sábado, 11 de agosto de 2012

Jupiter na casa I

Neste exacto momento estou com Júpiter transitando pela minha casa I. Não sei dizer até quando durará este trânsito mas que ele é muuuitooo bom isso é!! Claro que eu ainda tenho também algumas quadraturas de Saturno, mas oque seria de mim sem Júpiter para equilibrar este período.
Jupiter na casa I é tudo de bom, nos faz joviais, otimistas, sortudos, simpáticos e expansivos. E como não poderia ser diferente, toda pessoa que está aberta ao mundo com muita empatia com o seu meio ambiente só pode receber do universo muita expansão e sorte como resposta. É a tal harmonia com as leis do universo que aprendi no budismo, e que tantas outras filosofias pregam também.
Quando temos este aspecto direcionando a nossa vida e os nossos ânimos, tudo parece ter solução, e não é aquele otimismo artificial, onde ficamos tentando nos convencer de que tudo vai dar certo. O otimismo que nos impele é aquele que sentimos verdadeiramente em nosso ser sem ter que fazer nenhuma lavagem cerebral em nossas mentes. Acho que é mais ou menos isto que trata o livro" The Secret", que ressalta inúmeras vezes a necessidade de" sentir" aquilo que desejamos e não apenas pensar positivamente.
Pena que este trânsito passa muito rápido.Tentarei aproveita-lo ao máximo, porque tudo que é bom dura pouco, e os aspectos de trânsito de Júpiter são curtissimos em relação aos aspectos pesadíssimos de Saturno e Plutão que duram décadas. Abaixo um trecho do Livro The Secret que muitos ainda criticam, mas tudo que nos ajuda a conectar de forma positiva com o Universo, é ainda muito válido de alguma forma.
.
Trechos do Livro The Secret
"É realmente importante que você se sinta bem, porque essa sensação boa é o que sai como um sinal para o Universo e começa a atrair mais de si mesma para você. Por isso, quanto mais você se sentir bem, mais atrairá as coisas que o ajudam a sentir-se bem e que são capazes de fazê-lo subir cada vez mais alto."

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Minhas idas e vindas

Portão de embarque do aeroporto de Guarulhos - Gate 22
Há mais de 20 anos que fico indo e vindo, de um lado do mundo ao outro. Passei longos periodos no Brasil durante estes 20 anos , mas se for computar tudo , creio que vivi a metade deste periodo em cada país, entre o Brasil e o Japão. Algumas passagens breves pela Europa obviamente, umas 4 ou 5 vezes. Nem me lembro mais. Difícil administrar uma vida assim errante. De cada lugar que parto, não deixo apenas lembranças e alguns pertences, deixo sempre um pedaço de mim. Nenhum lugar é mais o meu lar, o mundo é o meu lar.
Desta última vez passei mais de um ano no Brasil, junto a minha familia, em São Paulo, revi alguns amigos, trabalhei, fiz alguns cursos, fiz novos amigos, tive até um casinho que infelizmente não deu certo porque não era pra dar certo, era só para viver aquele momento. Foi bom, enquanto durou.
Não sei descrever a sensação de cada partida, é como se eu tivesse que fechar uma porta para que outra se abra e tudo aquilo que eu vivi em cada lugar já não tivesse mais importância, ou melhor dizer, já não tivesse mais continuação. A vida então se transforma em séries, em fragmentos. Coisa estranha e difícil de administrar para quem parte , imagina então para quem fica?
Para quem parte fica sempre a sensação de ter findado uma etapa para recomeçar de algum ponto. E para quem fica?
Hoje eu estava pensando na minha relação familiar mais próxima, quer dizer, aquela sanguínea, pais, irmãos e filhos, não necessáriamente a mais próxima. Como será para eles que ficaram por detrás daquela porta que tive que fechar?
Não é o mesmo que casar e sair de casa para morar em uma cidade distante do lar materno, é muito mais. Para sobreviver inserido em um outro país que fica do outro lado do mundo é preciso fechar a porta de saída, se não for assim sofre-se muito com a distância e a solidão que nos assola em países estranhos. E como administrar isso sem perder os laços?
Nem Skype, nem sms, nem telefonemas internacionais vão nos manter dentro da realidade daqueles que ficaram e nem tão poucos eles irão entender ou imaginar aquilo que vivemos no nosso dia-a-dia tão distante de tudo. Situação difícil de resolver.
A minha comunicação com a minha filha por exemplo parou no tempo. Apesar de nos falarmos, ficou algo perdido no tempo que eu não soube resolver porque não fazia parte da minha realidade cotidiana, e ela ao mesmo tempo não soube compreender que eu tinha uma vida do outro lado do mundo que era muito diferente daquela que viviamos no passado. Restam mágoas mal resolvidas do passado que já não tem mais importância, mas que ferem do mesmo jeito.
Voltar 10, 20 anos atrás para resolver pendências ocultas é uma tarefa difícil.
Quem parte está sempre em um longo processo de mutação psicológica. Quem fica não nos acompanha neste processo e aí está armada a confusão. Ninguém se entende mais.
Optei por me calar, deixar passar . Não faz mais sentido discutir o passado. A vida segue, e a fila anda.

