segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Quem ainda duvida?




Nestes ultimos dias passei muita ansiedade sem saber direito o que aconteceria na minha vida de agora em diante. A ùnica  coisa que eu sabia, através da astrologia é que eu sofreria muitos acontecimentos inesperados. De fato, eu fui demitida.

Apesar da repentina demissão , não me desesperei, algo me dizia que eram apenas mudanças e um pouco de stress, seguido de um pouco de falta de dindim para pagar todas as despesas de tantas mudanças. Afinal, terei que me mudar de apartamento, e talvez até de cidade e isto é um custo adicional.

Durante este periodo de incertezas tomei a decisão de mudar de vida radicalmente e tentar provar um outro estilo de vida que vá de encontro com a minha atual situação financeira. Duranga Kid.

A minha maior preocupação durante este periodo era com o meu humor. Quando as coisas não saem como o planejado eu caio em um mal humor tremendo e me torno insuportável. Nem eu mesma me aguento. Capricorniana da gema, chata demais.

Ontem, pesquisando meu mapa astral , o meu Sol se alojou na casa 5. Isto é sinal de muita atividade prazerosa , ou seja, puro lazer.

Mas como uma pessoa que acabou de ser demitida se permite a estar com o Sol voltado para a casa dos prazeres?

Segundo o meu mapa astral, o proximo mes de outubro me trarà muita sorte em questões profissionais. Receberei ajuda de superiores e talvez até de um admirador, Venus na casa 10 . 

Até ontem, eu não estava acreditando muito nestas tendências. Hoje, tive a confirmação de que estes aspectos estavam corretissimos após um breve telefonema. O meu contratante estava esperando uma minha chamada e com receio de que eu já tivesse arrumado outro trabalho. 

Bem, se eu serei admitida ou não neste novo trabalho, depende apenas da aprovação dos clientes. Terei a confirmação somente depois de amanhã. Vou rezar para que não cismem com nada.

Ah, existe um outro aspecto de reconhecimento profissional que dura cerca de um ano, e começa justamente em Outubro. Vamos acreditar nas estrelas.

Conseguindo ou não este novo trabalho que irá mudar " totalmente " a minha rotina e o meu estilo de vida atual, onde é que entra o Sol na casa 5, a casa das diversões?

Na minha concepção, ou tem relação com o tempo de espera ( tempo livre)  ou com o proprio trabalho que é ligado a recreação. Tanto faz!

Aquilo que importa realmente é o meu estado de espirito que estará radiante atę meados de Outubro. E viva-se , um dia atrás ao outro.

sábado, 20 de setembro de 2014

Conselhos e palpites



Dizem que se conselho fosse bom, não se dava , se vendia. Eu discordo.

Existe uma grande diferença entre dar conselhos e dar palpites. Depende muito de quem vem o conselho.

Eu gosto muito de me aconselhar com pessoas mais velhas ( sabias) ou que tenham bom senso, ou otimistas por natureza, ou com muitas vivências. Pessoas assim sempre tem um bom conselho para nos dar quando estamos em dùvida , que é pura insegurança momentanea e precisamos apenas de um " empurrãozinho" para decidir aquilo que lá no fundo já sabiamos. 

Não sei se é o fato de já ser uma mulher madura e que aparentemente não precisa mais de " conselhos" para se virar na vida, ou se é simplesmente a falta de pessoas assim na minha vida, mas os bons conselhos andam em falta . 

Palpiteiros existem aos montes, bons conselheiros , estes estão em falta. Pior ainda quando já vivenciamos tantas coisas e nos safamos de tantas situações inusitadas que acabamos nos tornando quase que impermeáveis as influências externas. 

Este deve ser o meu caso. Não existe ninguém dentro dos meus relacionamentos atuais que tenha vivido tudo aquilo que eu vivi e que tenha ainda muita vontade de se expandir e se arriscar por caminhos diferentes . As pessoas tendem sempre a optar por aquilo que é seguro, garantido e convencional ,por mais que isto as violente. 

Hoje, após mil vivências, verdadeiras buscas pelo autoconhecimento , ainda me sinto como se eu engatinhasse nas veredas da vida, mas ao me comparar com as pessoas que convivem comigo ou que de alguma forma fazem parte da minha vida, percebo que as minhas necessidades e vontades vão sempre em direção contrária a maioria. 

Isto é bom? Não sei dizer. 

Tudo na vida tem um preço e nadar em direção contrária a maré é sempre um grande risco. 

Mas quem pode viver sem correr ao menos alguns riscos nesta vida?

Na minha opinião, não correr riscos é estagnação, é morte em vida. 

Urano em quadratura com o meu Sol traz muitas mudanças inesperadas , e tudo aquilo que é inesperado sempre nos assusta, mesmo que seja algo muito bom, o inesperado assusta. 

Como tudo na vida, o bem não existiria sem o mal , a luz sem a escuridão e vice-versa. 

Naqueles momentos faço sempre uma oração e peço a Deus que as minhas escolhas venham guiadas pelas suas mãos, o resto é comigo. 

Deus , o meu melhor conselheiro.

domingo, 14 de setembro de 2014

Sonhando ...



Diário de bordo: segunda-feira - 3:13 am


Hà menos de 2 semanas para desocupar o meu apartamento e eu ainda nem esvaiei o meu armário. Também nem defini com a minha amiga quando faremos a mudança e nem como a faremos.

Ainda esta semana saberei se serei aprovada ou não para a vaga de " escrava" em um Resort em uma ilha praticamente deserta no Japão. Pouco tempo e nada definido, como sempre. Acho que estou começando a me acostumar com esta tendência da minha vida , e por isso, nem me apresso com mais nada. 

