonal que toda mulher passa e pode ser amenizada. Ela não toma nenhum cuidado com a saúde , tem vários episódios de hemorragia uterina e não vai ao medico. Seus cabelos vivem sem cuidados , seu hálito fétido, e ainda está acima do peso. Por mais que a aconselhemos a buscar ajuda médica ela simplesmente se recusa a ir. Prefere sofrer , talvez por achar que merece sofrer , talvez por achar que é normal sofrer. Sei lá!
Durante muitos anos a convivencia com esta pessoa me fez muito mal. Já estava falando como ela , com expressões bem depreciativas do tipo : - Estou velha demais para isso , ou aquilo. Graças a Deus acordei a tempo de me "blindar" contra tais influências negativas.
Afastar-se é uma boa opção. Deixei de ve-la aos finais de semana, já me basta ouvir suas lamurias durante a semana. Também deixei de me importar com suas reclamações , posto que, ela nada faz para mudar. Os seus assuntos são quase todos com relação a saúde da maē que é enferma ou do marido que ela quer ver morto, ou de suas cólicas uterinas . Não há um momento que ela esteja bem. Fora os seus complexos , coisa muito normal em japoneses e japonesas. Eles são muito complexados.
A idade é outra questão que mexe muito com a autoestima das mulheres japonesas porque a sociedade enfatiza demais as fases da vida , como se tivessemos que seguir uma cartilha bem rigida. Os homens japoneses em geral amam as mulheres mais jovens , e as com quarenta anos já são consideradas muito velhas . Isto cria um complexo de velhice nas japonesas que já se sentem muito velhas lá pelos 35 anos.
E como sobreviver a uma sociedade assim , tendo ao seu lado uma colega de trabalho japonesa que não para de se desvalorizar e reclamar da vida?
Eu escolhi viver a minha realidade , e não a dela. Simples assim. Eu tenho absoluta certeza de que quando não temos um minimo de autoestima tudo na vida fica mais dificil. A autoestima é algo que cuido muito bem. É preciso ter a mente aberta e ter também um pouquinho de bom senso para olhar dentro de si e perceber onde devemos operar mudanças. E o principal, começar a agir.
Graças ao meu bom senso , hoje em dia , não me incomodo mais com as reclamações da minha colega japonesa , até escuto suas lamurias sem me envolver mais , e principalmente deixei de ser o seu pinico.
Saber ouvir as pessoas é uma virtude , mas virar pinico alheio é outra historia. Além do mais, quando um burro nasce com duas orelhas longas não há como diminui-las . Só cortando com um facão!
A vida fica monótona sem problemas?
O trabalho está estável, a saúde em ordem, a poupança continua intocável , o aluguel é gratis, tenho internet móvel, faço comprinhas ( agrados para mim ) na internet de tudo que quero, ninguém manda eu fazer aquilo que não quero, e etc...
Já tive preocupações com familiares, relacionamentos afetivos , desemprego e até fome já passei . Mas, faz alguns anos que eu ando muito bem , obrigada. Sem nenhuma preocupação que tire a minha tranquilidade e o meu sono. E o nome disso se chama : solitude.
Tudo começou quando eu decidi me desapegar de pessoas e relacionamentos em geral que me causavam incomodo ou algum tipo de angústia. Desapegar não é largar tudo e deixar tudo para trás. É não se apegar a sentimentos , ressentimentos ou expectativas alheias. No momento que você deixa de ser recíproco com os sentimentos alheios a dor ou o incomodo do outro pode até te comover , mas não te corroe . Esta é a diferença.
Aos poucos você se torna autossuficiente . A sua propria companhia começa a fazer a diferença na sua rotina diária e você começa a fazer tudo aquilo que tem vontade de fazer na sua própria companhia. É claro que é preciso gostar de estar sozinho, né! Mas, a vantagem de ser desapegado e autosuficiente é que nada que venha de fora te abala mais. Os problemas e preocupações que por ventura venha a ter serão apenas seus . E quando o problema é nosso , é a gente que tem que resolver e nunca esperar que um outro alguém venha nos salvar. Esta postura gera frustrações quando esperamos e não recebemos. Melhor se resolver sozinho né, não?
