segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Vida e cultura no Japão



Vivendo e aprendendo. Há mais de 15 anos que convivo com japoneses no meu trabalho e só agora começo a entender certos hábitos culturais japoneses no convivio do dia à dia.

Hà  pouco  tempo conheci o termo "tatemae" , que traduzindo literalmente é tate = vertical , mae = frente. Eu interpreto como " em pé de frente" . Ou seja, de frente a algo ou alguém. É um tipo de comportamento da cultura japonesa que diz respeito á forma como você "deve" se comportar convencionalmente nas relações com seus colegas de trabalho , vizinhos e outras relações menos íntimas ou formais. Para nós brasileiros beira a falsidade, mas é um tipo de comportamento bem frequente entre os japoneses.

Outro comportamento também cultural que tenho percebido muito nos japoneses é que por mais que ele ( ela) seja seu (sua) amigo(a) , jamais irá tomar as suas dores e te defender. Tipo aquele amigo do peito, pau pra toda obra . Eles costumam se omitir em certas situações que considerem pouco convenientes. Este tipo de comportamento é muito frequente no ambiente de trabalho. Um amigo ou colega japonês , por mais que ele saiba que você està com a razão , ele nunca vai te defender perante um chefe , por exemplo. Muito pelo contràrio, ele vai concordar com tudo o que o chefe diz. Porém, fora do ambiente de trabalho , os japoneses costumam ser muito solícitos. Te ajudam quando podem e quase nunca se metem a dar conselhos do que é melhor ou pior pra você.

A minha experiência de convivência em terras nipônicas quase sempre foi em ambientes de fábrica , portanto, não sou a pessoa justa para dizer como  é fazer "amigos" japoneses . É apenas a minha percepção dentro de ambientes que frequento aqui em terras nipônicas. Mas, uma coisa posso afirmar com absoluta certeza: Não existe muita expressão de afeto entre os japoneses. Não que eles sejam frios , são exageradamente contidos e timidos. Aí entra outra questão cultural que é o de não demonstrar afeto em público.

Às vezes me dá a impressão de que para os japoneses não interessa muito aquilo que você está sentindo. Se você está feliz é mérito seu, se você está infeliz é deméterio seu.

Diferenças culturais à parte, este tipo de comportamento cultural nos leva sutilmente ao isolamento social. Para que fazer amigos japoneses se eles não são solidários com o seu emocional?


Sempre defendi a idéia de que aprender a lingua , a cultura local e interagir com japoneses nativos seria fundamental para se ter uma vida "normal" em terras nipônicas, mas confesso que as amizades japonesas me frustram um pouco.

Cada um no seu quadrado.


domingo, 2 de agosto de 2020

Destino e livre-arbítrio


Já escrevi vàrias vezes aqui sobre este assunto: O destino e o livre-arbítrio. A cada vez que escrevo uma dúvida vai se dissipando.  O destino realmente está escrito nos céus e nada podemos fazer para muda-lo?

Acredito que existam alguns aspectos em nossas vidas que não dependam de escolhas, elas já estavam pré-determinadas . É como nascer girafa e querer ser um elefante . Não tem como mudar isto. Ou nascer com algum defeito congênito e passar o resto da vida de forma quase vegetativa. Não há como alterar este destino.  É aquilo que chamamos de karmas imutáveis.

Então até onde o nosso destino depende de nossas escolhas? A resposta  é : Dentro  daquilo que é mutável dentro de nosso destino.  Ou seja, você pode optar por lutar contra as tendencias de sua vida ou simplesmente deixar que o destino se encaregue de traçar a sua vida.  Obviamente para aquelas pessoas que possuem a tal liberdade de escolha. Há casos em que o destino se faz tão claro que não deixa brechas ou opções de escolha. Como é o caso de pessoas que já nascem com problemas de saüde ou alguma deficiência fisica que os impeçam  de viver uma vida "normal".

Analisando por este ângulo , o destino existe e o nosso livre-arbítrio de nada serve para muda-lo. Para  nös que possuímos a capacidade mental e fisica de remarmos contra a maré , alguns aspectos tendenciosos de nosso mapa astral podem ser amenizados até um certo ponto.

Qual seria este ponto? A fé! Não há nada maior que nos conecte com o Universo como um todo, senão a fé . Não estou me referindo a fé pura e simplesmente religiosa, me refiro a aquela fé que carregamos no peito . Me refiro a aquela conexão harmoniosa com o Cosmos , desenvolvendo em sí a capacidade de transmutar qualquer aspecto tendencioso dos céus em nossas vidas.


A fé , só ela pode mover montanhas e céus!


domingo, 26 de julho de 2020

O amor de Capricórnio



Quem já se apaixonou por um Capricorniano sabe muito bem que ás vezes nós Capricornianos não correspondemos as expectativas romanticas de nossos parceiros. Não que Capricornianos não sejam romanticos, nós somos romanticos e idealistas . O único problema de uma mente Capricorniana é que nós sentimos com a razão. Tudo tem que ter um sentido prático e racional.

Já viu um Capricorniano profundamente apaixonado? Sim, Capricornianos se apaixonam perdidamente, só que o detalhe é que nös Capricornianos não sabemos lidar com emoções que nos tirem  os pés do chão. Um Capricorniano pode estar louco de paixão , mas ele vai disfarçar e fingir que não está tão vulnerável aos seus sentidos. Daí vem aquela impressão de que Capricornianos são frios e insensíveis.