Passei a noite toda pesquisando no google earth a localização do tal Resort . A ilha é mesmo muito desabitada e a pequena cidade que existe no local é praticamente feita somente de residências e sem comércio nenhum.

Meu Deus! O que será que esse povo come?

Fuçei a ilha toda e encontrei o predio onde seria a minha moradia , caso eu seja aprovada. Fica literalmente no meio do mato, e pelo jeito nem tem como pegar wifi naquele fim de mundo. Não gostei da cidade e não gostei do alojamento. Por um instante desejei não ser aprovada para esta vaga de escrava naufraga em uma ilha isolada do mundo. Me bateu um desespero cosmopolita.

Fuçei mais um pouco e segundo o contratante existe uma praia particular para os funcionários do Resort . Fuça daqui, fuça dali e voalà! A praia existe !

Bem atrás do alojamento , depois do matagal existe uma praia fantástica!

Será que toda esta beleza natural vale a pena?

Dúvidas....dùvidas.....

Nestas horas o melhor é deixar nas mãos Dele...

Iriomotejima - Okinawa - Japan





Ser ou não ser...





Um comportamento muito clássico dos descendentes de japoneses ( os nikkeis ) aqui em terras nipônicas é que dependendo da proximidade de sua ascendência , muitos  já não sabem mais se são japoneses ou brasileiros. 

No Brasil ou em qualquer outro país somos classificados de imediato como japoneses, mas no Japão somos apenas "gaijins" , ou estrangeiros . 

Existe um certo preconceito em relação aos descendentes de japoneses que imigraram para países latinos no pós guerra. Isto é fato. Se você for descendente de um norte americano , isto jà muda de figura, e o tratamento é diferenciado.

Para nós que somos nikkeis , fica dificil nos posicionarmos efetivamente como " brasileiros" porque na realidade somos de ascendência asiàtica e a cara não nega. 

Então, como se comportar em situações assim? 

Entrar em uma crise existencial e renegar as origens, ou assumir e defender o sangue samurai que corre nas veias a todo custo?

Eu optei pelo meio termo . Não sou mais brasileira e também nunca fui japonesa. 

Então, o que eu sou?

Cidadã do mundo.

Decidi não me rotular mais , e assim as coisas vão funcionando por aqui. A minha ùnica referência brasileira é a de ser paulistana. Sou bem paulistana e isto eu não nego , não consigo mudar e nem quero mudar. 

Infelizmente , nem todo o nikkei que vive aqui em terras nipônicas se resolveu " ainda" com a sua real identidade. Nos descendentes mais velhos ( os de primeira geração) encontro com frequência o tal do complexo de vira-lata . Apesar de serem 100% de origem japonesa, em terras nipônicas o nissei não passa de um estrangeiro querendo se igualar aos japoneses desesperadamente para se sentirem   mais confortaveis  na propria pele. 

Este tipo de comportamento gera muitos conflitos entre os próprios descendentes que não conseguem aceitar o outro como igual, ou seja, um estrangeiro em terras longínguas que merece no mínimo um pouco de solidariedade. Afinal, estamos todos no mesmo barco.


Ignorância e preconceitos à parte, seria muito mais fácil se cada um se orgulhasse de suas origens e de sua nacionalidade tupiniquim

Quem não se orgulha de sí mesmo nunca poderà provar do respeito alheio . Estando em terras estrangeiras é preciso despir-se daquilo que fomos , sem esquecer- se de quem somos.

domingo, 7 de setembro de 2014

O perdão, tarda mas não falha


Toda a minha familia estava  reunida em uma grande festa. Primos, tios, e alguns convidados inusitados, como  por exemplo, Giuseppe, um siciliano que conhecí pelo Skype hà quase 9 anos atràs e até hoje faz parte dos meus contatos no Skype e no facebook. Ele foi convidado para a festa nåo sei por quem, e dirigia um belo e antigo fusca branco. Mas afinal, quem o teria convidado?

Eu não sei se eu havia sido convidada também, mas fui à festa como de hàbito. Nunca precisávamos de convites para irmos  as grandes reuniões familiares na casa de minha avó. Fui , como de praxe. 

Là estavam também os meus pais. Minha maē de braços dados com o meu falecido pai. Sim, era uma festa familiar para os antepassados , e meu pai estava là.

Sua expressão facial era mais leve, menos carrancuda  oque me impressionou muito. Até parecia rejuvenescido uns 20 anos. 

Meu pai se dirigiu a mim e com um tom de voz tranquilo e quase dôce me disse: 

- Filha, eu te perdoei e espero que você esteja bem. 

Ele sorriu, se virou e foi curtir a festa de braços dados com a minha maē. 

Naquele instante eu compreendi a sensação de ser perdoado pelos nossos pais. É libertador. 

Compreendí que a minha dificuldade em perdoar tinha raízes mais profundas. Eu precisava ser perdoada para perdoar. 

Jamais passou pela minha cabeça a necessidade de pedir perdão a quem quer que seja. A minha mente egocêntrica esperava um dia poder evoluir o suficiente e aprender a perdoar , mas a verdadeira  função do perdão não é a de perdoar. 

A verdadeira função libertadora do perdão é a de recebe-la de alguèm que no nosso julgamento é imperdoável. 

Precisei ver meu pai falecer e somente  após  mais de 2 anos , compreender que talvez o maior desejo de meu carrancudo falecido pai , fosse o desejo de perdoar-me . E eu, a de recebe-la. 
 


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Se for destino...



Desde que fui demitida do meu trabalho , estou pensando em mudar de vida. Mas como mudar de vida se todo o Japão é igual ?

Para nós brasileiros que não dominamos 100% da língua é praticamente impossível conseguir sair deste mundo de fábricas e trabalhos que nenhum japonês quer fazer. 