Sem internet

A minha única condição para vir morar neste apartamento foi a de ter internet, e quando eu estava negociando a minha vinda ao Japão, o agenciador havia me falado que no apartamento tinha internet e que isso não seria um problema. Affff! Conversa de vendedor. Cheguei aqui e a primeira coisa que perguntei é se tinha internet, e a tão temida resposta foi: - Não tem!!! Na hora me bateu um desespero momentâneo e pensei comigo: - Meu Deus! O que vou fazer da minha vida!
É incrível como a internet cria dependência, como se fosse uma droga. Eu preciso da internet para poder dormir. O meu sonífero por muitos anos tem sido a internet (eu sofria de insônia), e ficar sem este santo remédio para mim é o mesmo que deixar de fumar subitamente por falta de cigarros no mercado, ou seja, forçosamente.
No auge do meu desespero (sou exagerada) eu consegui me conectar em uma rede gratis que me dá acesso apenas aos produtos e serviços do Google, menos mal, mas já cansei de ficar lendo Blogs, olhando mapas e imagens. Ah! o Youtube também é do Google e posso acessa-lo, mas os videos não rodam por causa da baixa qualidade da conexão. Em fim, com tanto sofrimento (estou exagerando de novo) , terei que aprender a viver sem a internet por quase duas semanas. Daria para eu comprar um modem , mas dizem que custa caro aqui. Curiosamente, ontem, eu estava assistindo a um programa de tv shopping japonês e vi uma promoção de um notebook com modem , mais uma camera digital , mais uma impressora por apenas 19.000 ienes. Gente!!! é muito barato. Claro que devem ser todos produtos chineses , mas mesmo assim é muito barato , e ainda dividido em 10 vezes.
Calma, calma, esta dependência não pode me vencer. Vou esperar instalarem a minha net com toda a paciência e por enquanto vou acessando a net de uma Lan house. Nas Lan houses do Japão tem até umas poltronas reclináveis para dormir. Eu poderia ir dormir na Lan house...
Calma , calma, minha gente! Eu vou aguentar este didícil periodo de abstinência parcial da internet e sobreviver mais 2 semanas. Espero...