Durante toda a semana passada estive muito atarefada no trabalho , fazendo horas extras e o cansaço era visível no meu rosto. Bastou chegar o final de semana e fazer o meu ritual de relaxamento caseiro para até a cútis melhorar. Fiz um banho de sais e óleos essenciais , hidratação , nutrição e massagem facial com o meu roller , além de massagens nos pés ( reflexologia) . Durante o banho na banheira com sais e óleos senti tanta serenidade e satisfação que tive que agradecer a Deus por aqueles momentos extremamente relaxantes e sem nenhuma preocupação. A minha unica preocupação era o do ralo da banheira entupir de tão cheia que estava.
Como é bom não ter preocupações! Dá até vontade de criar algum problema passageiro só pra sair da monotonia. Obrigada Deus e Universo ! A vida está muito boa! Paz e tranquilidade é tudo !
Namastê!
quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
A paz de espírito está no hoje
Não existe felicidade no ontem e nem no amanhã. Quando ouvimos ou lemos temas sobre a paz de espírito onde frases sábias e quase clichês nos orientam a viver o "hoje", duvidamos que isso seja possîvel. Afinal, somos aquilo que vivenciamos e aquilo que almejamos para nossas vidas.
À parir do momento em que tomamos plena consciência de nossa existência e nos livramos de condicionamentos , descobrimos que aquilo que nos faz infelizes são as memórias do passado e os desejos do amanhã. Apego ao passado e preocupações e inseguranças em relação ao nosso futuro.
Por mais que nossas memörias passadas sejam boas ou más , de forma alguma devem determinar o nossso "hoje" . Por mais que tenhamos planos e objetivos bem concretos para o nosso futuro , não podemos ignorar o dia de "hoje" . O passado não pode mais ser mudado. O futuro depende totalmente de nossas atitudes no dia de "hoje". É "hoje" que o nosso dia deve ser satisfatório.
Nenhuma lembrança do passado ou desejos futuros deveriam alterar o nosso dia presente. Experimente viver um dia como se não tivesse existido o passado e nem as preocupações com o futuro. Ajude o Universo a entender o que você sente , e só então , perceberá que a paz e a tranquilidade só existem de forma plena no dia de "hoje".
sábado, 11 de janeiro de 2020
Japoneses e mentalidade estreita
É bem verdade que os japoneses são bem vistos em todo o mundo. São realmente um povo muito civilizado, trabalhador , respeitosos , comedidos , timidos e de uma mentalidade coletiva. É aí que mora o problema: a mentalidade coletiva.
Não há meios de fazer um japonês pensar diferente da maioria. São pouquissimos os japoneses que tem a mente aberta para novos conhecimentos globais. Na era da globalização , o acesso que os japoneses tem através da internet é em lingua japonesa, portanto, tudo que se lê em matérias publicadas na web é à partir do ponto de vista de algum japonês.
Costumes , hábitos ou alguma moda estrangeira só será absorvido pelos japoneses se algum japonês ( jornalistas e a midia japonesa) divulgar sobre o assunto na mídia. Se você que é estrangeiro quiser mudar algum hábito japonês , está fadado ao fracasso.
É notório que japoneses sofrem de uma insuficiência de métodos para aliviar o stress do dia à dia. Muitos recorrem ao alcool para aliviar o stress. Alguns japoneses mais conscientes recorrem a caminhadas e viagens para o exterior. Mas, a opções acessiveis ao publico em geral são pouquissimas.
Pensando nisso, fiz o curso de reflexologia para ajudar a aquelas pessoas que não sabem dar vazão ao proprio stress de forma positiva. Uma massagem nos pés associada a aromateria ajuda e muito a relaxar mente e corpo. Mas, quem disse que japonês acredita em aromaterapia?
Apesar de encontrar muitas lojas por todo o japão que vendam produtos para aromatizar ambientes e até mesmo óleos essenciais , são poucos os japoneses de meu convivio que conheçam o poder dos aromas no nosso sistema limbico. Aliás, japoneses não curtem muitos aromas fortes. Isto é fato.
O povo japonês é descrente por natureza. Seria preciso ter uma comprovação real e imediata, ou ser influenciado por alguma maioria japonesa. É a tal mentalidade de agrupamento.
Quando você estiver em contato diário com japoneses e começar a achar que japoneses são burros ou cabeça-duras, não se impressione. É apenas a mentalidade japonesa de pensar como a maioria.
É um saco para os nossos padrões ocidentais? Sim, é um saco! Mas, cada país com a sua cultura.