Dependendo da posição da Lua ( nossas emoções) , um Capricorniano pode se expressar de forma complexa e não se fazer entender. Pois é, se nem nós  Capricornianos sabemos direito o que estamos sentindo , como administrar tanta emoção?

Capricornianos são introspectivos por natureza , as emoções ficam no âmago sem se exteriorizarem. Um Capricorniano pode te amar por toda a vida e você nem vai perceber. Capricornianos não dão o braço a torcer. Mesmo te amando , Capricornianos são capazes de seguir a vida sem nem olhar para trás. Mas, pode ter a absoluta certeza de que nós Capricornianos temos uma boa memória . Se você em algum momento foi a grande paixão da vida de um Capricorniano , o seu retrato será guardado nos albuns de fotografia como se fosse uma jóia. Passe o tempo que for.

Quer conquistar um(a) Capricorniano ( a) ? Seja discreto (a) , confiável e dôce. Capricornianos amam  a doçura que eles mesmos não tem.

E esse papo do Capricorniano ser materialista? Capricornianos não são chegados a ostentação, aquilo que importa ao Capricorniano é a segurança material, independente de luxos e ostentações. Porque você acha que o Capricorniano trabalha tanto? Capricornianos sabem que nada cai do céu, e que existirão momentos na vida de altos e baixos que exigirão um certo sacrifîcio.

Não julgue um Capricorniano pelas aparências. O regente deste signo é Saturno, o senhor do tempo. Mesmo que quiséssemos fugir de seus aspectos rígidos a tendência deste planeta é a de dificultar processos. Mas, pode ter a certeza de que este mesmo planeta (Saturno) ajuda a maturar tais processos, demore o tempo que for.

O amor Capricorniano demora a maturar, mas com certeza é o amor mais confiável e duradouro de todo o zodiaco.

Quer um amor para sempre? Ame um(a) Capricorniano (a) . Aposte no "tempo"', e você não vai se arrepender.




domingo, 19 de julho de 2020

Estava escrito, maktub



Ha alguns atrás en minha busca por "verdades" , topei com a astrologia. Nenhuma religião ou filosofia de vida me esclareceu tanto sobre a vida, a morte , e o nosso destino como  a astrologia.  Através da astrologia pude me conhecer melhor e entender os rumos que a minha vida tem tomado. Confesso que sou outra pessoa depois desta consciência astrológica de como gira o Universo.

Dizem que a astrologia não é para os fracos . De certa forma é uma grande verdade.  Não é todo mundo que tem a capacidade de  não se impressionar com  as "verdades" da vida.

Em uma de minhas pesquisas astrologicas encontrei uma interpretação em meu mapa natal que fazia referencia a uma crise geracional que ocorreria sempre  de 100 em 100 anos. Não dei muita importancia por ser geracional. Cheguei a pensar que fosse apenas mais uma crise econômica , como aquela de 2008.  Mal podia imaginar que fosse a Pandemia de 2020. Assim como a de 1918 , hà 102 anos atrás que ceifou tantas vidas e mudou a rotina de milhares de pessoas pelo mundo.

E quem não se recorda da HIV ( AiDS)  nos anos 80/90?  Esta com certeza mudou a consciência de muitas pessoas na época. Perdí alguns colegas de trabalho para esta doença e tive vários amigos  que se infectaram e tiveram a sorte de prolongar suas vidas com a descoberta de um coquetel .

Assim será também com a Pandemia da covid-19. Passaremos por tempos difíceis, mas que terminará  com a desenvolvimento de uma vacina. Quem sabe dentro de mais um ano ?

E como será a vida nos pós Pandemia? Basta olhar para trás . Vai passar. Enquanto esperamos,  a vida segue para todos nós como deve ser.  Cada qual com as suas vitörias e suas derrotas. Felizmente muitas pessoas evoluirão a sua consciência e aos poucos algumas mudanças de comportamento irão afetar de forma evolutiva a humanidade.

Maktub! Estava escrito!



segunda-feira, 13 de julho de 2020

A agonia do isolameto social



Desde que começou essa loucura do corona virus tenho tentado seguir a risca todos os aconselhamentos de prevençāo. Lavar as mãos sempre, carregar um potinho de alcool em gel , usar máscaras e respeitar o isolamento social. Tenho até evitado receber amigas em casa, que aliás, já eram poucas as visitas e eu as reduzi a zero.

No trabalho nem quero papo com quem vem puxar conversa comigo sem máscara ou se atreve a se sentar muito perto de mim sem os devidos cuidados .

Apesar de toda essa neura a vida segue . Deve seguir. Devemos continuar fazendo planos para o futuro sem perder a alegria de viver dentro desta nova normalidade. Hoje em dia é a coisa mais normal ver gente mascarada por todos os lados.  Entrar em algum estabelecimento e dar de cara com um plastico isolando o atendente  do publico também se tornou normal.

Para nós brasileiros que vivemos no Japão o isolamento social nem é lá um bicho de sete cabeças. Nem todos estão aqui com as suas familias e nem todos vivem fora da bolha social de comunidades brasileiras. De certa forma já viviamos o nosso proprio isolamento social. Eu já me acostumei a não abraçar , a não falar alto, a não dar festas no meu apê depois das 22:00h , a não telefonar pra ninguém tarde da noite pra nao incomodar o vizinho e etc.