Aos meus amigos


"Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril"
Fernando Pessoa

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Aquilo que nos comove

Nestes últimos anos tenho percebido em mim uma super hiper falta de sensibilidade para com os sentimentos alheios. Por mais que a situação fosse realmente de uma certa comoção eu permanecia inabalável, inatingível, insensível e mais todos os "ins" que se possa imaginar. Mas isso não era somente com relação aos outros, acontecia com relação a mim mesma também. Tipo, eu não me comovia nem comigo mesma. Tanta frieza capricorniana associada a minha total e completa determinação de dar um rumo novo a minha vida me transformaram em uma pessoa insensível que só se comovia assistindo a filmes ou novelas com teor dramático e sensacionalista, nada mais me fazia demarrar uma lágrima se quer.
Ontem, lendo algumas mensagens no facebook de amigos me desejando sorte , de filha reclamando, e de uma meia dúzia de parentes que ainda me querem bem, apenas uma mensagem me fez derramar lágrimas, assim subitamente. Eu estava no cyber café e então tive que disfarçar e conte-las.
A mensagem era de uma tia minha que mora no Brasil , aonde fiquei hospedada por todo o tempo que estive no Brasil e aonde fui muito bem recebida . Até mais do que eu mereço!
Na mensagem ela dizia que ainda tinha a impressão de que eu estava voltando para casa à noite, como eu fazia todos os dias, voltando da longa viagem diária entre Mogi das Cruzes e São Paulo à trabalho. Então pensei na solidão que deve ter tomado conta daquela casa enorme aonde a minha tia vive . Uma simples mensagem de poucas linhas porque ela ainda não consegue digitar direito no Ipad foram o suficiente para me comover.
Não são palavras, nem tão pouco atitudes , se bem que isso conta muito, mas é o respeito que temos pela outra pessoa que nos faz sentir mais proxima à elas, não importando a distância física. A minha tia conseguiu me comover. Justo eu que sou "osso duro de roer", como ela mesma diz.
Confesso que são pouquissimas as pessoas que quero ver sempre bem e que conseguem tocar a minha alma, o resto como eu sempre digo, são só aderessos. Mas também, não é nada difícil se apaixonar por uma pessoa como a minha tia. Sempre alegre, super altruísta, inteligente , divertida e super ativa. Já percebi que eu só consigo ter admiração por pessoas batalhadoras e inteligêntes, com quem se pode conversar sobre tudo, mas principalmente sobre como nós nos sentimos e com um belo toque de reciprocidade. Eh, porque não adianta nada eu usar a orelha do meu interlocutor pra desabafar sem ouvir o que ele pensa e sente também.
Aprendi muito com a minha tia sobre solidariedade e altruísmo, durante o periodo que vivi em sua casa. Pena que eu não estava em um estado feliz para aproveitar toda essa reciprocidade, mas mesmo assim valeu a pena a convivência.
Outra" pessoinha" (eh, ela é gente também) que me faz muuuuita falta é a Mel, a poodlle da minha tia que tinha por mim um amor quase que incondicional. Eu disse, "quase", porque este amor foi conquistado com muitos passeios pela rua, muito colo, muitos biscoitinhos e resto de danone.
Gente! ainda bem que eu sou desapegada e desencanada porque senão, teria sido muito difícil deixa-las.
E a vida segue!!!

Minha nova morada

Esta é a entrada do meu prédio.
Esta é a esquina da rua onde moro.
Por enquanto será esta a minha nova morada. Eita vidinha incerta!
Calor umido de uns 38 graus, esta é Osaka , considerada a terceira maior potência do Japão, e eu estou vivendo bem no centro da cidade. Ainda não deu pra conhecer a cidade toda, não por falta de tempo, mas por falta de dindim. Logo passará esta fase.
Osaka é muito diferente de Shizuoka ,onde eu vivi por mais de 7 anos, uma cidade muito provinciana conhecida por suas maravilhosas plantações de alface. A alface de Shizuoka é considera a melhor alface do Japão. Quanto a cidade de Osaka, ainda não sei dizer no que ela é boa...
Dizem por aqui que o povo de Osaka , assim como os de Okinawa são uma gente muito sossegada e sem aquelas convenções de Toquio. Até o momento achei o povo daqui muito solicito. Gostei! Posso mudar de idéia,mas até agora o povo daqui é super hiper desencanado e muito prestativo.
Estou vivendo a 10 minutos da estação de trem, o que facilita e muito a locomoção. O comércio fica a 5 minutos do meu prédio , então vai ser dificil resisitir a tentação de comprar sapatos, chapéus, acessórios e outros trens que são muito baratos aqui no Japão, quase tudo originario da china. Eu me apaixonei por umas bolsas italianas que vi em um Shopping. E as liquidações daqui? coisa de louco!!
A minha paixão aqui no Japão são os calçados, quase todos muito confortáveis, modernos e baratos. Já vi umas sandálhias por apenas 2.000 ienes que deve ser uns 50,00 reais. Claro que tem coisas de melhor qualidade que custam muito mais caro, como por exemplo a bolsa de couro italiana que vi por 10.000 ienes na promoção, ou seja, 250 reais mais ou menos.
O legal de viver no Japao é que ninguém fica reparando no modo como as pessoas se vestem. aqui o povo usa jeans, camiseta, bermudão, ou algo mais fashion inventado na hora ou conforme o seu proprio orçamento. Ninguém fica reparando .
E o silêncio? Eu adoro o silêncio das cidades japonesas. Por mais que eu viva bem no centro da cidade, nao se ouve uma buzina, nem ninguém ouvindo musica até altas horas da noite.
Aquilo que eu mais gosto no Japão é que podemos nos programar para quase tudo, o salário do trabalhador é sempre compatível quando não se gasta além do que permite o nosso orçamento.
Vou postar algumas fotos que fiz aqui perto de casa. Por enquanto são só estas fotos. Me aguardem!