Decidi então, me arriscar no ramo da hotelaria aqui no Japão. Até existem ofertas de trabalho como camareira aqui no Japão para estrangeiros, mas a vida em si não muda absolutamente nada. Aquela mesmice de trabalho, trabalho e poucas opções para lazer. As vezes não temos nem tempo e nem companhia para tais momentos de lazer. 

De quê me valeria mudar de trabalho e cidade se os ares são os mesmos em quase todas as cidades japonesas?

No momento, o meu interesse nem é tanto o material. Se eu quiser ganhar um salário mais alto e trabalhar mais horas, obviamente que o melhor é ficar por aqui. Mas...

Cansei de pensar em poupar para o amanhã. Decidi que quero viver o hoje com mais qualidade de vida. Se não posso ter a comodidade da vida urbana, eu prefiro estar bem mais próxima da natureza e ao menos me permitir contemplar a natureza bem de perto.

Fuça daqui, fuça dali. Encontrei na net um telefone de um contratante que recruta pessoas para trabalhar no extremo Sul do Japão, em Okinawa, uma grande ilha cercada por várias outras ilhas pequenas e conhecida por aqui como o Hawai do Japão, por suas belas praias de coloração verde Esmeralda. 

O anúncio era antigo, mas como era a única referência que eu tinha ( em português) , eu arrisquei ligar. Por coincidência estava para entrar uma vaga de camareira no dia seguinte.

Aha! me candidatei à vaga e amanhã mesmo estarei expedindo o meu curriculum com os meus dados pessoais. 

A vaga é para camareira em um Resort , em uma ilha que fica bem isolada do Japão, quase dá para ir à nado para Taipei - Taiwan , de tão perto. 

Vi algums videos e fotos do hotel, e realmente ele fica no fim do mundo, em meio ao nada, cercado por mata virgem e praias paradisíacas. Para chegar lá , só com muita paciência , baldeando de um lado ao outro de navio ou ferrer.O caminho é dos infernos mas a chegada é ao Paraíso.

Sei que se eu conseguir esta vaga, será a glória para aquilo que eu desejo para mim no momento, mas ao mesmo tempo, me dá medo de pensar em viver em meio a tanta natureza em uma ilha isolada . Será que wi-fi pega no Paraíso?

No mínimo será mais uma nova experiência de vida. Vai que eu goste e aprecie realmente viver em meio a natureza e decida viver por lá para sempre? 

Se for destino, será!

Algumas fotos da pequena ilha no extremo Sul do Japão.



domingo, 31 de agosto de 2014

O início



Quando decidi começar a escrever um Blog, há 6 anos atrás, li não sei onde , que escrever desestressa. Comecei a escrever com muita dificuldade. Por incrível que pareça, escrever e expressar-se corretamente não é para qualquer um. Levei anos tentando expressar em palavras as minhas mais ricas experiências.

Me dei conta de que eu não sabia escrever, pior ainda, não sabia me expressar. Mas será que era assim também quando eu me expressava verbalmente? Creio que sim.

Ainda estou aprendendo, mas sem dúvida alguma, o simples ato de escrever e registrar meus pensamentos, sentimentos e vivências, me ajudou a conter a minha ansiedade e aquela necessidade absurda de me fazer compreender. Por vezes, impondo às pessoas a minha volta a minha opinião de forma autoritária e parcial.

O ato de escrever em um Blog nos faz pensar e repensar antes de escrever. O mesmo se deveria ao ato de falar sem pensar. Quando escrevemos uma idéia, ou um pensamento, devemos sempre buscar palavras que expressem de forma clara e objetiva aquilo que queremos transmitir. Reler e corrigir erros gramaticais , ou até mesmo o contexto geral do texto em si.

Tal hábito , com o tempo , nos ajuda  naturalmente  a repensar antes de expressar algo, que seja escrito em um texto ou verbalmente. Filtrar as palavras se torna um exercício frequente. É como fazer ginástica para fortalecer os músculos. Com o passar do tempo as idéias e pensamentos confusos vão tomando formas mais claras e objetivas. Poderia até chamar isto de tônus cerebral.

O mundo se preocupa excessivamente em manter o físico em dia, estar sempre apresentável (acho importante também), mas se esquecem de dar tônus ao cérebro . Não me refiro a estudar feito um louco e colecionar diplomas, me refiro ao ato de se abrir sempre para o novo e buscar o seu autoconhecimento.

O homem só poderá ser feliz no convívio social quando ele se descobre e se redescobre à cada experiência. Quando ele aprende a olhar para dentro de sí e inteligentemente descobre meios para se aperfeiçoar como "ser singular" e finalmente parar de se sentir ameaçado pelo ambiente em que vive.




quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Japão, o país dos segredos mal guardados

                                    

A cada dia que passa eu me convenço mais e mais de que o Japão é um país de doidos. A imagem que o país passa pra o mundo é tão " certinha" que chega a ser duvidosa. 

Na minha concepção , não existem pessoas perfeitas, portanto, não existem países perfeitos. A perfeição humana é uma utopía. O homem é homem porque ele é imperfeito ,senão, ele seria Deus. 

Precisei conviver por anos à fio com a japaiada pra  entender como as coisas funcionam por aqui. Tudo na base do esconde, esconde. Tipo, as ruas são limpíssimas, o japonês é muito cuidadoso no trânsito ( não é por menos, as multas são altíssimas) , eles nos atendem muitíssimo bem em lojas, bancos , restaurantes , ou repartições públicas. Enfim, o povo japonês é extremamente civilizado no convivio social. 

O detalhe interessante dos japas , é que existem dois mundos para eles, aquele que todo mundo vê, e aquele que ninguém vê, ou faz que não vê. Isto é muito normal por aqui, fazer de conta que não viu.