Bom senso e objetivos bem definidos
Eu acredito que existam meios e "meios" para nortear nossas vidas. Não há que seguir uma cartilha do tipo, crescer , se formar , ter uma profissão, casar , ter filhos , netos e se aposentar lá pelos 60 ou 70 anos. Aquilo que agrada a alguns pode não servir para outros.
A raiz de nossa satisfação pessoal geralmente está em nossa infância e adolescência. Com o passar do tempo e as atribuições da vida adulta nos esquecemos de nossos sonhos de infância. Feliz daquele que soube transformar seus sonhos de infância em realidade.
Apesar de crer que a nossa satisfação pessoal está em nossos sonhos de infância , é preciso amadurecer a idéia no percurso de nossas vidas. É preciso ter metas e objetivos bem definidos. É preciso saber quais caminhos devemos traçar para alçançar nossos sonhos. Sonhos não se realizam do nada. Há que existir alguém arquitetando planos para tal.
Se o seu sonho é casar, ter filhos e viver uma vida familiar tranquila, então , esteja pronto para receber o outro em sua vida. Se o seu sonho é ser alguém muito realizado profissionalmente , então , estude. Se o seu sonho é viver uma vida livre de compromissos e conquistas materiais , então arrisque-se a viver novas experiências fora de sua zona de conforto.
Aquilo que nos impede de seguir nossos sonhos mais caros é o medo. Medo de não dar certo. Medo de ser criticado. Medo de não estar à altura daquilo que queremos. Não existe realização quando criamos limites para nós mesmos.
Não se importe com críticas . Ignore seus medos. Quando estamos no processo de realização de um sonho ( que pode ser muito longo) , podemos passar por muitas provações , receber críticas , sermos rotulados de loucos , egoístas . Mas, lá na frente quando conseguimos realizar ( aos poucos) parte de nossos sonhos ( no meio do caminho) vem aquele combustível natural : a satisfação pessoal. E não há nada mais agradável na vida do que sentir-se satisfeito consigo mesmo.
Use de seu bom senso. Deixe de lado seus medos e comece a arquitetar novos planos para a realização de seus sonhos. A vida está aí para ser pintada com cores à nossa escolha.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2019
Talentos ocultos
Não sei a quê atribuir certos dons ou talentos que possuo desde a infância. Começei a desenhar lá pelos meus 9 anos de idade e já tinha uma certa noção natural de formas para desenhar rostos femininos. Lá pelos 15 anos fui tentar me aprimorar e me inscrevi em um curso de desenho publicitário. Estudei por um ano e depois larguei, um pouco por falta de incentivo e um pouco por falta de dinheiro para pagar o curso.
No curso aprendi novas técnicas e aprendi noções de proporção e sombreado. Mas, com tanta técnica acabei ficando meio sem inspiração. Meus desenhos eram técnicos demais. Desde então, deixei de desenhar. Me sentia presa nas técnicas e me cobrava muito para ser melhor do que os outros alunos que frequentaram o curso comigo. Desisti de desenhar por muitos anos.
Ultimamente, ando querendo desenhar qualquer coisa . E para a minha surpresa eu não perdí o jeito. Acredito que me faltava inspiração. O Japão me inspira a desenhar sempre, sem me prender em técnicas, sem querer ser perfeita. E não é que o negócio sai ?
Às vezes nem acredito que tenho tantos talentos " ocultos" . Por falta de autoestima ou excessiva cobrança de ser "muito boa" em tudo , vou deixando para trás os meus talentos .
sexta-feira, 27 de dezembro de 2019
O prazer de fazer alguém feliz
Doar-se sem nenhuma pretensão e receber em troca alguns suspiros e aquele olhar de quero mais , não tem preço. Calma lá! Não é nada do que você está pensando!
Estou na minha terceira seção prática de reflexologia . Já fiz três cobaias. Por coincidência são três amigas peruanas. Todas elas suspiraram com as massagens nos pés , relaxaram bastante e querem voltar a ser minhas cobaias novamente. Tem coisa mais gratificante?!
Há um tempo eu venho pensando em uma forma de ajudar as minhas amigas , quase todas traballham muito duro aqui no Japão, algumas em pé , outras em turnos . Não é fácil relaxar e desestressar com a rotina que levamos aqui em terras nipônicas . Com o passar do tempo e a rotina de trabalho em fåbricas observei que todas as minhas amigas sofriam do mesmo mal. Dores nas costas, no nervo ciático, nos pés, nos ombros , e principalmente muito estressadas fisica e emocionalmente.