É preciso ter Coragem

Nunca tive medo de nada e de ninguém nesta vida, talvez seja o meu sol em capricornio que me faz assim quase invencível. Já fui pior, hoje com o passar dos anos e a eminência de chegar a meio século de vida , a menopausa, a velhice, o reumatismo e tantos outros trens que vem naturalmente com o avançar da idade, estou mais comedida do que ha 20 anos atrás, mas por incrível que pareça aquela "coragem" que beira ao extremismo de uma mente sem juizo ainda me persegue. Não sei se é falta de juízo, ou se é excesso de coragem o meu problema. Alguns dizem que é falta de juízo. Não vejo por este ângulo.
Nunca me faltou coragem para enfrentar situações extremas que eu mesma criei com a minha impulsividade de fazer as coisas no calor do momento, ou simplesmente por não suportar uma rotina massante e sem resultados. Éh, eu acho que para suportar uma dura rotina tem que haver uma recompensa em algum momento, senão, não vale o sacrifício.
Cá estou eu de novo do outro lado do mundo. Como vim parar aqui sem ter condições financeiras nem de atravessar o litoral paulista de balsa? Pois é, quem não tem dinheiro tem que ter é muita "coragem" para atravessar oceanos e viver algo novo. Não tão novo, porque já estive aqui por mais de 2 vezes e todas as vezes eu estava sem dinheiro. Nem sempre se compra uma passagem só com dinheiro. Paga-se com a coragem. E coragem nada mais é do que a confiança em sí mesmo. Aquela certeza de que voce pode contar com você mesmo e que nada vai dar errado porque você jamais pisaria na bola com voce mesmo. Claro que não basta apenas coragem sem ter um pouco de "sorte" , amigos , e muita, mas muita cara-de pau para pedir ajuda a quem quer que seja . Ninguém seria capaz de negar ajuda a uma pessoa que confia em sí mesma, a não ser que esta pessoa não embarque na sua coragem, ou seja, é um covarde convencional.
Conheci apenas uma pessoa até agora e já estou recebendo mais ajuda do que eu precisava, ou seja, eu mesma poderia resolver os meus problemas burocráticos e questões de ordem pessoal mas já recebi mais um depósito. Depósito de confiança.
Com tudo oque eu já vivi nesta vida e todas as dificuldades que enfrentei , concluo que nesta vida basta ter coragem e vislumbrar sempre um amanhã. Se este "amanhã" vai dar certo ou não, não se sabe.
A vida é feita de grandes surpresas e escolhas, sejam elas acertadas ou não. Não existe nada mais frustrante do que viver uma vida inteira de resignação por falta de coragem para viver grandes mudanças.
Durante este mês terei com certeza muitos desafios na minha readaptação a esta nova cidade, novo emprego, novas pessoas, e todo aquele pacote que vem junto quando decidimos mudar radicalmente de vida, ou melhor dizer, de país, mas sei que enfrentarei tudo com a mesma coragem que enfrentei o meu retorno imprevisto ao Brasil.
Como nesta vida nada é 100% perfeito, senão, nem teria graça. O único problema do corajoso é a sua autosuficiência e egocentrismo que beira ao individualismo. Quer me acompanhar? Então me ajude, ou não atrapalhe. Este é o meu lema no momento.