Aqui onde eu trabalho , está uma verdadeira onda de demissões hà quase 2 anos. Praticamente 80% do pessoal  foi sendo  demitido aos poucos , e restaram alguns gatos pingados. 

Japonês adora uma fofoca no trabalho. Falar mal da vida alheia parece que é de praxe entre as mulheres. Não que isto não exista no Brasil também, mas o povo japonês nunca vai admitir que fez ou começou alguma fofoca. 

Este periodo está terrível . Uma fofocaiada tremenda. Um tal de " não conta pra ninguém que eu fui demitido". Mas o mais engraçado é que todo mundo já sabe, e não se sabe quem andou espalhando a fofoca, que na verdade , nem é fofoca, as informações são de origens fidedignas. 

Assim fica difícil guardar segredo quando todo mundo já sabe , não é mesmo?

Os japoneses tem muita vergonha de serem demitidos. É como se estivessem comprovando a sua ineficiência .  Eu como não ligo pra essas coisas, já fui espalhando pra todo mundo que eu tinha sido contemplada este mês. Afinal, já é a segunda vez que eu sou demitida da mesma empresa , e é a terceira ou quarta vez que eu volto a trabalhar na mesma empresa. 

Ao contrário de mim, os japoneses estão em polvorosa, com medo de que as pessoas saibam que foram demitidos , e como eles já sabem que eu fui demitida, eles vem se confessar comigo e sempre me pedem segredo. Eu guardo, ou pelo menos eu tento, com a maior boa vontade.

Na mesma hora que algum japonês vem me contar " em segredo" que foi demitido, vem um outro atrás me contar que o tal foi demitido. O segredo não dura nem dez minutos. Assim não dá!

O mais engraçado desta situação toda é que todo mundo sabe que o tal será demitido, bem antes do próprio demitido. Tipo marido traído, que toda a vizinhança sabe que a mulher o trai com o leiteiro , menos ele. É mais ou menos assim aqui.

Mais um detalhe muito típico de japonês ( pelo menos aqui em Shizuoka), é que o seu contratante quando está pra fazer demissões em massa, te pede gentilmente pra que você não conte a ninguém que foi demitido pra não causar pânico. 

Eu que adoro ver o circo pegar fogo, já fui contando pra todo mundo que fui demitida e que outras cabeças também rolariam até o final do mês. Corro o risco de sofrer algum tipo de bulling da parte de meus contratantes, mas nem tô ligando . Basta cumprir o meu aviso, agradecer a todos e bye bye.

A minha seção está num estress total , todos com medo de serem demitidos . Aqueles que foram demitidos tentam esconder à todo custo , sem nem se darem conta de que o " mundo" já sabe da sua condição de " inútil e incompetente". 

Ainda bem que eu já sou vacinada e nem me incomodo de ter que cumprir 30 dias de aviso prévio na condição de " demitida". 

Aqui no Japão , os motivos para a demissão de funcionários é por vezes meio absurda , portanto, eu nem perco o meu tempo pra tentar entender. Além do mais, eu sou estrangeira e isto já me faz estar no topo da lista. 

Hoje morri de rir com a vergonha que eles , os japas, tem de serem demitidos e de tentarem contar um segredo pra  mim que com certeza  já é de poder público. 

Realmente, esta raça é muito particular!!!!


terça-feira, 26 de agosto de 2014

Há males que vem para o bem



Quase 7 anos trabalhando na mesma empresa aqui em terras nipônicas. Batí o meu record de permanência em uma mesma empresa. Por mim, eu permaneceria trabalhando aqui até os meus últimos dias de Japão, mas a situação do nosso contratante anda oscilando já hà alguns anos e muitos funcionários foram demitidos ao longo destes 7 anos . Parece coisa cíclica, 7 anos.

Nestes 7 anos aconteceram muitas coisas, já me demitiram no auge da crise mundial, já me demiti espontaneamente e fugi para o Brasil, quando houve aquele grande terremoto, já rasguei o contrato no dia seguinte da minha re-contratação para tirar férias na Suiça, e já voltei com a maior cara de pau pedindo para ser re-contratada. Sempre os meus contratantes me receberam de braços abertos, nestas minhas idas e vindas.

 Desta vez, eu creio que está se fechando um ciclo de 7 anos. Eu particularmente, sinto que este ciclo de idas e vindas terminou. Fui demitida de novo, e algo me diz que desta vez não tem mais volta, apesar da promessa de ser chamada novamente quando as coisas melhorarem. Para mim, é um ciclo que se fecha.

Como sempre, lá fui eu consultar o meu mapa astral para averiguar esta ocorrência. Não ví nada de mau , além de um transito de Urano em quadratura com o Sol ( acontecimentos inesperados) , mas o resto do mapa está bem , e indicando que será uma fase de muitas mudanças até certo ponto benéficas, se eu souber reagir bem a tais mudanças. 

É muito engraçado, se não trágico, observar que todas as vezes em que eu estou tranquila, quase que acomodada e feliz com a minha condição , algumas mudanças drásticas acontecem na minha vida. 

A minha vida parece sempre pedir mudanças todas as vezes em que eu me acomodo em alguma situação. Instabilidade total. É preciso ser muito Coringa para poder sobreviver a tantas mudanças e não se abater. 

Lá vamos nós outra vez. Renovação, novos desafios , mudanças. Completamente " zíngara".



domingo, 24 de agosto de 2014

Amigas e amigas


Não sei se sou exigente demais com as minhas amizades. Talvez  sim. Sou daquelas que espera tudo de um amigo (a) e ao mesmo tempo não espera nada.

Nenhum amigo (a) tem a obrigação de pensar igual à nós, ou agir igual. Também , nenhum amigo (a) tem a obrigação de nos salvar de apuros. Obrigação e compromisso é uma palavra que não serve para verdadeiras amizades. Não na minha concepção de amigos verdadeiros.