É gratificante demais ouvir os suspiros enquanto eu faço a massagem , e perceber que por alguns minutos elas se desligam do mundo e se concentram apenas no toque das minhas mãos proporcionando-lhes alívio e bem-estar.
O ambiente é pequeno , mas o preparei com todo cuidado para que as minhas cobaias entrassem no meu apartamento já sentindo o aroma de alfazema pelo ar. Spray de alfazema, óleos essenciais de alfazema, incensos de alfazema , sais de banho de alfazema e creme de massagem de alfazema. Dá pra dopar um elefante !
Fiz uso da aromaterapia para proporcionar mais relaxamento através do sistema limbico , unida a massagem sedativa em pontos reflexos e massagem relaxante . Quem não apreciaria ?
O mais curioso desta pratica de massagem relaxante é a satisfação mutua de quem dá e quem recebe. Núnca passou pela minha cabeça que seria tão gratificante proporcionar alguns minutos de relaxamento fisico á alguém através da massagem. Muito pelo contrário , tinha a idéia de que era desgastante e cansativo gastar tanta energia massageando pés cansados.
Vivendo e aprendendo, como sempre. Há sempre algo a mais para conhecer, aprender e desvendar quando estamos abertos para o novo. Demorei a descobrir esta nova sensação de satisfação com o bem estar alheio. Gratificante demais!
Namastê!
sábado, 21 de dezembro de 2019
Capricornianos são chatos, e dai?
Qualquer busca que se faça na internet sobre o signo de Capricórnio faz menção a nossa chatice. Sim, somos chatos , e dai?
Tem muitos outros signos que são chatísssimos e não levam essa fama. Os arianos por exemplo são chatissimos, invasivos , mandões , facilmente irritáveis e convencidos. Os Cancerianos são muito chatos também com as suas crises de mimimi que leva uns meses para passar por pouca coisa. Virginianos são sem sal, bem chatinhos. E os leoninos que se acham? Mas, a fama de chato tem que ser do Capricorniano , ne!
É chato ser responsável , honesto , trabalhador , determinado, protetor , sincero , ordenado , inteligente e exigente? Então eu quero ser chata pra sempre .
Tudo que não é alegre e colorido é chato . Tudo que exige disciplina e comprometimento é chato. O silêncio é chato. O tradicional é chato . Pensar no amanhã é chato. Corrigir uma conduta errada é chato. Economizar e não gastar com coisas inúteis para equilibrar o orçamento é chato. Fazer questão de chegar na hora marcada e exigir o mesmo dos outros é chato. Por aí se vê qual a personalidade de alguém que julga tudo isso chato demais.
Concordo que Capricornianos deveriam ser um pouquinho menos grosseiros. Segurar aquela linguinha afiada quando se sente provocado , e evitar aquele olhar critico que chega a intimidar a maioria das pessoas. Também deveriam controlar a mania de reclamar de tudo, ou vai morar na França , franceses reclamam de tudo . Lá é normal reclamar. Eu adoraria poder reclamar a vontade por um mês de férias na França.
Capricornianos são generosos, mas nunca peça dinheiro emprestado. Isto é chato em qualquer situação independente de signos. Capricornianos tem fama de mão de vaca , mas serão os primeiros a te dar uma força e a se importar com você ajudando de alguma forma. Agora, se o seu interesse pelo amigo Capricorniano for pedir dinheiro. Esquece esse chato e vai pedir emprestimo em um banco.
Ser correto , disciplinado e ter opinião própria sobre tudo é chato. Cool é ser despretensioso, desordenado e concordar com tudo só para agradar a todos. Não esqueçam que 2020 vai ser governado por Saturno , o regente de Capricórnio. Portanto, quem não entrar na onda da " chatice" Capricorniana vai ser cobrado em algum aspecto da vida.
Percebam que o oposto das " chatices" Capricornianas nem é tão " cool" assim...
Sobre quem pratica o yoga
Talvez a pratica do yoga em outras culturas seja diferente?! Eu não posso opinar porque não estive nunca na India , país onde a maioria é hinduísta e nem tenho muito conhecimento sobre os verdadeiros fundamentos do yoga. Eu a pratico para flexibilidade fisica e tranquilidade mental com pouquissima frequência. Os efeitos são ótimos fisicamente . Mesmo com pouca frequência tenho percebido maior flexibilidade fisica e mais tranquilidade todas as vezes que pratico a respiração pranayana. O que é um grande avanço pessoal.