De volta a terrinha do sol nascente


Novamente na terrinha do sol nascente, mas desta vez escolhi uma cidade bem lonnnnge dos resíduos do desastre nuclear. Até agora não tive nem surpresas desagradáveis e nem problemas. Até para abrir conta no banco, sem endereço certo,nem telefone fixo, nem dinheiro e sem escrever em japones eu consegui sem problemas. Segundo o meu agenciador ele sempre tem problemas para abrir contas para estrangeiros.Bom, comigo vai ser diferente!
Hoje enfrentei uma situação muito curiosa para nós brasileiros que sempre damos um jeitinho pra tudo, ao contrário dos japones.
Eu me esqueci completamente de comprar um adaptador de tomadas no Brasil e lá fui eu procurar nas lojas japonesas sem grande sucesso, até que fui ao Joshin, uma loja de eletroeletronicos e achei o raio do adaptador para os meus aparelhos bivolt que já estavam ficando sem carga nenhuma. O mais estranho é que o vendedor me disse que este adaptador não poderia ser usado no Japão , por recomendação do fabricante. Mas porque????
Perguntei ao vendedor e ele não soube me responder, então ele foi perguntar ao supervisor e segundo o supervisor japones , o adaptador foi feito para aparelhos fabricados no exterior mas não poderia ser usado no Japão. Why??? Não entendi porque não poderia se os meus aparelhos são bivolt e o encaixe dava certinho? Foi uma confusão na loja, um tal de perguntar pra um ,perguntar pra outro , até que eu decidi comprar assim mesmo. E não é que funcionou?
No Japão , eles tem o costume de não se comprometer com nada, e como na embalagem a instrução era o de não usar o adaptador em terras nipônicas, então os japoneses seguem rigorosamente esta restrição sem nem saber o por quê.Mas se o adaptador foi feito para aparelhos estrangeiros , qual a necessidade de compra-lo e não poder usa-lo no Japão?Então se usa aonde? No exterior? Então não preciso do adaptador, se só posso usa-lo no meu país. Estas foram as minha indagações e eles não souberam responder. Ficaram um olhando pra o outro com cara de interrogação.
Os japoneses são muito corretos em tudo, quase sistemáticos , e até confesso que eu também sou assim em muitas coisas, mas nunca deixaria de resolver uma situação de "venda" só porque o fabricante escreveu uma recomendação na embalagem. Para a nossa cultura é até deselegante fazer tamanha confusão sem solução na hora da venda.
Como eu já estou muito acostumada com a cultura japonesa, apesar de não concordar com muitos pontos , tirei de letra e cá estou eu usando o meu net book com o adaptador que me aconselharam a não usar no Japão e conectando gratuitamente na net. Coisa que os japoneses também me aconselharam a não fazer.
Então, é o seguinte: Nunca acredite em 100% das coisas que falam os japoneses. Se dá pra dar um "jeitinho". Por que não?

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Silencios ocultos


Quando eu era criança as minhas emoções eram tão intensas e os meus pensamentos tão conflituosos que quando eu ficava por alguns minutos pensando, pensando, e ruminando com os meus botões eu tinha a certeza de que eu estava me comunicando com as pessoas , ou seja, eu achava que tinha falado algo que nem cheguei a falar e esperava sempre que as pessoas me entendessem, e quando elas não me entendiam eu ficava "irada". Nem me lembro quantos anos eu tinha quando percebi a diferença entre "falar" verbalmente e o "falar" mentalmente. Para mim era a mesma coisa e não entendia por quê as pessoas ignoravam as minhas falas silenciosas.
Cresci e aprendi a diferença entre verbalizar e mentalizar, mas confesso que eu ainda penso e sinto muito mais do que falo ou expresso em gestos. Hoje, na idade pseudo-madura , aprendi a fingir que não estou mais sentindo aquelas emoções intensas e que já não tenho mais aqueles pensamentos conflituosos de quando eu era criança. Aprendemos a camuflar as emoções, mas como eu sempre digo e afirmo: A nossa essência sempre será a mesma. Apesar da calma aparente e do auto-controle adquirido em anos de leitura, meditação e isolamento, tem momentos que a "chispa" aparece e não dá para fingir e silenciar a "ira". Queria poder ter mais controle sobre isso, mas nem tudo na vida é perfeito. Ao menos eu já não atiro mais vasos contra a parede e não sofro mais de insônia. É uma grande evolução.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Quando partir é preciso...