Existem amigos (as) e amigos (as) , e esta escala da "amizade" é muito clara e definida para mim nos meus relacionamentos. Onde existe "sentimento" verdadeiro existe a amizade , onde não existe, são apenas relacionamentos por conveniência ou interesse. Simples assim.

Tenho e já tive muitos amigo (as) que me foram muito úteis em certos momentos da minha vida, também tive aqueles que me faziam companhia na falta de algo melhor, sem contar aqueles que se aproximam de nós sempre com alguma segunda intenção oculta por detrás.

O jogo dos relacionamentos só deixa de ser um "jogo" quando existe o tal do sentimento de coração . Você gosta do seu amigo (a) porque você tem um sentimento de "bem querer" em relação à ele (ela) sem nenhuma intenção oculta por detrás.

Pare , reflita e pense. Quantos (as) amigos (as) você tem  que realmente nutrem algum sentimento por você e você por ele (ela)?

Vai ficar surpreso ao descobrir que a grande maioria apenas participa de sua vida , que seja por interesses em comum, ou porque cresceram juntos na mesma vila, ou estudaram juntos, ou simplesmente porque trabalham juntos. Não que tais amizades não sejam necessárias, elas são. Cada qual com o seu papel em nossas vidas, mas aquela pessoinha por quem você realmente nutre este tal sentimento de "bem querer" é única, ou são pouquíssimas. Podemos conta-las nos dedos de uma mão.

Amigo (a) bonzinho(a) também é diferente de um verdadeiro (a)  amigo(a). Não se mede o grau de uma amizade pelo caráter de cada um. A amizade se faz com bons conselhos e boa compreensão mútua, apesar das diferenças.

Bons  conselhos , naqueles momentos de insegurança e dúvidas , sempre vem daquele seu bom amigo (a) que te conhece como a palma de sua própria mão e te respeita justamente porque se interessou em te enxergar como você é , e não como ele (ela) queria que você fosse.


Ele (ela) não teme nunca em te dizer a verdade  porque espera o mesmo de você.

Quer medir o nível de amizade dos seus relacionamentos?

Observe por quem você nutre sentimentos puros e verdadeiros. Perceba a empatia dentro da relação que nasce espontaneamente , movida apenas por sentimentos de "bem querer", sem necessariamente ter que pisar em ovos.

Você irá se surpreender ao perceber que ele (ela) é o seu (a sua) melhor amigo (a) simplesmente pelo fato de você não esperar absolutamente nada dele (a) em troca e mesmo assim desejar o mundo para ele (a).







Coisas do Japão


Se existe um país onde os estrangeiros não conseguem de forma alguma levar uma vida normal, inseridos dentro da   cultura local, este país é o Japão. Em todo momento sentimos que somos estrangeiros. Que seja pelas diferenças culturais, mentalidade, e até mesmo pelo excesso de distância que os japoneses nativos tomam de nós estrangeiros. Talvez toda a Àsia seja assim, não posso falar sobre as outras culturas asiáticas porque não as conheço por vivência.

Sempre existe uma possibilidade de "exclusão" vindas de todas as partes e por mais que tentemos abraçar este país como nosso, sempre acabamos frustrados.

Não quero afirmar que os japoneses sejam preconceituosos em relação a outras raças e nacionalidades, mas percebe-se um excesso de cuidado quando se tratam de latinos, ou melhor dizer, brasileiros.

Hoje fomos a uma companhia de telefonia celular a Au Japan, para tentar trocar o meu Ipad que pifou. Chegando na loja , vi bandeiras do Brasil e algumas informações escritas em português. Eram informações sobre atendimento por vídeo , on line com um intérprete em português. Achei isto o máximo , fiquei maravilhada com a atitude da companhia, afinal, apesar de ser uma das companhias com os serviços mais caros, eu sempre usei os serviços desta companhia.

Como sempre, fui muito bem atendida por uma das atendentes japonesas. Muito simpáticas, quase meigas, enfim, uma belezura o atendimento no balcão. Não tenho do que reclamar, porém, em se tratando de "cultura japonesa", sempre tem aquele momento de "exclusão" social , que no meu caso, me frustra muito e por vezes até me  magoa sutilmente.

Ser filho de japonês e ter um visto diferenciado não faz muita diferença quando o nosso passaporte faz parte do "Mercosul". Após cerca de 3 horas para decidir por qual plano optar. Estava em dúvida se eu fazia um plano novo e cancelava o antigo pagando uma multa de cerca 100 dólares , ou se eu continuava com o mesmo plano e apenas trocava meu Ipad por um outro mais caro. Horas e horas de indecisão, até que decidi por optar pagar a multa de cancelamento e fazer um novo plano de um Smart phone , muito mais caro e com um plano de pagamento de 24 meses.

Os documentos exigidos para o estrangeiro são: aliens card, cartão da previdência social (não sei o que tem a ver, talvez tudo), cartão do banco e o passaporte.

Após preencher os dados pessoais em um novo contrato e entregar os documentos , a atendente envia a copia dos documentos por fax para aprovação qe dura cerca de meia hora no máximo.

A minha proposta, após horas infinitas no atendimento e preenchimento de formulários foi recusado. Querem saber o motivo? O meu visto está para expirar em um ano e como o plano é de 24 meses não poderei dividir o pagamento em 24 vezes, apenas à vista, ou no cartão de crédito, que aliás, requer um outro procedimento de aprovação.

Saí frustrada da loja e só não discuti com a atendente porque elas normalmente não são  o tipo de atendentes que nos inspirem a armar um barraco por sua sutileza, meiguice e educação no atendimento. Mas bem que ela poderia ter pedido primeiro o meu passaporte antes de me fazer perder tanto tempo no balcão, não é mesmo?