Muitas pessoas costumam criar expectativas em relação a quem pratica o yoga como se os praticantes de yoga fossem pessoas extremamente espiritualizadas , o que é uma inverdade. A grande maioria das pessoas que eu conheci ( praticantes assiduos) eram ex- estressados , ex- ansiosos em sua essência . E buscavam um pouco de equilibrio através da pratica do yoga.
Eu sempre afirmei que a nossa essência não muda e continuo afirmando até que me provem o contrário. Pode ser que no ocidente a filosofia do yoga esteja adaptada a nossa rotina , ao nosso estilo de vida e mentalidade , e que a pratica do yoga em outras culturas seja mais ampla, abrangendo a vida como um todo. Mas, na nossa cultura o yoga é uma pratica solitária e egoísta . Engana-se quem pensa que todo praticante de yoga é espiritualizado , altruìsta e humanitário.
Rasguem essa imagem romantizada de quem pratica o yoga. São pessoas normais , cheias de defeitos e virtudes que encontraram no yoga uma forma de equilibrar aquilo que vive em desarmonia na essência de seu ser.
terça-feira, 17 de dezembro de 2019
Espontaneidade ou falta de edução?
Ser como somos , sem restrições , tem sempre um preço : os conflitos e impressões nos relacionamentos. Sabe aquela conversa de "Ame- me como sou , ou deixe-me" ? Para uma pessoa que possui esta postura nos relacionamentos em geral só pode ser egocêntrica e não se importar com o outro.
Há situações na vida em que necessitamos nos adaptar aos outros, sem deixar de ser quem somos. É aí que entra a boa educação e a cordialidade nos relacionamentos . Não é preciso deixar de ser quem somos quando somos educados e cordiais com as pessoas de nosso convivio.
Quer ser espontâneo a todo momento e dizer sempre aquilo que vem a mente sem travas na lingua? Só se você for naturalmente carimástico , caso contrário, apenas passará a impressão de ser invasivo e mal educado.
Quer ser bem recebido e bem tratado em ambientes mais elegantes? Vista-se a altura do ambiente, fale baixo , seja educado. Finja ser quem não é . Finjir ser bem educado em certas ocasiões não é algo negativo. Muito pelo contrário, evitam- se aqueles olhares críticos que ninguém gosta de receber.
Nestes muitos anos de Japão , aprendi aquilo que nunca me foi ensinado em mais de trinta anos de Brasil, e agradeço muito as experiências que vivi neste país. Decididamente não sou mais a mesma pessoa depois de tantos anos vivendo no país do Sol Nascente, mas a essência é a mesma. Continuo querendo dizer tudo que me vem a mente , mas aprendi a refletir antes . Aprendi também a diminuir o tom de voz ao entrar dentro de algum estabelecimento publico , trens ou qualquer outro ambiente publico para não incomodar as pessoas alí presentes. E principalmente , aprendi a usar algumas frases mágicas com mais frequência : - Por favor. Com licença. Obrigado . Me desculpe.
Ser espontâneo com educação é a medida certa para não violentar a nossa essência e nem desrespeitar o outro. Isto vale também para os contatos via mensagens . Comece sempre com um "Bom dia" e termine sempre com um "obrigado" .
sábado, 14 de dezembro de 2019
Alto astral
Para quem vive em terras nipônicas , sabe o quanto é dificil ter um grau de satisfação "pleno" em qualquer área de nossas vidas quando estamos sozinhos em uma terra estrangeira com hábitos e costumes totalmente diferentes daquilo que éramos acostumados . A rotina , a falta de uma vida social satisfatöria , e os limites do nosso ambiente de trabalho ( normalmente em fabricas) faz com que aos poucos nos tornemos limitados e solitários.
É preciso saber "diagnostificar" as alteraçōes em nosso estado de espirito e buscar meios para curar a sí mesmo através de novos hábitos , novos conhecimentos e novos desafios que nos estimulem a avançar .
Quatro dias hospedada em um hotel de Hamamatsu ( Shizuoka-ken) , longe daquela vida pacata das cidades do interior do Japão e fazendo um curso intensivo de reflexologia podal me bastaram para levantar o meu astral. Talvez a propria massagem , ao fazer e aplicar, tenham tambem contribuido para levantar o meu astral. Mas, principalmente a troca de ambiente e rotina deram um "up" a este curto periodo.