Me lembro da primeira vez que deixei o Brasil, ainda no check-in do aeroporto os minutos passavam velozmente e já era hora de entrar naquele corredor da morte, a imigração. Me despedi rapidamente e nem olhei para trás. Olhar para trás é fatal. No saguão de espera, alí sim, os minutos pareciam uma eternidade e eu não via a hora de embarcar para passar logo aquela agonia típica das partidas. Porém, na primeira vez a minha filha estava comigo e não foi tão difícil assim, apenas a ansiedade me corroria a alma. Na segunda vez, na terceira, na quarta , na quinta e tantas outras vezes, em tantos outros aeroportos, já começei a me acostumar com esta agonia das partidas e partir se tornou algo normal.
Desta vez parece que sinto aquela mesma agonia "não tão normal" da primeira vez. Será que eu mudei?Será que desta vez não terá volta?
Não existe partida sem chegada e o que me consola sempre nestas minhas idas e vindas é que toda chegada é um novo recomeço. Alguma coisa sempre muda, não só na paisagem, mas dentro de nós, à cada partida e chegada. Nem sempre com a volta marcada.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Meu destino "5"


Certa vez, fiz por curiosidade uma projeção do meu futuro numerologico , e um número me chamou a atenção: o "5". E não é que esse número permaneceria ditando os rumos do meu destino até na velhice?
Bem, ainda não estou velha, mas estou caminhando lentamente, a passos de cagado e um dia vou ficar bem velhinha de cabelos brancos , bengalinha , touquinha de lã na cabeça pra disfarçar os poucos fios de cabelo brancos que me restarão , e etc. Este é o destino de todos, mas imagine uma velhice regida pelo número 5? O número 5 me inspira muita instabilidade e isso não é muito bom para uma velhinha. Ao mesmo tempo, eu não vivo sem isso, não propriamente a instabilidade em sí, mas eu preciso de movimento, preciso de mudanças radicais, senão a vida me parece muito estagnada com a mesmice do dia-à-dia. A rotina me mata. Sinceramente, eu invejo aquelas pessoas que são estáveis, que trabalham na mesma empresa por mais de 10 anos, que vivem ao lado da mesma esposa , ou esposo, ha anos e nada muda este "status quo". Eu não serviria nunca para ser uma funcionária pública por exemplo, acho que morreria com tanta estabilidade.
Tá certo que muitas mudanças radicais estressam e requer uma alta dose de "coragem", para enfrentar tantas mudanças e novas possibilidades, mas talvez seja esta adrenalina dos primeiros meses de mudanças radicais que me alimentem a alma. Eu preciso disso, e coragem é o que não me falta para viver o novo, o desconhecido, o imprevisível e até mesmo , o improvável.
Lá vou eu de novo para a terra do sol nascente, e desta vez vou mais para so Sul do país, um pedaço que eu ainda não conheço, Osaka. O povo de Saitama nos arredores de Tokio é frio e stressado, o povo de Shizuoka é super hiper amável e simples, agora, vamos ver como são os japas de Osaka, a cidade da máfia japonesa, a yakuza...aiaiaia. Vidinha incerta.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Se eu pudesse...

Se eu pudesse eu fugia desta terra e das obrigações civis. Estou falando da burocracia que é viver, e morrer também em sociedade. Melhor seria se voltassemos a era das barganhas, aonde todo mundo trocava qualquer coisa sem precisar pagar por nada e nem comprovar a procedência.
Não me bastasse o pouco tempo que me resta para agilizar a minha documentação (visto) e a minha viagem que está programada para o final do mês, agora estou tendo que correr contra o tempo para dar entrada no inventário do meu falecido pai. Eu nem preciso dizer que não tenho aqueles papéis que às vezes são verdinhos, às vezes rosadinhos , com marcas d'agua e que representam numerários para barganhar com advogados e cartórios. O que me resta então? Madrugar na porta de uma casa que se chama: Defensoria Pública, munida de um "zilhão" de documentos para tentar dar início ao tal do inventário gratuito, que de gratuito não tem nada. Gratuito para mim é quando não se paga absolutamente nada, o que não é o caso aqui. Se a justiça é gratuita para quem declara ser pobre , como é que o pobre, além de já ter sofrido uma perda familiar, ainda tem que levar uma facada na hora de pagar o imposto de transmissão causa mortis?
Está explicado porque pobre continua pobre mesmo depois de receber uma herança. Simplesmente porque ele não tem condições de pagar os impostos para receber tal herança. Nas novelas da Globo é sempre tão chique ser "herdeiro". Rico deixa testamento e o contesta quem pode. Pobre deixa legados, aceita quem quiser.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Os aspectos que me impelem