Enfim, o isolamento social nem pega muito . Aquilo que tem  me causado muita agonia e um certo estresse é o fato de não me sentir a vontade e nem livre para ir quando e onde eu quiser.

No mês passado comecei a pesquisar sobre viagens internas aqui no Japão e já estava pesquisando
voos para Okinawa , para mim e uma amiga no mês de Dezembro. Duas semanas depois os casos de corona virus começaram a aumentar no Japão, principalmente em Tokio. Decidi esperar o feriado de agosto para saber se seria viável viajar em Dezembro. Tive que abortar a viagem sem nem ter reservado as passagens. Muito frustrante para alguém que simplesmente ama viajar!

E os eventos locais que eu costumava ir todos os anos? Todos os eventos e festivais de Primavera foram cancelados . Não é que no Japão temos muitas opções de lazer disponíveis , e com a chegada dessa normalidade , tudo ficou muito restrito.

Meses se passaram sem eu ir a um shopping center ou simplesmente tomar um café em algum lugar. Só saio para o estritamente necessário. Hoje mesmo , meio a contra gosto, tive que ir a Hamamatsu para ir a um despachante. Faz meses que não pegava um trem lotado. Fiquei em pé a viagem inteira , virada de frente para a porta por 45 minutos na ida e na volta.

Apesar da neura de pegar trem e estar em ambientes muito cheios e fechados , o passeio me trouxe uma lufada de ar. Pude caminhar pela cidade , ver lojas , ver gente e  até parar para um lanche rápido no McDonalds e um café no Starbucks. Fazer compras aleatórias também dá um novo ânimo. Passei pela H&M e comprei aquela camisa branca que eu tanto estava querendo.

Na volta , desci na estaçào mais proxima da minha cidade no intuito de pegar um ônibus . Os horários tinham sido reduzidos e eu não tive outra opção a não ser tomar um taxi. Eu tenho evitado andar de taxi também, mas os taxis aqui do Japão são seguros. Todos os taxistas usam màscara . Bastar deixar a janela um pouco aberta pra ventilar e não tocar em nada. A porta dos taxis daqui abrem automaticamente.

Confesso que ter que me isolar nem me tira a tranquilidade. Gosto de estar sozinha  ouvindo os meus silencios meditativos. Mas, realmente é muito difícil suportar a falta de liberdade de ir e vir  ,  e de não ter lazer algum que esteja disponível sem restrições. Nem percebemos o quanto essa liberdade nos faz falta e nos causa uma certa agonia e estress.  Foi muito bom ter saido hoje!

Na proxima semana talvez eu tenha que ir novamente a cidade para algo estritamente necessàrio: ir
na imigração.  Parece até que estou usando como desculpa para poder sair . No caminho eu sempre passo por um café ou restaurante . A vida segue! Não é mesmo?

! Equilibrio é tudo! Poder sair de casa  e passear ao ar livre não tem preço! Viajar então, nem se fala!


sexta-feira, 10 de julho de 2020

É carma ou castigo?



Viver inserido dentro de culturas diferentes da nossa é um negócio complicado! Independente de onde você esteja, em qualquer cultura que seja religiosamente diferente da nossa o convívio será bem limitado. Pode ter certeza!

Não sei se é carma , ou se eu estou recebendo do Universo alguma lição de vida , mas o fato é que conviver com japoneses ( nativos) é muito difícil. Eu tenho origem asiática por parte de meus pais , e confesso que sempre foi muito dificil conviver com a mentalidade nipônica deles . Acabamos sempre fazendo comparações com a cultura brasileira que apesar dos pesares é muito mais humanizada. Talvez em função da religião cristã que é maioria  em países da America latina.

Há anos eu convivo com uma japonesa no trabalho. Ela tem lá seus 53 anos . É uma tipica japonesa do interior , casada com um japonês alcoolatra ex- yakuza de uns 67 anos. Uma característica bem irritante nessa senhora é o seu patriotismo. Patriotismo esse que desdenha de outras nacionalidades em geral. É como se ela por ser japonesa fosse superior a qualquer outra nacionalidade. Chega a ser extramente ofensiva em suas opiniões, mas vamos relevar , né! É o patriotismo japonês, coisa que brasileiros não costumam ter . É um defeito para quem vê de fora, mas para o país essa mentalidade funciona muito bem.

Um fato que me deixa estremecida em relação a mentalidade dessa senhora é a facilidade que ela possui de proferir palavras com uma vibração muito negativa. Ontem ao aconselha-la a procurar um medico para as suas frequentes hemorragias uterinas ( faz tres anos) , ela disse: - Não me importo, por mim posso morrer. É ou não é uma frase extremamente negativa para sair falando por ai?

Na nossa cultura essa senhora seria diagnostificada como depressiva e seria recomendável que ela buscasse ajuda psicológica. Dentro da cultura japonesa a vida é um sopro , assim como as flores de cerejeiras. Talvez isto justifique a fala dessa senhora que se refere a vida como se não valesse nada.

É terrível conviver com pessoas assim, mesmo que seja algo cultural . Todo  comportamento ou mentalidade que provoque  algum mal estar  na alma de quem está por perto não deveria ser entendido como "verdade" cultural.