Segundo uma amiga minha que me acompanhou à loja, tais atendentes ganham pontuações por cliente atendido, apesar da atendente não ter conseguido fechar um contrato comigo por questões de normas e regras da empresa, ela me atendeu muito bem e ainda comprei um novo plug para o meu antigo Ipad pifado , que agora , apesar de ainda estar pagando o plano pela Au Japan, já não é mais problema deles . Agora a minha nova empreitada deve ser na Apple Japonesa e sua assistência técnica.

Enfim, perdi a minha tarde toda, sai chateada , e sem uma solução para o meu Ipad pifado que não conecta a internet nem à pau, e ainda por cima, com a certeza de que eu não poderei ter o direito de um financiamento de qualquer outro aparelho se o meu visto for inferior à 2 anos.

Tô amarrada? Sim, estou. Este fato muda completamente os meus planos de contenção de despesas, pois pretendia cancelar a minha linha telefônica que já está com 2 anos de contrato e já  isenta de pagar uma multa de cerca de 270 dólares por cancelamento antes do final do contrato. Como não poderei mais financiar um plano para a obtenção de um celular com internet enquanto eu não renovar o meu visto de 3 anos eu não poderei nem pensar em fazer um novo plano. O jeito vai ser continuar  com a linha telefônica residencial e com o Ipad bichado, caso não tenha nenhuma solução para ele e continuar a pagar o plano mesmo sem usa-lo.

E tudo isto por quê? Porque japonês é muito desconfiado com relação a estrangeiros e se um, apenas um estrangeiro , se comporta de forma inadequada para os padrões da cultura japonesa, eles generalizam tudo de uma forma quase que absurda e preconceituosa.

Então é isso, minha gente. Para um estrangeiro ser incluído nesta cultura, é preciso que ele seja e demonstre por atitudes ser merecedor de confiança e crédito, muito mais do que os próprios japoneses que aliás, são grandes caloteiros que não pagam em dia as suas contribuições para a prefeitura local, não pagam a contribuição obrigatória para a rede de tv do governo japonês e atrasam as suas contas mensais .

Aquilo que nos diferencia dos japoneses na obtenção de crédito aqui no Japão não é a sua ficha limpa, é o prazo do seu visto e a sua origem.

Estou sendo preconceituosa? Creio que a recíproca é mais do que verdadeira quando atitudes camufladas por regras e normas de qualquer empresa japonesa que seja , excluem aos estrangeiros por sua condição e favorecem ou simplesmente fazem vistas grossas para os caloteiros  e espertinhos japoneses.

Pronto! Falei!

Não dá para "tentar" amar e se integrar a um país que não te aceita como igual. Estaremos sempre à margem da sociedade de alguma forma.

O meu conselho para os admiradores e fans desta cultura milenar, é a de mantê-la assim, sempre com uma certa distância , visitas esporádicas como turistas e nunca vive-la . A cultura japonesa é fantástica e riquíssima quando vista de fora, vivencia-la no seu dia-à-dia e integrar-se a ela é outra história, bem diferente.





segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Virtualmente conectados, espiritualmente desconexos



Hoje em dia existem mil meios de estarmos conectados com o mundo e só não se conecta à ele quem não quer. 

Facebook, Twitter, Skype, whatsaap e tantos outros meios de comunicação ao nosso alcance, são apenas algumas das opções. Basta ter acesso a um celular com internet...e voalà! O mundo está ao nosso alcance.

Será mesmo?

O mundo vive conectado  24 horas e isto deveria melhorar a comunicação . Deveria, mas não è o que tenho observado. 

O homem atual apenas abriu mais portas . Aprendeu  a tirar fotos de sì mesmo e se auto promover nas páginas de redes sociais. Aprendeu também a criticar com verdadeira voracidade escondido detrás  de um teclado de computador qualquer. Ele opina, ele xinga, ele se expōe, ele compartilha e não se comunica. Ele inveja, o que éo pior de tudo na falta de conexão real. 


Por detrás de tantos selfies e tantos compartilhamentos se escondem pessoas que não sabem, ou ainda não aprenderam a se comunicar com o outro. Despejam apenas o seu egoístico interesse pessoal.

 Eu também faço parte desta comunidade "faceboquiana ", e posto muita babaquice, desde videos que eu curti à pratos que eu mesma cozinhei. Nem poderia ser diferente. Afinal, vivemos em uma sociedade, seja ela virtual ou não. Na verdade, creio que seja isso mesmo que as pessoas querem curtir: banalidades virtuais. 

Troca de idéias e informações úteis, do tipo, notícias frescas do Brasil ( não fofocas) , interesses em comum, como línguas, bloggers, Astrologia e culturas diversas.  Este era o meu interesse quando ingressei meio que a contragosto no facebook , por ter já vivido  algumas experiências desagradáveis no falecido Orkut. 

Quando eu não aceito convites de parentes no meu facebook sou tachada de chata com uma certa frequência. Algumas pessoas até se sentem ofendidas e eu frequentemente tenho que estar me desculpando com elas de alguma forma. 

Existem famílias, e famílias. Se você não pode e não consegue estar distante dos seus familiares o facebook é uma bela opção , mas quando não é este o caso, eu creio que um Skype ou whatsaap é suficiente. Ou até mesmo o velho e ainda eficiente telefone residencial. Encher o facebook de linguiça ( familiar) pra quê?

Os meus familiares me mandam convites frequentemente ( já pararam porque eu não aceito) , mas pedir o meu número de telefone ou o meu Skype ninguém quer ne? Então qual a utilidade do facebook familiar? Criar intrigas e fofocas! Tô fora!

Sempre haverà uma tia, um primo ou pior ainda, uma cunhada sutilmente invejosa que escreverá na sua timelime algumas palavrinhas nonsense do tipo: - Oi , tudo bem? Cadê o namorado? fugiu?Mande notícias. 