Destino para mim é algo que já estava pré-determinado desde o momento que nascemos e nada pode muda-lo, quer dizer, podemos tomar outros caminhos mais curtos ou mais longos, este é o nosso livre-arbítrio. Na realidade o livre-arbítrio não passa de aprendizado, caminhos que escolhemos para seguir o nosso destino. Não que eu não acredite em milagres, mas para que isso aconteça é preciso ter muita fé em sí mesmo e muita disciplina. Fé é pura disciplina . Quem diz acreditar em Deus e não pratica a oração está apenas fazendo uma afirmação . Sem a prática não pode exister fé, e mesmo com a prática alguns não conseguem nunca atingir este estado de espírito.
Estou acompanhando os aspectos que me regem neste periodo (como sempre) para saber se estou caminhando para o rumo certo, ou seja, se eu não estou remando contra a maré. Nem sempre aquilo que pensamos e queremos executar em nossas vidas está pronto para ser vivido . Compreendi perfeitamente esta questão neste um ano que se passou. Tentei mudar o meu destino rumando para terras européias (era aquilo que eu mais queria), e mais uma vez compreendi que o nosso livre-arbítrio é limitado até certas circunstâncias. Podemos tomar atitudes imediatistas e drásticas para mudar o nosso destino, mas nem sempre é o momento certo para se abrir mais uma porta. Ou seja, nem sempre estamos preparados para vivenciar tais escolhas , e aí começam as dificuldades . Vence quem está preparado, perde quem apenas ousou provar o poder de seu limitado livre-arbítrio.
Einstein não acreditava em livre-arbítrio. Para ele, o Homem é livre de fazer o que quer, mas não é livre de querer o que quer. Se ele que era um homem inteligentíssimo e pensava assim, quem sou eu para contesta-lo.
Por mais que eu tentasse fugir do meu destino, o universo me forçou a voltar para o Brasil e eu não conseguia entender o por quê? Foi preciso um tsunami , ameças nucleares e um suiço "maluquinho" para me cuspir de volta ao Brasil. Hoje compreendo que vim para viver parte de meu destino (maktub) que já estava escrito (Plutão na casa 8). Algo relacionado a mortes e legados. Vim ao Brasil, por força do destino para enterrar o meu pai e dar o último adeus. Por mais que eu tivesse tentado sair do Brasil (desesperadamente) durante este periodo eu não conseguia por vários fatores.
No final do mês tenho uma viagem programada para voltar ao país do Sol nascente. Estou usando o meu livre-arbítrio outra vez, mas desta vez os astros me impelem. Nao era bem o que eu queria, mas se devo percorrer mais este longo caminho para alcançar meus objetivos, que assim seja. Maktub.

domingo, 1 de julho de 2012

Matto = Doido



Albert Einstein também era "doido". Doido com foco.
Significado de doido:
adj. s. m.
1. Que perdeu a razão.
2. Extravagante.
3. Temerário.
4. Insensato.
5. Arrebatado, muito contente.
6. à doida: doidamente,
estouvadamente.
7. DOUDO
De tanto ouvir as pessoas se referirem a mim como "doida", eu precisei pesquisar na net para poder entender melhor que tipo de doidera é essa que eu tenho. São tantos os adjetivos que não sei bem aonde eu me enquadro melhor. Bem, de todos esses adjetivos o único que eu discordo é o da insensatez, o resto confesso que sou um pouco de tudo, principalmente o "estouvado". Eu até incluiria um outro adjetivo: impetuoso.
Analisando o significado da palavra percebo que não há nada de depreciativo, muito pelo contrário são características encantadoras em uma pessoa porque a torna "original". Ao mesmo tempo o ruim de ser "original" é não ser " previsível",portanto, aos olhos dos outros nos tornamos temerários, ou seja, aquele a quem não se pode confiar 100% em função da impetuosidade e das atitudes tresloucadas. Por exemplo, na vida profissional isto não é um ponto à favor, e pra dizer a verdade nem mesmo na vida afetiva porque um "tresloucado" toma atitudes imediatas (instintivas) sem consultar a ninguém. Não porque seja um egocêntrico e autosuficiente, mas porque não dá tempo de avisar ninguém à tempo . Na realidade, quase ninguém concorda porque o "impetuoso" ou "doido" anda constantemente na contra-mão sem nem se importar se alguém um dia criou regras para o trânsito. Não quero afirmar aqui que um "doido" não respeita as leis de trânsito, é apenas uma alusão.
Resumindo em poucas palavras (depois de tanto blá,blá,blá), o doido faz aquilo que dá na telha e não mede as consequências. Assim sou eu.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Soberba