Em qualquer cultura existem "verdades" que estão enraizadas há anos na cultura local, mas isto não quer dizer que seja o ideal. Diferenças culturais existem em qualquer país , não é questão de estar comparando uma cultura a outra, assim como hábitos alimenticios ou sociais. É questão de alma. A alma humana não tem nacionalidade . Aquilo que faz mal a nossa alma não tem como ser aceito como algo "cultural" e "aceitável".

É carma? Castigo? Não sei ! Só sei dizer que graças a minha mentalidade universal , a cada vez que ouço palavras que desvalorizem a vida, mais tenho  a certeza de que a vida é apenas o retrato daquilo que mentalizamos e construimos no decorrer da vida. Independente de cultura, raça , religião , ou condição social.


domingo, 7 de junho de 2020

Alma jovem e alma velha



Viver em uma sociedade onde tudo é definido pela nossa idade cronolögica é verdadeiramente um porre. A cultura japonesa tem muito disso, de definir o que é normal e o que não é em determinadas fases da nossa vida. Se uma mulher passou dos trinta já é considerada velha . Se passou dos quarenta piorou. Eu creio que a culpa seja das proprias mulheres que não se libertam dessa condição social. Sem falar do fetiche do homem japonês com mulheres bem mais jovens do tipo "lolitas".

Não quero estar ignorando as mudanças fisicas , elas existem. Uma ruguinha aqui , outra alí. O corpo que já não responde mais como antes e etc. Mas, aquilo que independe de um estado físico cronolögico é o nosso estado mental. Manter-se jovem mentalmente nos rejuvenesce de dentro para fora em qualquer fase da vida. A alma só envelhece se você deixar.

Exercitar a mente é tão importante quanto exercitar o corpo,  e na maioria das vezes as pessoas se esquecem que o nosso físico é o retrato do nosso estado mental.

Manter a mente jovem não é ter atitudes caprichosas e infantis . Nem pega bem! Manter a mente jovem é criar novos interesses . É nunca deixar de ser curioso. É seguir aprendendo algo novo. É se conectar com o momento atual. É sonhar e correr atrás daquele sonho que ficou engavetado , não importa se vai realiza-lo , aquilo que importa é o processo.

Está se sentimdo desanimado? Cansado? Desestimulado ou fora do aquário? Mude o seu processo mental. Crie interesses novos . Enfrente grandes desafios . Há quem pense que desafiar-se é algo muito difícil . Não é! É estimulante quando nos desafiamos! E o principal é não se deixar desestimular por aquelas mentes que envelheceram rapido demais.

Em qualquer fase da vida o segredo de uma vida plena ( na medida do possível) é deixar de lado a nossa zona de conforto e vislumbrar a vida à partir de uma outra postura mental.

O autoconhecimento nos ajuda a entender o que é e o que somos em todas as fases da nossa vida. E aí? Você se conhece o suficiente , ou é apenas o retrato da sociedade em que vive?



sábado, 16 de maio de 2020

Reflexão sobre ser feliz



É comum quando iniciamos uma conversa com alguém , seja pessoalmente ou virtualmente, e fazer aquela perguntinha de praxe : Oi, tudo bem? Automaticamente respondemos : Sim, está tudo bem. Na maioria das vezes  que respondemos a este cumprimento de forma mecanica  nem sempre está tudo bem. Mas, para não iniciar uma conversa chata respondemos automaticamente que "está tudo bem" .

Agora imagine se esta pergunta tão corriqueira nos nossas interações fosse um pouquinho diferente? E se mudassemos um pouco esta pergunta , que aliás, já é bem batidinha e fizessemos a seguinte pergunta: - Oi, você está feliz? Aí o contexto muda de figura. Tudo pode estar bem , dentro do planejado, dentro da nossa rotina normal . Mas,  a gente pode não estar feliz.

Hoje parei para refletir sobre viver feliz e apesar de estar tudo bem na minha vida ( por enquanto) . Vivendo  a mesma rotina de sempre , trabalhando e tendo uma vida quase que "normal" em meio a crise que a pandemia provocou no mundo. Eu não estou feliz.

De que me vale ter um emprego fixo ( serei shain a partir de junho) , um apartamento pré -mobiliado gratis , um dinheirinho economizado ( em euros) , se eu não estou feliz?

Sou muito grata por todos estes anos que vivi e vivo aqui no Japão. Realmente o Japão é a minha segunda casa . Vivi momentos muito felizes graças ao meu trabalho aqui no Japão . É como se o Japão fosse uma ponte que me permitisse viver experiencias que jamais pude viver estando no Brasil. Muito obrigada , Japão! Sei reconhecer o quanto o Japão me ajudou a crescer por poder viver aqui.

Apesar desta gratidão que tenho pelo país, eu nunca fui e nunca serei feliz aqui. O motivo? O "life style" japonês. As pessoas no Japão ainda não aprenderam a viver a vida de uma forma leve e descontraida . Talvez a filosofia do trabalho antes de tudo ainda esteja muito enraizada na cultura e na sociedade japonesa.

Quando eu estive em Okinawa , uma provincia mais ao sul do Japão , pude perceber a diferença na hospitalidade e no "no stress" dos okinawanos. Afinal, viver em meio a praias paradisiacas onde o clima é sempre quente o ano todo acaba por influenciar o estilo de vida das pessoas.

