sexta-feira, 21 de junho de 2013

Exemplos de civismo


Este assunto já está dando no saco, mas eu não consigo deixar de expressar aquilo que penso com relação a nação brasileira. Eu amo o meu Brasil, mas o Brasil é para mim como um futuro pretendente a esposo . Aquele que é cheio de defeitos quase que insuportáveis, mas que por amor acreditamos que um dia poderemos ser capazes de ajuda-lo a mudar. Perder a esperança jamais!

Na minha humilde opinião o maior problema do Brasil está na falta de civismo do cidadão brasileiro, e isto inclui não só os políticos que nos representam no Congresso, mas nós mesmos. 

Em contra-partida, aqui no Japão, o povo japonês é um exemplo de civismo. Talvez porque muitos japoneses são xintoístas, ou talvez pela educação que recebem desde a escola primária. 

Aqui no Japão são as próprias crianças que limpam as escolas. Cada um tem um pano de chão com o nome inscrito e uma vez por semana faxinam a escola. Não tem essa de servente ou faxineiras pra limpar a escola, portanto, eles a conservam sempre limpa.

Esta educação é o princípio de tudo. Nas escolas as crianças aprendem a valorizar aquilo que é delas, a escola. Na vida adulta, esta mesma educação serve para que o jovem japonês quando ingresse no seu primeiro trabalho tenha a consciência de que deve zelar pelo seu local de trabalho. Cada um limpa o seu setor uma vez por semana. 

Bateu o carro e não se feriu ,mas sobraram cacos de vidro no meio da estrada? Azar o seu, vai ter que limpar porque a policia rodoviária não é paga pra fazer faxinas nas ruas. 

Vai levar o Totó pra passear? Leve o seu saquinho de lixo porque não tem lixeiras em todos os lugares . O seu proprio lixo, que seja o "depósito" do seu Totó, ou os restos da banana que você comeu no almoço na hora do trabalho devem ser recolhidos por você mesmo e levados pra casa. 

Em algumas cidades é obrigatório participar de multirões para manter o seu bairro limpo. Salvo algumas exceções, como o meu caso que vivo em um conjunto de apartamentos que fazem este serviço. 

A coleta de lixo também é separada em tres dias diferenciados para a coleta de lixo orgânico, plásticos , latas e vidros. Se o lixo estiver misturado eles simplesmente fuçam o seu lixo até encontrar indícios de que o lixo é seu e o devolvem!

Encontrou uma carteira recheada de dinheiro na rua? Leve para a polícia local e deixe o seu numero de telefone para que o dono da carteira possa te gratificar.Isto é lei aqui no Japão. Já encontrei 30.000 ienes em um caixa eletrônico, cerca de 300 dolares. Confesso que como boa brasileira me deu vontade de ficar com o dinheiro, mas eu o deixei com o gerente do local. Nem fiz questão de deixar o meu telefone apesar da insistência do  gerente da loja. Talvez ele devolva para a pessoa que o esqueçeu, talvez fique por dias, meses esperando o dono , e talvez ele pegue pra ele. Japonês é muito correto , mas não è bobo. O que importa é que a minha atitude foi a correta. 

O uso de celular também é restritivo em transportes públicos. Entrou no trem? desliga o celular ou coloca no modo silencioso. Ninguém é obrigado a ficar ouvindo os toques do seu celular e nem ouvindo as suas conversas na viagem inteira. Pode conversar dentro do trem, mas é de bom tom falar em voz baixa para não incomodar aos outros usuários. 

O povo japonês é mesmo um exemplo de civismo e de boa educação. 

Confesso que aprendi a não jogar bicutas de cigarro na rua somente quando cheguei aqui no Japão, e a minha maior dificuldade foi a de aprender a separar o lixo. Hoje não jogo mais absolutamente nada    nas ruas e até o lixo plástico eu lavo antes de jogar. Vidros quebrados, eu os embrulho em jornal antes de joga-los. Alguém pode se ferir na coleta do lixo. 

Eu era outra antes de vir viver no Japão. Consciência zero! Hoje aprendi a respeitar o país onde vivo através dos exemplos do povo japonês. Que por sinal, levei ao Brasil enquanto eu estive por lá, mas não sei por que cargas d'agua parece que não funciona muito em termos gerais. Eu parecia mais uma idiota cheia de senso civico inútil. Uma fresca, como alguns me chamavam. 

Não sei dizer se hoje eu me habituaria a viver em um país que não tenha esta consciência. Também não estou querendo afirmar que o Brasil é o pior lugar para se viver, mas um pouco de consciência civil não faria mal à ninguém. Se cada um de nós tivessemos pequenas atitudes de civismo e bom senso a vida poderia ser bem melhor. 

Voltemos a questão do pretendente a esposo. Ame-o ou deixe-o!


Um comentário:

Anônimo disse...

muito bom este texto