Outro dia conversava com uma amiga e ela pronunciou esta palavra: "soberba", se referindo a alguém. Até então creio ter ouvido esta palavra apenas em alguns encontros para o estudo da bíblia, mas nunca procurei saber o significado correto desta palavra e o seu uso, que para mim teria a palavra "arrogância" como sinônimo, porém a "soberba" abrange um pouco mais deste sentimento. É tão difícil ouvir alguém pronunciar esta palavra no meio em que convivo. Então lá fui eu consultar na Wikipédia, a minha enciclopédia instantânea. Parece até perfil de um psicopáta, mas como no mundo de hoje não sabemos jamais com quem estamos lidando até que seja feito um laudo médico. Aqui vai a descrição do sujeito soberbo, que nao tem nenhuma relação com a bipolaridade (eu acho) porque ele é constantemente assim e o bipolar tem "momentos" de soberba.
Definição da soberba:
"Soberba é o sentimento negativo caracterizado pela pretensão de superioridade sobre as demais pessoas, levando a manifestações ostensivas de arrogância, por vezes sem fundamento algum em fatos ou variáveis reais. O termo provém do latim superbia."
Análise da soberba:
A soberba não é privilégio dos ricos. Os pobres também podem experimentar a soberba ao se considerarem especiais e buscando fingir serem o que não são. Não só através de bens materiais, pois muitas vezes a pessoa pode se sentir superior aos outros por acreditar que é o melhor no que faz, no que decide, na sua capacidade de resolver situações.Enquanto o invejoso guarda tal sentimento para si, se remoendo internamente (talvez até com medo das denotações negativas que tal sentimento pode compor), o soberbo tende a se mostrar, pois está enamorado com a própria existência. O soberbo se sente auto-realizado (dentro dos conceitos propostos na pirâmide de Maslow), querendo mostrar-se para os outros a todo preço, querendo despertar a inveja e a admiração dos outros, como se isso elevasse sua estima ao máximo e lhe trouxesse prazer.O soberbo quer superar sempre os outros, mas quando é superado, logo se deixa dominar pela inveja. Para o soberbo, ele deve sempre estar no topo, sendo o parâmetro mais alto para as pessoas, despertando interesse e curiosidade de todos. Quando é superado, logo o soberbo se sente ameaçado, atingido, sendo tomado pela inveja no sentido ruim, querendo depreciar os outros e vangloriar-se, sem que para isso se estruture para se superar ou até fazer uma avaliação da vida, dando-se em determinado momento por satisfeito.A soberba é contrária à homogeneização da humanidade, pois, uma vez que a humanidade pode se tornar homogênea, com todos os indivíduos sendo e vivendo de maneiras iguais, não haverá mais espaço para a soberba, ao desejo de se tornar diferente e mais especial que os outros, nas mais diversas formas. Com todos vivendo igualitariamente, a soberba não existe, e quem desse pecado sobrevive, se sentirá carente, fraco, ausente, já que não conseguirá atrair atenção de ninguém tão facilmente ao agregar grandes valores a si próprio.A correção da soberba ocorre única e simplesmente por meio da humildade. É agindo com simplicidade que se consegue combater a soberba nas suas mais diversas formas, evitando a ostentação, contendo as vaidades e olhando o mundo não apenas a partir de si, mas principalmente ao redor de si. O soberbo vê o mundo começando a partir de si, enquanto o correto seria que ele olhasse ao redor, comparasse, analisasse e traçasse seu caminho individualmente, com virtude e solidariedade.Mas algumas vezes também pode-se perceber que o excesso de humildade é sinal de uma soberba focada na inferioridade. Ou seja, o soberbo não aceita ser como a média, não aceita ser como os demais. Ele precisa se destacar dos outros sendo o "mais" "maior". Se não consegue ser o mais inteligente ele então desejará e será o mais ignorante, falando sobre isso o tempo todo para que, seu interlocutor ao ouvir a depreciação passe a elogiar o soberbo mesmo que seja por educação. Mas isso bastará ao soberbo que quer ser destacado dos outros que são medianos