Helloooooo, amiga! Escreve em off! Peloamor!!

Ou, vai fuçar e fuçar as suas fotos por mera curiosidade para depois estar te julgando por fotos. Desagradável , não é mesmo?  

Para uma verdadeira troca de idéias e notícias ainda sou fã do velho e antigo aparelho telefônico . Portanto, quer notícias minhas, fotos recentes ( selfies) e trocar idéias? Me ligue, no meu telefone residencial . Nem o Skype nos dá esta possibilidade de uma comunicação mais direta e substanciosa. 

Ver a luzinha acesa do seu contato no Skype parece banalizar a sua presença. Quantas vezes você jå deixou recados no Skype que só foram respondidos uma semana depois? Você mesmo já deve ter feito isso por várias ocasiões. Eu já fiz, confesso. 

Este tipo de atitude ( inocente) acaba criando até inimizades. Responder a uma mensagem no facebook ou no Skype deveria ser como falar ao telefone. Se está ocupado, coloca " ocupado" ou " ausente" . Se não pode responder no momento, diga : eu te retorno depois. Simples não é mesmo?

Tantas conexões com tão pouca comunicação real. 

Porquê será que a comunicação virtual não é igual a aquela feita ao telefone?

No final de tudo, com tantas opções para se comunicar com o mundo , a única que ainda me passa um pouco de credibilidade e eficiência é a chamada telefônica. Não sei explicar, mas nem o Skype me passa esta credibilidade e eficiência na comunicação. Deve ser a falta de um endereço fixo. Pode ser...

Pode ser também a falta de educação e orientação para o uso correto desta ferramenta : a virtualidade. 

Um manual de boas maneiras e ética já era um bom começo. Ou será que já é tarde demais?  







Urano , me deixa!



Urano é regente do signo de Sagitário, que representa o imprevisto e a liberdade. Na minha opinião, o signo de Sagitário é extremamente " cool", mas quando ele faz quadratura ou oposição com o Sol , ou com Marte, pode esperar explosões psicológicas e muita irritabilidade. 

É como estar frequentemente na TPM. Tudo irrita, e não adianta tentar disfarçar o próprio estado de ânimo porque ele se faz  presente nas nossas vibrações. Ou seja, mesmo calada, evitando confrontos, a mínima sensação de contrariedade em qualquer aspecto da vida gera uma reação nervosa e rebelde.

A solução para períodos assim exige muita flexibilidade. Mas quem disse que Capricórnio é capaz de tanta façanha? Pior ainda quando o objeto de tamanha energia cósmica é um Capricorniano com a Lua em Escorpião. No caso, eu.

Capricornianos são pesadíssimos por natureza, e uma das principais causas é a sua inflexibilidade para aceitar mudanças na vida  como algo que acrescente e abra portas. O Capricorniano sempre relutará ao imprevisível ( mesmo que criado por ele mesmo) e lutará fielmente para manter o seu status quo. 

O resultado de tanta inflexibilidade se resumirá em uma única palavra: Chatice.

A inflexibilidade Capricorniana, unida as explosões passionais da Lua em Escorpião , juntamente com largos aspectos de Urano e Marte em quadratura ou oposição à Marte , conferem ao nativo ( pobre nativo) , um ar pesado e extremamente sensível à mínima provocação. 

Não existirá meditação ( interiorização) que consiga alterar tal estado de espírito enquanto os resultados da vida mundana não lhe ofereçam aquilo que se almeja. 

Nestes momentos , é preciso estar com a alma intranquila para enfrentar os desafios. Tranquilidade demais gera estagnação e submissão. E isto não é nada fácil de engolir por um longo tempo. Não , para um Capricorniano legítimo. Pode gerar até enfermidades de ordem psicossomática. Portamto, muito cuidado com a saúde e com os sapos que se engolem sob estes aspectos.  

Flexibilidade para enfrentar os desafios? 

Esta seria uma boa solução para os outros signos do zodíaco, não para um Capricorniano, uma hora a máscara cai. Flexibilidade estratégica. Esta vai mais de encontro aos interesses de um Capricorniano da gema . 

Então, vamos lá! Estrategicamente flexível para alcançar as nossas metas à longo prazo. 

Muito chato ser estrategista,     mas quando a vida se apresenta frequentemente como a uma batalha , não dá para ficar interiorizando tudo e enfeitando cada canto da casa com flores do campo e aromas silvestres. 

Consciência total . 

Precisando comprar um amigo



Quando escolhemos viver longe do nosso país, independente de qual tenha sido  a nossa motivação, temos sempre que conviver com um inimigo que por vezes , irônicamente, até  se torna um amigo: A solidão.

Por mais que você tente criar novas situações para suprir tal sentimento, ela sempre estará lá. As vezes te fazendo companhia em momentos meditativos e de reflexão, quando realmente necessitamos dela. 
 Mas peraí,  ninguém em sã consciência vive 24 horas em estado meditativo! 

Eu adoro meus momentos meditativos . A solidão é uma amiga que nunca vai te interromper quando estamos precisando silenciar a alma. Ela é discreta e silenciosa. 

Mas quem foi que disse que ela é aquela amiga que te levanta os ânimos? 

A solidão tem a função de nos conectar com o nosso mundo interior. Ela é introspectiva, jamais expansiva. 

Durante todo o período de 10 anos de vida em terras longínquas, tive que aprender a lidar com ela, para não sofrer com a sua presença constante. Eh, ela nos acompanha desde o momento em que entramos no portão de embarque de um aeroporto qualquer, e vai nos fazendo companhia por onde quer que se vá. Não adianta ignora-la, ela sempre estará lá, bem ao seu lado. Além de Deus, é claro.