Não tenho dúvidas de que viver longe das cidades grandes é muito mais relaxante . Perto da natureza então , é duas vezes melhor! Não importa se são as praias paradisiacas da Tailandia ou a paisagem enevada dos alpes suiços. Poder ver a beleza da natureza de perto me faz muito feliz.

Tenho um sonho de adolescencia que é o de viver em uma ilha paradisiaca e viver uma vida simples. Coisa de adolescente sim, mas que continua sendo um sonho que não sai da minha cabeça. Isto sim, me faria muito feliz todos os dias . E se eu estivesse estressada por alguma razåo. Me sentaria debaixo de um coqueiro, beberia uma àgua de côco  e apreciaria a beleza do mar. 

 E se algum dia alguém me perguntasse se eu estou bem ? Eu responderia : Sim, estou muito feliz.

Reflexões e sonhos de adolescencia à parte. Eu creio que tudo aquilo que não sai da nossa cabeça , seja algo positivo ou não, em um determinado momento da vida ela acontecerá.

E aí? Está tudo bem com você?



sexta-feira, 15 de maio de 2020

A agonia de ser estrangeiro em tempos de crise



Nada como viver uma crise global estando na nossa terra. Não sei se a situação dos estrangeiros em outros países é mais cômoda , mas para nós brasileiros que vivemos em terras nipônicas a agonia é grande.

Na crise de 2008/2009 com a queda do Banco Lehman Brothers o Japão foi atingido de forma imediata. O desemprego rolou solto por todo o país e muitos brasileiros não tinham nem aonde morar.  Eu me incluo. Fiquei sem emprego e sem moradia. Fui morar com uma amiga peruana e seu pai, pagando o valor de um aluguel inteiro por um quarto. Passei meses recebendo ajuda do seguro desemprego e fazendo bicos em snack bar. Dinheiro eu tinha, mas ninguem quer alugar um apartamento para uma estrangeira desempregada.

Novamente uma crise assola o país, desta vez a crise é sanitária, mas atinge muitos setores da economia japonesa por causa do distanciamento social e a queda na produção de produtos manufaturados. Corro novamente o risco de perder meu emprego e residência , ou ser transferida de setor. Começa a bater aquela velha e conhecida insegurança em tempos de crise.

O governo japonês não está muito preocupado em proteger a mão de obra estrangeira, aliás, nunca esteve. Um plano de ajuda aos nacionais estava sendo cogitado pelo governo japonês , mas tal ajuda não incluia estrangeiros diretamente. De forma sutil o governo alegava que somente pessoas que saibam ler e escrever corretamente em japones teriam acesso a tal ajuda. O que causou certa indignação em nós estrangeiros . Em algumas semanas o governo japones decidiu cancelar tal ajuda que seria de 300.000 iens para o chefe da familia ( japonês ou que seja alfabetizado na lingua) e decidiu contribuir com uma ajuda unica de 100.000 iens para cada pessoa de uma mesma familia, incluindo crianças. Quem tem uma familia grande recebe mais, quem vive sozinho recebe apenas a ajuda unica de 100.000 iens. Parece ser uma boa ajuda a principio, mas no mes de junho começam as cobranças do imposto residencial e impostos sobre veículos automotores. Tais impostos não são baixos . Dependendo do salário  do ano anterior o imposto residencial por muitas vezes ultrapassa o orçamento mensal do trabalhador japones/ estrangeiro. Eu particularmente pago em media 1.000 dolares por ano em 4 parcelas . Há quem pague mais . Para quem possui veículos o valor de impostos a serem pagos duplica. Então, essa ajuda do governo vem apenas para não causar inadimplencia no pagamento de impostos do governo. Quem perdeu o emprego neste periodo e mal consegue pagar as contas do mês se verá obrigado a pagar os impostos municipais em dia ou a perda do direito a renovação do visto.

No caso dos japoneses , muitos fazem acordos para pagar impostos e diluem as dividas em anos. Quanto a nós estrangeiros, o atraso no pagamento ou a diluição da divida pode acarretar em diminuição do visto ou a suspensão. Dependendo da provincia e do agente de imigração. Eu até o momento não tive problemas para obter o visto mesmo estando desempregada na crise de 2009 porque meus impostos estavam em dia.

Agora , vamos a questão do desemprego. Obviamente que em qualquer país do mundo a prioridade serão as pessoas naturais do país. Ainda mais em um país racista e de uma maioria patriota como o Japão. Você pode ser muito bom no seu trabalho, mas nunca será melhor que um nativo. Aprendi por experiencias que vivi em outras crises que mesmo que o seu chefe queira te manter , sempre existirá um japonês que reclamará a sua posição pelo simples fato de ser japones. O que ja ocorreu comigo algumas vezes. A minha competência foi trocada pela nacionalidade de uma japonesa que estaria para ser demitida.

Sabe-se que os estrangeiros , sejam eles brasileiros, vietnamitas , filipinos , coreanos ou de qualquer outra nacionalidade são necessários apenas para ocupar funções que os japoneses se recusam a fazer no setor de manufatura do país. Portanto, na primeira crise , a corda arrebenta do lado mais fraco, a dos estrangeiros. Eu como estrangeira sou sempre a primeira a ser recrutada para trabalhos mais árduos , e todas as vezes que necessitam mudar horarios ou dias de folga a convocada sou eu , porque  os japoneses se recusam a mudar a sua rotina.