Permitir-se desfrutar dos prazeres da vida comendo em restaurantes , fazendo passeios aleatórios pela cidade , comprinhas e um visual mais elegante no centro da cidade já ativam o nosso cérebro para vislumbrar o novo e querer mais, muito mais. A troca de ambiente nos dá sempre uma injeção de ânimo. Principalmente quando cruzamos com pessoas que compartilhem conosco os mesmos interesses e nos estimulem a encarar os desafios da vida como a um prato de comida que ainda não está pronto e sem tempero, mas que com a nossa dedicação , interesse e criatividade podemos utilizar todos os ingredientes crus deste prato para fazer um delicioso , original e aromático prato quente para o inverno.
O nosso alto astral não depende apenas de nós mesmos, na prática depende também do ambiente e da rotina que vivemos. Mas, sem duvida alguma a mudança seja de ambiente ou na nossa forma de encarar a vida depende apenas das nossas atitudes. Dar o primeiro passo , este sim, depende apenas de nós mesmos.
Amanhå ou depois , não sei se estarei com os animos alterados . No momento aquilo que me importa é o hoje. E hoje, o meu astral está muito bom, obrigada!
Namastê.
domingo, 24 de novembro de 2019
Meu karma liguistico
Sempre que aprendemos uma nova lingua abrem-se novos horizontes, isto é fato. Aprender o espanhol me ajudou a fazer boas amizades aqui no Japão com alguns latinos . O japonês me ajudou a fazer algumas amizades ( nem tão boas) e a garantir o meu emprego e a minha sobrevivencia aqui em terras niponicas. Mas, é a lingua italiana que me levou a outros mundos inimagináveis. Viagens culturais pela Italia, alguns rolos italianos e até mesmo a conhecer a Suiça- italiana.
O mais impressionante deste aprendizado linguistico é que a comunicação com os itálias sempre foi muito fluída , apesar do meu italiano não ser tão fluente assim. Existe uma conexão natural quase instintiva na comunicação e não é porque me identifico com os italianos . Acredito que seja muito mais pela linguagem italiana que é muito fluída , cheia de expressões que muitas linguas não possuem. Obviamente que falar com um italiano que seja de classe media é diferente de falar com um latino ou um asiático. A maioria dos italianos são cultos e por mais que eles não sejam lá grandes acadêmicos , parece que carregam na alma uma paixão pela cultura , seja do país deles ou por outra cultura. São curiosos por natureza. Talvez seja o fato do país ser pequeno e ter fronteiras com outros países europeus . O que não ocorre no Japão por exemplo, posto que, o Japão é uma ilha .
As vezes fico pensando cà com os meus botões , o que me prende tanto a essa gente italiana? Tenho sempre algum contato virtual italiano que aparece do nada e por meses à fio a conversa flui naturalmente. Alguns até já me relataram assuntos intimos de sua vida pessoal. Coisa que não ocorre com outras nacionalidades.
Eu credito esta intimidade a um interesse linguístico da minha parte. Jamais teria paciência em perder horas em um chat com um espanhol por exemplo. Pior ainda com brasileiros que além de escreverem errado não são capazes de abordar uma mulher virtualmente sem demonstrar apenas um interesse sexual. A um certo ponto , quando não direto, vem sempre aquela cantada barata ou um interesse exacerbado em saber se sou solteira ou não. A curiosidade pela minha vida pessoal parece sempre ser maior do que qualquer outro interesse .
Europeus em geral são menos atirados , posso dizer até que são mais educados , no sentido de não passarem por cima de todas as etapas de uma boa comunicação. Nem todo italiano é educado ! Mas a grande maioria tem um certo bom senso ao abordar uma mulher , principalmente os italianos do norte da Italia. Deve ser o tal cavalheirismo europeu. Cá entre nós! É algo inexistente aqui em terras nipônicas. Por mais que os italianos possam ser um pouco dissimulados o cavalheirismo ainda é em uso nos dias de hoje. Coisa que se vê cada vez menos em terras tupiniquins também.
Enfim, o meu amor pela língua , nem tanto pelo life style italiano, é que me faz tão comunicativa . Não me canso de "scambiare idee" com os itálias. E como eles são intuitivos! Assim fica fácil a comunicação.
Quer bater de frente com alguém ? Converse por alguns minutos apenas com quem não se comunica intuitivamente e você verá o resultado . Papo morno , superficialidades , muitos mal-entendidos e perda de tempo.
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