A falta de opção em viver relacionamentos verdadeiros e ter que se conformar com aquele círculo de " meia-dúzia" de amigos que não fazem parte do seu mundo, ou que também vivem a sua luta diária com ela ( a solidão) , e os limites que esta companhia nos causa, não é um fator muito animador quando se vive em terras longínquas. 

A saudade é outro sentimento que se mescla à solidão de ser imigrante, e não adianta querer fugir dela. É como se fosse uma condição sine qua non. Olha que expressão mais chique!

Nos últimos anos, aqui em terras nipônicas, ela anda mais intensa, mais insistente. Talvez pelo fato da maioria dos meus amigos ( brasileiros) terem ido embora, talvez ela esteja exigindo modificações na minha mentalidade. Conviver com ela ( a solidão) em terras longínquas é uma constante. E pior do que esta realidade , é que esta convivência nos exige muita criatividade.

 A solidão é muito exigente, e se nós, não nos adaptamos a ela e não a aceitamos tendo atitudes inteligentes, ela simplesmente nos consumirá . 

A solidão não é de forma alguma maléfica , quando ela nos serve como um guia espiritual, para trilhar caminhos e mundos que só nós mesmos podemos trilhar. Porém, o excesso de momentos sem a existência de contato físico com o ambiente em que vivemos, o Japão é a excelência no quesito distancia física, inicia-se um outro processo quase que invisível : a solidão física. 

Um abraço, um afago na testa, um tapinha nas costas, três beijinhos no rosto e tantas outras expressões de carinho da qual nós brasileiros somos habituados. Isto sim, faz muita falta, e a naturalidade com que se convive com esta falta acaba nos transformando em seres totalmente inexpressivos . 

Para driblar tais situações e as suas consequências, estando em terras longínquas , ou não, uma boa saída é comprar um amigo. Não, não é como o fazem alguns japoneses ,quando pagam para ter simplesmente a companhia de alguma bella donna. Me refiro a um amigo de verdade que pode ser comprado, ou adotado : o melhor amigo do homem, um cão. 

Será que os caēs japoneses também possuem hereditariedade samurai? 

Espero que não. 




sábado, 16 de agosto de 2014

O essencial é invisível aos olhos

                                 
       

"Quando encontrava uma que me parecia um pouco lúcida, fazia com ela a experiência do meu desenho número 1, que sempre conservei comigo. Eu queria saber se ela era verdadeiramente compreensiva. Mas respondia sempre: "É um chapéu". Então eu não lhe falava nem de jibóias, nem de florestas virgens, nem de estrelas. Punha-me ao seu alcance. Falava-lhe de bridge, de golfe, de política, de gravatas. E a pessoa grande ficava encantada de conhecer um homem tão razoável. "  

Este é um trecho do Livro de Antoine de Saint-Exupéry , o Pequeno Príncipe, um clássico da literatura infantil  que divide opiniões quanto à sua classificação literária,  pelo riquíssimo conteúdo filosófico contido na obra. 

Neste trecho ele menciona a sua dificuldade em se fazer compreender pelas " pessoas grandes" . Fica bem clara a sua frustração ao constatar que as " pessoas grandes" eram incapazes de enxergar um mundo que não fosse aquele mundano e material.  E para poder interagir com "pessoas grandes" ele calava a sua alma. " Punha- me ao seu alcance". 

Com certeza todo mundo já passou por tal experiência na vida. Conhecer alguém interessante e depois constatar que ela não passava de mais uma " pessoa grande" , tão ocupada com seus interesses mundanos que nem se preocupava em olhar nos seus olhos quando falava. Ou , ter um verdadeiro carinho por um amigo (a) , tantos interesses em comum ( aqueles de gente grande) e em um dado momento , se dar conta de que ele (a) não è capaz de compreender e de estar ao seu lado naqueles momentos de mau humor ou de tristeza. 

A obra de Saint- Exupéry descreve perfeitamente a solidão que vai tomando aos poucos o nosso ser, quando nos damos conta de que vivemos em um mundo onde um não enxerga as necessidades essenciais do outro. 


" Desenhei então o interior da jibóia, a fim de que as pessoas grandes pudessem compreender. Elas têm sempre necessidade de explicações." 

Este é um outro trecho do livro onde ele relata com sutileza a dificuldade que as "pessoas grandes" tem em observar e compreender aquilo que não está ao alcance dos olhos . 

É como estar chorando  baixinho debaixo do cobertor e a sua maē lhe gritar:  - Ainda não acordou , menino preguiçoso?

Quem já não viveu uma situação assim na adolescência? E ainda teve que enxugar as lágrimas debaixo do cobertor para não ser flagrado em prantos e fingir cara de sono. A sua maē além de não perceber, não entenderia mesmo .

Ou, em um momento mais romântico ( ou nem tanto) da sua vida, se fez de difícil e deixou partir para sempre aquela pessoa que poderia ser o grande amor de sua vida, porque ele (a) sendo " gente grande" não poderia jamais imaginar que você estivesse apenas fazendo um jogo "infantil" de se fechar em copas momentaneamente. 

Dizem que Antoine de Saint- Exupéry. não teria se acidentado em vôo , e que o seu último vôo foi um suicídio. Sendo Saint- Exupery um escritor que transformava as suas proprias experiências e percepções em contos, esta possibilidade não me parece tão impossível. O personagem principal de sua estória, o pequeno príncipe, tinha traços de profunda melancolia. 

Quando adolescente já havia lido esta obra, a reli novamente para saber se eu havia perdido esta magia infantil , esta inocência de ver em primeiro plano a essência das pessoas. Não, eu não a perdi. 

Por vezes, gostaria de não ter este poder que Saint- Exupéry tanto exalta em sua obra, a capacidade de enxergar o invisível...