Para vencer tais barreiras e manter-se empregado, é preciso ser muito mais competente que os japoneses , causando uma certa inveja e muita falsidade. Além de uma boa comunicação com os superiores no estilo "puxasaquismo". Típico da cultura laboral japonesa.

E aí? Como sobrevivemos a tanta pressão em tempos de crise? Não conheço outra forma a não ser manter a calma e aceitar o que vem . É impossivel um estrangeiro deixar de se-lo em qualquer lugar do mundo. Sempre existirão restrições e desafios.





terça-feira, 5 de maio de 2020

Recordar é viver



Sabe aqueles momentos em que a vida dá uma estagnada ? Seja por nossa culpa e inércia ou por força  s externas , o melhor a fazer nestas horas é recordar . Recordar que tivemos periodos bem piores e que tudo passou. Recordar que tivemos o privilegio de ver mossos sonhos realizados. Recordar uma antiga paixão que ficou no passado , mas ainda nos faz suspirar. Recordar é viver.

Não há nada mais frustrante do que chegar a uma certa idade e não ter vivido nem um terço daquilo que a vida tem a nos oferecer. É em momentos como este periodo de privações que necessitamos reforçar a nossa memória com lembranças de tempos passados que não voltam mais , mas que fizeram parte de um processo de autoconhecimento e amadurecimento emocional.

Você tem boas recordações? Tem muita história para contar de tudo aquilo que viveu ? Tem fotos guardadas na memoria do seu computador de viagens, festas com a familia , ou de qualquer evento que foi marcante em sua vida? Reviva-as em sua mente. É impressionante como dá um "up" no nosso ânimo para começar um novo dia em meio a tantas privações do periodo.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Enfrente seus medos e seja felz!



Me desculpem os lunáticos, os romanticos e sonhadores , mas a realidade é bem diferente daquilo que vocês ilusionam!!!

Em tempos de crise o melhor a fazer é encarar a realidade. Não há como nega-la e não sofrer as consequëncias dessa negação. Encare os fatos reais!

Não dá mais pra viajar . Não dá mais pra ir ao shopping. Não dá mais pra sair em grupo . Não dá mais para fazer planos . Não dá mais pra ir ao Supermercado de forma despretenciosa. Não dá mais para abraçar. Não dá mais para paquerar. Não dá mais para receber salario integral. E dai?

Toda essa fase ruim vai passar. Assim como em outras pandemias do passado. Isto é fato! Poderá ser em um ano, ou poderá ser em dois, até que criem uma vacina e tudo volte a normalidade. Até lá, vive-se com o que se tem. Será apenas um periodo longo que exigirå disciplina e austeridade para passar por tudo isso sem se desesperar e cair em depressão.

A vida é feita de altos e baixos. De momentos felizes , outros nem tanto. De sorte , de azar. De realizaçóes e esperas. De vida e morte. Devemos estar preparados sempre para essas variantes. Quem não se adapta ou se recusa a encarar a realidade e vive em um mundo de fantasia onde tudo é alegre , divertido e colorido , e onde as pessoas sao imortais . Sofrerå  quando se der conta da realidade em que vivemos.

Encarar os nossos medos e enfrenta-los nos amadurece e fortalece. Não tenha medo de ter medo. Saiba apenas administra-lo e tudo estará bem. Não se envergonhe dos seus medos. Assuma-os . Pode ter a certeza de que é libertador.



sábado, 25 de abril de 2020

Momentos de paz



Estado de emergência no Japão. É um tipo de quarentena voluntária porque as leis do país não permitem que o estado decida  que os cidadões   sejam obrigados a  não sair de casa ,ou que o comércio e a indústria pare de funcionar em situações como esta que estamos vivendo no mundo.

Apesar do pedido de auto-isolamento, eu continuo trabalhando e tendo uma vida "normal" . Quase nada mudou em minha rotina , apenas o fato de estar evitando alguns poucos amigos e tendo um cuidado redobrado com a higiene.

As idas ao supermercado que já eram poucas , uma vez por semana, continuam igual. A unica diferença é que agora alguns estabelecimentos exigem o uso de máscara , nas filas do caixa existem marcações para manter a distancia e os caixas se protegem detrás de uma cortina de plástico.

Os encontros e saídas com amigas já eram poucos , agora estão reduzidos a "zero" praticamente. Falar com amigos , somente pela internet. Porém, o meu contato virtual via whatsapp com a minha filha melhorou muito em todos os sentidos. Nos falamos com mais frequência. Isto é um ponto muito positivo.

No meu trabalho o momento é de muita pressa com os atrasos provocados pela pandemia. Trabalho com lentes para a Apple e a produção toda é feita na China. Teremos um periodo muito atarefado que será decisivo até junho. Pode ser que continuemos com a produção , como pode  ser que seja suspensa. Tudo dependerá das vendas do novo iphone em meio a esta pandemia.  Muita incerteza. Caso a produção seja suspensa , com certeza haverão muitos cortes. É esperar para ver. Junho cm certeza será um mês decisivo para o mundo em geral.

Com todas essas incertezas e o aumento de casos de infecções  em Tokio , é normal que fiquemos nos sentindo inseguros e ansiosos. Mas, aos finais de semana eu me isolo em meu mundo que se resume a um apartamento de 30 metros quadrados de solitude e muita leitura.  Ontem, sabado, faxinei a casa e fui ao supermercado como sempre. À tarde decidi repousar um pouco e acabei adormecendo. Até sonhei com o Neymar.

É tedioso viver assim? Sim, é. Mas, tem um lado bom nisso tudo. São momentos de paz que administro comigo mesma. Se quero ler um livro eu leio, se quero organizar o apartamento eu organizo, se quero dormir o dia todo eu durmo, se quero fazer uma caminhada sozinha eu vou.

Estou evitando voluntariamente falar com algumas pessoas que sei , são muito ansiosas. O momento é propicio a emoções do tipo e eu quero estar administrando  apenas a minha ansiedade. Afinal, ninguém tem uma noticia boa , melhor evitar.

Hoje acordei muito cedo, portanto o dia será proveitoso . Vou sair e caminhar no parque enquanto está ainda aberto ao público. Depois vou tentar costurar algumas máscaras para uso próprio. É uma verdadeira terapia costurar. Também vou fazer um banho de imersão com óleos essenciais de lavanda e depois aplicar uma auto-massagem nos pés com a tecnica que aprendi de reflexologia podal. Ajuda a relaxar e diminuir as dores do corpo.

É fácil falar em administrar a ansiedade quando ainda estamos tendo uma rotina quase normal. Sabe-se lá como será quando existir realmente a eminencia de um corte no trabalho. Mas, vamos deixar para vivenciar isto quando chegar o momento certo.

Vivendo um dia após o outro. O amanhã deixo para decidir amanhã. Aquilo que estava dentro das minhas possibilidades eu o fiz para enfrentar tais momentos , o resto é com Deus.






domingo, 12 de abril de 2020

E depois?



Faz alguns anos que já não faço mais planos a longo prazo. Três meses é o tempo suficiente para planejarmos a vida, mais do que isso pede sempre um plano B. Nem sempre as coisas ocorrem como o esperado . Portanto, para não ser pego de surpresa e não se frustrar , é aconselhavel fazer planos de curto prazo , ou ter em mente um plano B.

E quando enfrentamos uma pandemia que coloca em risco não só a saúde pública como a economia mundial? Ninguém nos ensinou esta matéria nas escolas e universidades.

Temos o exemplo de outras pandemias como a gripe espanhola em 1918 que durou até 1920 . Muito mais mortal do que a Covid-19 . Se a gripe espanhola durou 2 anos , è de se esperar que esta pandemia atual dure no minimo 1 ano. Visto que , eram outros tempos quando a gripe espanhola infectou  mais de 500 milhões de pessoas pelo mundo.

É de se imaginar que foram tempos difîceis . Desemprego, fome e depressões. A diferença é que nos dias atuais a tecnologia e a ciência estão mais avançadas , o que é um ponto positivo. Além das notícias que correm o mundo com mais rapidez, alertando a população dos cuidados que devemos ter para evitar a contaminação.

Desde o anuncio da China sobre tal pandemia , passaram-se cerca de tres meses ( se não me equivoco) e cada país vem tomando as suas providencias para não gerar o caos em sua rede hospitalar. Medidas de emergia ( no Japão) e lockdown pelo mundo. Apesar da orientação para que as pessoas se isolem socialmente e mantenham cuidados higienicos redobrados, os numeros de contaminados continuam crescendo pelo mundo. E quando isto terá fim?

Provavelmente quando a grande maioria jà tenha se contaminado , criando anti-corpos , ou quando a ciência descobrir e aprovarem um antidoto. A contaminação é rápida , mas o antidoto não!

E como deveremos proceder depois que passe o pico de contaminações? Vida normal? Infelizmente os prognösticos não sao muito favoráveis. A vida não andará normal , pelo menos em um prazo de 1ano , até que se contenha de alguma forma a proliferação do vírus. Palpite! Pode ser que dure mais tempo...

Apesar do quadro não muito animador , esta pandemia vai passar. E durante este periodo devemos buscar formas de sobreviver a ela sem entrar em desespero com a insegurança que toma conta do mundo.

Não adiantará muito ser otimista durante este periodo. O momento pede racionalidade para enfrentar os nossos medos e os desafios que vem pela frente. Não afogue o seu medo. Encare-o de frente. Se dê  o direito de "pirar" por um tempo e retorne ao seu centro de equilibrio. Esta atitude por mais estranha que pareça nos fortalece. É como a Fenix que vira pó e ressurge de suas próprias cinzas.

Você decide: Você è Fenix ou é pó?


Namastê!

sábado, 11 de abril de 2020

Equilibrio emocional


Em tempos de crise mundial , é preciso possuir ferramentas para manter um bom equilibrio emocional. Não importa se é ir a igreja, a templos, meditar sozinho ou simplesmente assistir a um filme que nos transporte momentaneamente a outros mundos. O que não dá é ficar 24 hs conectado a essa energia mundial de insegurança e medo com o amanhã.

Ontem decidi assistir a um filme antigo : "Os deuses  devem estar loucos" . Morri de rir em uma cena onde um gambá fica perseguindo incansávelmente o piloto do avião em meio a um deserto , o pobre do bicho chega a desmaiar de cansado , mas nao desiste da perseguição. Pena que não encontrei a integra do filme.

São esses pequenos momentos que nos alegram e nos desconectam dessa loucura que estamos passando com a Pandemia do Corona-virus. Todos, absolutamente todos vibrando uma energia de medo e insegurança. Não dà pra compartilhar isso o tempo todo. É preciso se desconectar um pouco e repor as energias.

Na semana passada me senti pesada com uma vibração muito baixa . Era o medo se apoderando de meus pensamentos. O tempo estava bonito , decidi dar um giro rapido no parque e ver a beleza das tulipas e sakuras. Deu um up instantâneo! Ver coisas bonitas dão outro ânimo!

Hoje vou ler um livro sobre reflexologia podal que enviaram para mim ha duas semanas atrás e até agora não tive ânimo para ler em função fos ultimos acontecimentos pelo mundo. A reflexologia nos ajuda na cura de mal estares emocionais também. Ativando pontos que aumentam a serotonina . Já é uma contribuição à mais !

Voltei a fazer meus dez minutinhos de yoga também ,para  aumentar a flexibilidade das minhas costas e me conectar com o universo através do mantra "Om". Também li o salmo 91 da bíblia. Acredito que  pequenas atitudes no nosso dia á dia nos ajudam a equilibrar um pouco o emocional.

Ter alguma atividade construtiva também ajuda muito nas horas de ócio. Hoje vou costurar algumas máscaras para alguns japoneses desesperados. Eles só pensam em se proteger com màscaras . Alguns nem a usam frequentemente. Cada um com as suas precauções. Não vou mais julga-los. Vou tentar...

Estou evitando energias alheias também. Aos amigos que estão com uma  energia baixa , minhas desculpas. Mas, preciso me blindar no momento e cuidar dos meus. Apoio e solidariedade somente para os mais proximos.

E assim vamos levando este periodo. O amanhã? Sei lá! Deixo para resolver amanhã. Cada coisa a seu tempo.



terça-feira, 7 de abril de 2020

Altos e baixos do periodo



Desde que começou essa loucura do Corona-virus tenho tentado manter a minha calma e tranquilidade . Afinal, os numeros ainda estão bem baixos por aqui. Também estou tentando não ficar tão ligada nos noticiàrios , mas não tem como ignorar a situação. Se a preocupação não è apenas por nós , tem a familia e os amigos lá do outro lado do mundo. Como ignorar esta realidade e não perder a tranquilidade?

Hoje foi o primeiro dia que me bateu uma angústia , daquelas que não dá pra fingir. Cheguei calada no serviço e todo mundo notou que eu estava meio pesada. Não conseguia puxar conversa com a japonesada como eu sempre faço quando chego no trabalho. Até vieram me perguntar se eu estava me sentindo mal . Inventei uma desculpa e disse que não dormi bem e estava meio sonada. Menti pra disfarçar a minha angústia . Ambiente de trabalho não é local pra despejar as nossas angústias.

Na realidade , faz semanas que pedi aos meus chefes que providenciassem algum desinfetante para deixar no refeitorio . Todos  os dias entro no refeitorio na esperança de que alguém tenha providenciado ao menos água sanitária ou sabão para lavar as mãos , mas infelizmente ninguém està preocupado . É triste ver aquele frasco de alcool vazio em cima da mesa do refeitorio . Todas as vezes me bate um sentimento ruim ao perceber que ninguém está preocupado em previnir uma possivel contaminação nas dependencias do predio. Eu levo o meu proprio sabão e toalhas embebidas em alccol . Estou pensando em comprar agua sanitaria e levar para deixar no refeitorio. Mas, quem vai usar? Ninguém! Japoneses não gostam de nada complicado . E se não podem passar nas mãos não irão utilizar. Daí me vem  um outro sentimento , o de impotência.

Serà que estou exagerando com o cuidado e a prevenção? Serà que estou neura demais?

Os números de contaminados vem aumentando lentamente aqui na minha cidade . Ainda são poucos ,
cerca de 20 pessoas no estado todo. Mas, a cada dia que passa um contaminado é de uma cidade mais proxima . É como se o cerco estivesse se fechando  lentamente . Aí vem um outro sentimento, a agonia.

Seria melhor ignorar os numeros ? Para manter a sanidade mental? Afinal , são poucos ...ainda.

Ainda não cheguei ao ponto de estar desesperada e sem fé, mas esse passo lento dessa "coisa" vem provocando em mim um medo que eu nunca senti na vida. Nem sei descrever em uma unica palavra. Seria uma mistura de angústia, temor, agonia e impotência.

Amanhã tenho um exame de saúde obrigatório para fazer na fabrica . E novamente sou tomada por um outro sentimento que tao  pouco sei descrever . Perdi a confiança total no modo como os japoneses lidam com este inimigo invisível. E talvez seja este o problema dos japoneses em geral. Não crer naquilo que é invisível aos olhos.

Resumindo, estou com mais medo do descaso dos japoneses do que do proprio vírus. Daí vem um outro sentimento, a frustração.  Claro que nem todos são assim totalmente alienados , mas a grande maioria ignora a prevenção , acreditando que com eles não ocorrerá nada. Assim como quando houve o tsunami de 2011 . Muitos japoneses nem sairam de suas casas achando que as àguas passariam bem longe. Alguns sairam de casa no último momento quando o tsunami já tomava o quarteirão inteiro. E não foi por falta de aviso. Assim será com a Pandemia também. Não há como mudar a mentalidade dos japoneses quando o assunto é se prevenir contra um inimigo invisível.